OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


Mostrando postagens com marcador tentação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tentação. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

DESAFIOS DA VIDA (PARTE FINAL)

"(...) A limitação material é como o leito de um rio, forçando as águas numa certa direção. Ele pode dar muitas voltas, mas o destino final é sempre o mar. Quanto mais próximo desse destino, menos curvas aparecem no caminho, porque já aprendemos algo, não nos preocupando mais em fugir e desviar do problema.

Benditos desafios! Cada limitação é uma oportunidade nova. Sofrimento? Depende de como olhamos o desafio. Quando um alpinista se defronta com um pico escarpado, enfiado nas nuvens, ele sorri ou empalidece? Encoraja-se ou desanima?

A vida em si é um desafio de alpinista. Chegar ao topo requer equilibrar-se junto às ladeiras, onde tentações diárias - como preguiça, inveja, gula, desonestidade, raiva, mentira - querem nos atrair para a energia antiga, o comportamento antigo. Repetir no mínimo é estagnar, aprofundando a inconsciência, a não ser que coloquemos atenção no ato.

Ainda que repetindo, atenção na ação é crescimento. Da próxima vez será possível um rumo diferente. Ir adiante, porém, é suspender o pé para o degrau seguinte. Por essa razão o autodomínio é tão importante no caminho espiritual - o que não significa reprimir. O trabalho é sempre por meio da consciência. Domar nossa natureza inferior é estabelecer quem manda no corpo, modificando sua energia pela combinação da vontade com pensamentos elevados e amor - o que é impossível na mente entulhada. 

Requer-se esvaziar esse copo, transformando-o em divina taça pela meditação, sons iluminados, trabalho altruísta e alimentação sutil, preferindo também companhias que buscam crescer como você. Essa é uma dieta para a mente e para a alma, elevando também o vaso físico que nos sustenta no mundo. Vibracionalmente, tudo cresce ou se rebaixa ao mesmo tempo em nós, expandindo ou embotando a consciência."

(Walter S. Barbosa - Desafios da vida - Revista Sophia, Ano 15, nº 65 - p. 12/13)


quarta-feira, 5 de outubro de 2016

POR QUE AS EXPERIÊNCIAS SENSÓRIAS SÃO SEDUTORAS

"Tentações são sedutoras; não há dúvida sobre isso. Todas as nossas faculdades sensórias estão dirigidas para o mundo exterior. Existe uma corrente de energia vital fluindo através dos nervos, que vai do cérebro aos olhos, ouvidos, nariz, língua e pele. As sensações que experimentamos por meio desses instrumentos resultam da corrente que flui para o exterior, e tendemos a gostar disso. Este é o apelo dos sentidos. Abusar deles é perigoso; enquanto o homem não se estabelecer na sabedoria, a energia que flui para fora o fará ser escravo dos sentidos.

Como o holofote de cinco raios dos sentidos, percebemos e exploramos o mundo material. Com os sentidos, aprendemos a gostar do que é agradável ver, ouvir, cheirar, saborear e tocar. O desejo de determinada sensação torna-se um hábito. O problema é que a maioria das pessoas não teve nenhuma experiência do Espírito, oculto atrás da matéria; por isso, não tem um padrão para comparar as percepções dos sentidos, agradáveis e empolgantes, com a desconhecida e inefável bem-aventurança da alma. E não conseguirão comparar até renunciarem a todos os estímulos sensórios, ou até serem mentalmente impermeáveis a eles. O único meio de evitar a armadilha é compreender, pela razão ou pela experiência, que existem alegrias mais sublimes."

(Paramahansa Yogananda - A Eterna Busca do Homem - Self-Realization Fellowship - p. 191)


segunda-feira, 9 de maio de 2016

QUEM É DA VERDADE ESCUTA A MINHA VOZ (Jo 18:37)

"A inspirada estória, assim interpretada, serve para descrever não só os processos de evolução cósmica e as experiências dos indivíduos altamente desenvolvidos no estágio final de evolução para o adeptado. Ela descreve também a vida de cada ser humano, pois, como sugerido anteriormente, todos os homens experimentarão algum dia o despertar espiritual, interior, ou 'nascimento'. Há momentos na vida da maioria das pessoas em que elas se sentem insatisfeitas consigo mesmas, quando experimentam o que tem sido descrito como uma inexprimível nostalgia do infinito, um divino descontentamento. Essa experiência humana quase universal corresponde à natividade de Cristo. A maioria das pessoas tem seu batismo nas águas da tristeza, quando a aflição, dor e desespero podem subjugá-las, da mesma forma como as águas do Jordão cobriram Jesus. Se, como ele, as pessoas permanecem imperturbáveis, emergirão mais fortes, mais sábias e capacitadas a curar as dores alheias. As tentações no deserto, estados de consciência quando a espiritualidade parece muito distante, também assediam a humanidade. A natureza inferior induz o homem a abandonar o superior por motivos de ganho pessoal, prestígio e poder. Novamente, aqueles que vencem e usam corretamente seus poderes, como fez Nosso Senhor, provocarão uma renovação do impulso espiritual. Algumas vezes esse é tão forte que pode transformar o caráter e a vida das pessoas, da mesma forma como Nosso Senhor transfigurou-se no monte."

(Geoffrey Hodson - A Sabedoria Oculta na Bíblia Sagrada - Ed. Teosófica, Brasília, 2007 - p. 162)


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

CRESCIMENTO ATRAVÉS DA DOR

"Embora os frutos da vida espiritual sejam a alegria, o amor, a paz e a harmonia, temos também de enfrentar provações e desafios e vencer tentações internas e externas. De que outra forma poderíamos desenvolver nossas fibras espirituais se não as utilizarmos?

A dor constitui um maravilhoso mecanismo de regeneração proporcionado pelo universo. A dor o informa de que existe algum desequilíbrio em sua vida, e o obriga a fazer as alterações necessárias para restabelecer este equilíbrio.

A dor, além disso, o ajuda a criar uma relação mais íntima com Deus. Ouvi dizer na Associação dos Alcoólicos Anônimos, que alguém precisa chegar até o fundo do poço antes de estar pronto para ser ajudado. Essa observação também vale para você. Em momentos de desespero, quando se dá conta de que seus próprios esforços já não conseguem mais ajudá-lo, você se torna receptivo para pedir socorro àquela força Suprema. E é nesses momentos que ouve a voz interior responder: ‘Estou sempre aqui ao seu lado, até o final dos tempos.’

Lembre-se dos momentos mais dolorosos, mais difíceis de sua vida. Recorde os momentos de maior sofrimento ou privação. Reflita no que aprendeu com esses acontecimentos; avalie o seu grau de crescimento. Não se considera uma pessoa mais compassiva, sábia e compreensiva em consequência do sofrimento por que passou?

Compare tudo isso com um período em que tudo andava bem, em que suas sensações de dor estavam reduzidas ao mínimo. Qual das experiências produziu mais crescimento e transformação em sua vida?

Invariavelmente, terá sido a situação ‘dolorosa’ que de fato lhe proporcionou uma bênção, abriu seu coração e fez de você um ser humano mais amoroso."

(Douglas Bloch - Palavras que Curam - Editora Cultrix, São Paulo, 1993 - p. 66)
www.pensamento-cultrix.com.br


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

ARREPENDIMENTO REDENTOR

"É frequente encontrar-se alguém que andou errando, se corrompendo e degradando nos descaminhos do mundo, a expressar-se nestes termos: 'Tenho até vergonha e medo de Deus. Perdido por um, perdido por mil. Deus não pode querer nada comigo...' É um tremendo erro, fruto de desinformação.

Há redenção para quem sincera e definitivamente se arrepende, se converte, e, humildando-se e amando, se entrega a Deus e agora O deseja acima de tudo, com toda força de seu ser. Muitos dos verdadeiramente arrependidos não chegam a se dar conta de quanto sua conversão alegra o Senhor. (...) Mas, muito além de tudo, procure escutar a voz de Cristo, o mahaguru, a repetir milhões de vezes:
Os sãos não precisam de médicos, mas sim os enfermos; não vim chamar os justos, mas os pecadores. (Mc 2:17)
Como se vê, nunca é tarde demais. Ninguém se sinta excluído. O absolutamente essencial é o que, na terminologia do Yoga, tem o nome de vairagya, que se traduz por des-apaixonar-se pelo que antes era tentador; renunciar ao que antes tinha grande valor; trocar a 'di-versão' mundana pela 'com-versão' a Deus; cambiar radicalmente a escala de valores; optar irreversivelmente pelo caminho redentor. Sem esta mudança na mente, que os filósofos gregos denominavam metanóia, o processo de re-ligação a Deus não tem como começar, e tudo que se fizer a título de religião é infrutífero e até hipócrita."

(José Hermógenes - Iniciação ao Yoga - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1996 - p. 87)
www.record.com.br


domingo, 22 de novembro de 2015

AS FACULDADES ESPIRITUAIS E AS TENTAÇÕES DAS INCLINAÇÕES FÍSICAS

"Todas as pessoas mundanas, moralistas, aspirantes espirituais e iogues - na condição de devoto - devem, todas as noites, antes de dormir, perguntar à intuição se foram suas faculdades espirituais ou as tentações de suas inclinações físicas que venceram as batalhas do dia:

  • entre os bons e os maus hábitos;
  • entre a temperança e a gula;
  • entre o autocontrole e a sensualidade;
  • entre o desejo honesto de ter o dinheiro necessário e a ambição desordenada pelo ouro;
  • entre a capacidade de perdoar e a ira;
  • entre a alegria e a aflição;
  • entre a atitude rabugenta e a atitude aprazível;
  • entre a benevolência e a crueldade;
  • entre o altruísmo e o egoísmo;
  • entre a compreensão e o ciúme;
  • entre a bravura e a covardia;
  • entre a confiança e o temor;
  • entre a fé e a dúvida;
  • entre a humildade e o orgulho;
  • entre o desejo de comungar com Deus na meditação e a urgência inquieta das atividades mundanas;
  • entre os desejos espirituais e os desejos materiais;
  • entre o êxtase divino e as percepções sensórias;
  • entre a consciência da alma e o egotismo."

(Paramahansa Yogananda - A Yoga do Bhagavad Gita - Self-Realization Fellowship - p. 52)
http://www.omnisciencia.com.br/a-yoga-do-bhagavad-gita/p



segunda-feira, 16 de março de 2015

SENSUALIDADE E DESEJO MATERIAL

"Em nome e a pretexto de atender às próprias necessidades, o ego seduz o homem a buscar continuamente a autossatisfação, o que resulta em sofrimento e aflição. Esquece-se daquilo que contenta a alma, e o ego continua na tentativa sem fim de satisfazer seus desejos insaciáveis. Kama (sensualidade) é, portanto, o desejo compulsivo de ser abusivamente indulgente com as tentações sensoriais.

O desejo materialístico coercetivo é o instigador dos pensamentos e ações erradas do homem. Interagindo com as outras forças que obstruem a natureza divina do homem - influenciando-as e sendo por elas influenciado - o desejo sensual é o inimigo consumado. O exemplo perfeito disso é Duryodhana, cuja má-vontade em separar-se de um centímetro que fosse do território ou prazer sensorial foi a causa da guerra de Kurukshetra. Somente pouco a pouco, com uma determinação encarniçada na batalha, os Pandavas puderam reconquistar seu reino.

Kama, ou desejo sensual, apoiado pelas outras forças Kaurava, pode corromper os instrumentos sensoriais do homem, fazendo-o exprimir seus instintos mais abjetos. As escrituras hindus ensinam que, sob a forte influência de kama, homens cultos e de mente sadia agem como asnos, macacos, bodes e porcos. 

A sensualidade está presente no abuso de qualquer ou de todos os sentidos na busca do prazer ou da gratificação. Pelo sentido da visão, o homem pode ser sensual em relação a objetos materiais; pelo sentido da audição, ele anseia pelo doce e lento veneno da adulação e pelo som das vibrações de vozes e de músicas que despertam sua natureza material; pelo prazer sensual do olfato, ele é seduzido por ambientes e ações erradas; a sensualidade no comer e no beber faz com que ele agrade ao paladar a expensas da saúde; pelo sentido do tato, a sensualidade o leva a buscar o conforto físico exagerado e os abusos do impulso sexual criador.

A sensualidade também procura a gratificação na riqueza, no status, no poder, no domínio - tudo o que satisfaz o 'eu, mim, meu' do homem egotista. O desejo sensual é egotismo, o degrau mais baixo da escada da evolução do caráter humano. Pela força de sua paixão insaciável, kama adora destruir a felicidade, a saúde, a capacidade cerebral, a clareza de pensamento, a memória e o poder discernidor da pessoa."

(Paramahansa Yogananda - A Yoga do Bhagavad Gita - Self-Realization Fellowship - p. 47/48)


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

PURIFIQUE A MENTE DA PREOCUPAÇÃO, DO MEDO E DO NERVOSISMO (1ª PARTE)

"As preocupações são, frequentemente, o resultado da ânsia de fazer muita coisa com excessiva rapidez. Não 'engula' seus deveres mentais, procure mastigá-los bem, um de cada vez, com os dentes da atenção, dissolvendo-os na saliva do reto julgamento. Assim, não terá uma indigestão de preocupações.

Não nutra sua mente com os venenos mentais das preocupações. Aprenda a remover as causas dessas preocupações sem permitir que elas o atormentem. Se você sofre de 'má saúde' mental, faça um jejum mental. Um jejum mental sadio limpará sua mente e a purificará das toxinas mentais acumuladas em consequência de uma dieta mental descuidada. 

Faça jejuns de preocupações. Três vezes por dia, livre-se delas. Às 7 horas da manhã, diga a si mesmo: 'Todas as minhas angústias noturnas se foram e, das 7 às 8 horas, não me permitirei ficar inquieto ainda que as piores tribulações me aguardem. Estou fazendo jejum de preocupações.' Do meio-dia às 13 horas, diga: 'Sinto-me contente, não vou me aborrecer.' À noite, entre as 18 e 21 horas, em companhia de seu cônjuge, parentes ou amigos de convívio difícil, tome esta firme resolução mental: 'Pelas próximas três horas, não terei preocupações. Não ficarei irritado, mesmo que me provoquem. Por mais tentador que seja ceder ao aborrecimento, resistirei à tentação. Não sabotarei minha paz interior com explosões de inquietude. Não me permitirei ficar preocupado: estou em jujum de preocupações.' 

Depois de conseguir fazer jejuns de preocupações durante algumas horas por dia, tente fazê-los por uma ou duas semanas de cada vez. Em seguida, procure evitar inteiramente o acúmulo de preocupações tóxicas em seu sistema. (...)"

(Paramhansa Yogananda - A Sabedoria de Yogananda, Como Ter Coragem Serenidade e Confiança - Ed. Pensamento, São Paulo, 2012 - p. 53/54)


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

VENÇA O DESEJO E O APEGO PELO DESENVOLVIMENTO DA SABEDORIA

"Descarte o desejo pelos prazeres sensoriais, os quais, como o prazer obtido enquanto se coça um eczema sarnoso, somente torna a doença mais grave. Você não a pode sarar enquanto ceder à tentação de coçar. Quanto mais você coça, mais é tentado a continuar, até sobrevir o sangramento. Desista, portanto, desta vã pretensão¹ e se concentre sobre assuntos espirituais, ou, no mínimo, mova-se no mundo com a sempre presente convicção de que ele é um marasmo, uma rede, uma armadilha na qual o desejo e o apego precipitarão você. 

Raiva e ira podem ser usadas para proteger o sadhaka (asceta) contra o mal que o acoça. Enraiveça-se, mas somente contra as coisas que o estorvam.² Ire-se, mas somente contra os que fazem de você um bruto. Cultive jnana (sabedoria) e visualize o Senhor nas coisas e nas atividades. Isso torna cada vez mais eficaz seu nascimento humano. Não vasculhe os erros dos outros, porque os outros são manifestações do Senhor, o qual você está buscando realizar. O que vê nos outros são os seus próprio erros.

Da mesma forma como a cauda de um girino, o ego se desprende, à medida que se cresce em sabedoria. Deve simplesmente cair, pois, se for cortada, o pobre girino morrerá. Assim, não se aborreça quanto a seu ego. Desenvolva sabedoria, cultive discernimento, conheça a natureza fugaz de todas as coisas objetivas e, então, a 'cauda' não sobreviverá."

¹ A vã pretensão de saciar a fome de prazer (kama) através da permissiva gratificação.
² Raiva e ira são aqui força de expressão para acentuar o quanto precisamos evitar as coisas e atividades que estorvam nosso caminho de retorna à 'casa do pai'.

(Sathya Sai Baba - Sadhana O Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1993 - p. 99/100)


sábado, 4 de outubro de 2014

O PERIGO DE UMA IMAGINAÇÃO INDISCIPLINADA

"Consideremos o caso de um homem que anseia por bebida. Ele conhece o sofrimento que a sua fraqueza lhe ocasiona; sabe que utiliza mal seu salário e deixa sua família à míngua; e, em seus momentos de lucidez, resolve abandonar aquele vício. Então ele passa por diante de uma taberna, vê sair e entrar gente, e talvez ainda sinta o odor da bebida. Até aquele momento esteve livre de tentação e da consequente luta. Mas, que sucede agora? Naquela fração de segundo, se imagina bebendo – cria uma imagem mental; e por um momento vive e atua naquela forma mental como se, com efeito, usufruísse da bebida. Experimenta a possível satisfação de sua ânsia, mas em realidade não faz mais que intensificá-la, tornando a ação quase inevitável. Uma vez produzida a imagem, evoca tardiamente sua vontade dizendo: ‘Não quero fazer isso’. Mas já é demasiado tarde, e a luta é praticamente em vão. Uma vez criada a imagem mental, segue-se geralmente a consumação da mesma em ação. Sem dúvida, às vezes a imagem não é bastante vigorosa, e é possível repeti-la. Mas mesmo assim há a luta, desgaste dos corpos e sofrimento como resultado. O melhor caminho é impedir que se forme a criadora imagem mental e intervir quando ainda seja eficaz a intervenção.

A imaginação indisciplinada causa sofrimento mais graves do que se supõe. As inumeráveis ocasiões em que tantos não puderam dominar suas paixões, especialmente a luxúria, foram resultados de uma imaginação indisciplinada e não de uma vontade fraca. Pode-se sentir um forte desejo, mas é o pensamento criador que acarretará a ação.

A maioria das pessoas não dá importância a suas imaginações, devaneios ou pensamentos e pensam que eles sejam inofensivos por não serem tangíveis ou visíveis à visão ordinária. Contudo, constituem o único perigo. A quem experimente um intenso desejo sexual, não haverá perigo em ver ou pensar no objeto de seu desejo, a menos que ao pensamento acompanhe a imagem mental de estar saciando o seu apetite. O risco começa quando se imagina a si mesmo em ato de satisfação do desejo e quando se consente que o desejo fortaleça a imagem criada.

Um homem pode estar rodeado de objetos de desejo e, contudo, não experimentar perturbação nem dificuldade alguma, contanto que não permita que sua imaginação, seu poder mental criador, reaja a tais objetos. Nunca temos suficiente percepção de que os objetos de desejo não têm por si poder algum, a menos que nos permitamos reagir a eles, a menos que busquemos saciá-los em imagens criadora. Mas, uma vez que o tenhamos feito, a luta sobrevém certamente. Consideramos o que pensamos como nossa vontade, e tentamos escapar dos resultados de nossa própria imaginação por meio de uma resistência frenética, Poucos compreenderam que a resistência agitada e ansiosa inspirada pelo medo é algo muito diferente da Vontade."

(J. J. Van Der Leeuw - Deuses no Exílio - Ed. Teosófica, Brasília, 2013, p. 29/30)


sábado, 20 de setembro de 2014

NÃO SE CULPE PELOS ENGANOS NA ESCOLHA DO CAMINHO ESPIRITUAL

"(2:66) Aqueles cuja consciência não se enraizou carecem de discernimento. Quem não medita não tem paz. E, se não tem paz, como será feliz?
(2:67) Assim como um barco pode ser desviado da rota por um vento repentino, assim o discernimento pode desgarrar-se pelas fantasias da influência sensorial.

Aquele que busca as coisas espirituais pode às vezes ver-se desviado de seu curso ascendente por tentações exteriores - não apenas os prazeres sensoriais, mas também o desejo de conquistas intangíveis acenadas por maya a fim de alimentar a consciência de seu ego: nome, fama, poder, importância e todo um bando de outras ilusões lisonjeiras. Longe de esfalfar-se com sentimentos de culpa e de autorrecriminações (que só aguçarão sua suscetibilidade à ilusão), deve ele regressar calmamente ao curso antigo.

Enganos no caminho são sempre possíveis. O devoto precisa identificá-los (ao menos no foro íntimo) honesta e francamente para depois esquecê-los sem cometer mais o erro de irritar-se consigo mesmo. Tem de manter a mente firmemente voltada para a estrela-guia de seu objetivo autêntico: a união com Deus. Porquanto o ego é uma ilusão, tudo o que o induzir a afirmar a sua própria realidade isolada será uma ilusão também. Dá-se o mesmo com o desengano que a pessoa sente por ter sucumbido às tentações ilusórias.

Quando se atira um seixo a um lago, surgem ondulações. De igual modo, quando ocorre na vida algo que provoca reação emocional, ondas de sentimentos afloram. As ondas levantadas pelo seixo vogam para a margem e retornam, só aos poucos serenando novamente. Assim também as reações da pessoa a pressões externas vão e vêm, dando forma ao engano suscitado pela reação original.

Com efeito, devemos transformar em prática o ato de separar-nos, na mente, da identificação com seja lá o que for - mesmo em se tratando de identidade de pensamento - e voltar à assertiva 'Deus é o Único que Faz'. Graças a essa dissociação dos erros que o ego possa cometer, nossa tendência a falhar irá diminuindo aos poucos, os ventos pararão de soprar e a mente se centrará calmamente e se fixará, outra vez, no objetivo divino.  

De outro modo, se errarmos espiritualmente, poderá suceder, graças à identificação do ego com o erro, que vagueemos à cata de reencarnações, enveredemos por outros becos sem saída e lutaremos o tempo todo para encontrar o caminho de volta ao curso verdadeiro que outrora tomamos."

(A Essência do Bhagavad Gita - Explicado por Paramahansa Yogananda - Evocado por seu discípulo Swami Kriyananda - Ed. Pensamento, São Paulo, 2006 - p. 127/128)
www.pensamento-cultrix.com.br