OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


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quinta-feira, 20 de agosto de 2020

EXPERIÊNCIAS DE ALÉM-TÚMULO

A AUTOANÁLISE COMO REQUISITO PARA A EVOLUÇÃO ESPIRITUAL ..."Segundo já dissemos o homem ao morrer se desprende do corpo físico denso e continua vivendo nos demais corpos. Aos poucos deixa também o duplo etéreo e subsiste nos outros. O físico denso e o duplo etéreo se desintegram, ficando assim o ego livre de uma roupagem de que não mais pode servir-se para sua ulterior evolução. A memória de tudo quanto lhe sucedeu na vida física queda, por assim dizer, armazenada em sua contínua consciência de ego, readquirindo-a quando atua em seus corpos permanentes, porém, não quando atua em seus corpos transitórios. Mercê desta admirável ordem o ego aproveita quantas experiências tenha adquirido; e não obstante, queda 'puro e limpo', como dizia Goethe, para entrar em cada nova vida mortal sem os entorpecimentos e as remordedoras memórias de um passado turbulento. Tudo quanto de valor existiu nas passadas experiências se transmuda em faculdades, caráter e temperamento, e renasce em aperfeiçoados corpos mental, astral e físico, convenientes para a ulterior evolução do ego. O que atualmente lhe sucede é proveitoso em todo tempo para sua consciência superior, e o será também para tudo quanto no transcurso de sua evolução, consiga a ampla madureza humana."

Annie Besant - A Vida do Homem em Três Mundos - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 105/106)

terça-feira, 11 de agosto de 2020

A CONSCIÊNCIA VIGÍLICA (PARTE FINAL)

Consciência - A Abordagem De Osho | 1ª Parte"(...) A Teosofia distingue na 'subconsciência' dos psicólogos dois aspectos, a saber: a subconsciência propriamente dita e a supraconsciência. A subconsciência inclui todos os instintos e atos resultantes de passadas experiências conscientes, porém, que ficaram para além do conjunto da consciência física por inúteis e inadequadas às atuais condições.

Exemplo disto temos em que os quadrúpedes silvestres dão voltas e mais voltas na espessura do bosque para apanhar a erva e arranjar o lugar para dormir comodamente. É uma deliberada ação resultante do pensamento e do desejo. Não obstante, um cão doméstico dá também várias voltas, antes de deitar-se para dormir sobre um lugar onde não há erva para alisar. É uma ação involuntária que resulta do automatismo subconsciente. Um cavalo aguça as orelhas em direção das vibrações sonoras para melhor perceber o som; ou, de modo casual, ele movimenta-as a fim de localizar a direção de um som; em compensação o homem não tem mobilidade nos lóbulos das orelhas. Não obstante, a subconsciência pode despertar-se vigilicamente pelo pensamento e pelo desejo, de modo que ponha em ação os atrofiados músculos que governarão a mobilidade dos lóbulos da orelha.

Assim, pode ser conquistada, ainda uma vez, a faculdade de reter o alento e as pulsações do coração, para o qual se necessita consumir muita energia mental e volitiva.

Também, pertence à subconsciência a 'memória das células', exercitada na construção e reconstrução dos tecidos, cicatrizações das feridas, etc. Esta memória ou instinto inteligente das células pode ser governada e dirigida pelo poder da vontade para a rápida cura das lesões sofridas pelo organismo. Os chamados 'milagres' de cura de enfermos se efetuam, em muitos casos, estimulando por este meio a rápida e anormal atividade das energias físicas. Nós, os teósofos, atribuímos à subconsciência das memórias adormecidas, os desejos e ações do passado; porém, a supraconsciência é para nós a vasta área da consciência humana que, pouco a pouco, segundo o homem evoluciona, vai formando o campo da consciência vigílica.

Convém advertir que o instável equilíbrio da matéria cerebral é de duas classes: a instabilidade da irritação, histeria e excitação que conduz à loucura; e a instabilidade derivada da evolução, em que a vida se debate contra a forma e faz pressão nela. Esta condição precede sempre ao adiantamento do homem e constitui o gênio. Daí a comum e errada expressão de que 'o gênio confina com a loucura'. Constantemente ambos são fundidos, porém, são dois polos opostos: a loucura é o término do caminho descendente que conduz o homem à degeneração do bruto pela subconsciência; o gênio é o mais alto grau da capacidade humana, da crista da orla da evolução, que se esforça em alcançar a supraconsciência e ilumina o caminho que há de ser percorrido pela humanidade."

Annie Besant - A Vida do Homem em Três Mundos - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 98/100)

terça-feira, 28 de julho de 2020

O CORPO MENTAL E OS FENÔMENOS A ELE RELACIONADOS

A conexão com seu Corpo Mental Superior | Thoth3126"O corpo mental está bastante desenvolvido na generalidade dos intelectuais; porém, sua função como instrumento de consciência não é observar os fenômenos do mundo mental em que atua, e sim servir de transmissor ao cérebro físico. A consciência do ego recebe o contato dos pensamentos externos, porém, não sabe donde procedem. Sua atenção está concentrada em si mesmo e ocupada em receber impressões dos mundos inferiores e sintetizá-las em percepções que por sua vez se resumem em conceitos e ideias. O ego proporciona recordações de passadas percepções que tanto contribuem ao reconhecimento dos objetos físicos, e classifica, fundamenta e formula conclusões que apresenta à sua vontade para que dentre elas escolha uma.

Poderemos considerar a consciência do ego como um receptor de impressões que transmite ao corpo mental, donde as digere e assimila a consciência mental, que por sua vez transfere os resultados desta atuação ao cérebro físico, donde brotam as impressões que afetam o mundo exterior.

Toda a atuação mental ocorre no mundo do pensamento, e o cérebro físico não é mais que o instrumento do Pensador, como um músico que se vale de seu instrumento. A música pode dissonar por defeito do instrumento, sem diminuir o valor da composição musical, que é do compositor, por imperfeito que seja o instrumento. Neste caso, como em todos, o corpo físico é uma limitação e o único meio de que o ego dispõe para se manifestar no mundo físico, ainda que de certo modo diminua suas faculdades.

Os fenômenos do mundo mental não podem ser tão facilmente objetos de observação como os do mundo astral. Os devas nele residentes são os protetores ígneos, os seres de luminosidade esplêndida e potente energia, que pelo pensamento atuam nos mundos inferiores. A chamada telepatia ou transmissão de pensamento pode efetuar-se em direção de mente a mente; porém, quase sempre se opera por meio do cérebro, e a glândula pineal serve de gerador e receptor.

O corpo mental é notável pela extraordinária vivacidade, pureza e fulgor de suas cores e a plástica mobilidade de sua matéria. Não são necessárias as palavras quando um pensamento se põe em contato com outro pensamento, com tal plenitude e abundância de expressão a que não alcançam os símbolos da linguagem falada.

Porém, atualmente, poucos seres humanos, dos que vivem no mundo físico, são conscientes e podem trabalhar com inteira liberdade no mundo mental. Até os capazes de transportar-se a ele com plena consciência atuam na maior parte no mundo astral. Não obstante, do mundo mental recebem os cérebros receptivos inspiradoras formas de pensamento e, ungidas de enaltecedora energia, impelem a todo um povo a trabalhar em determinado sentido de nobre conduta, porque, os devas ou protetores, que a seu cargo têm as nações, residem no mundo mental e, desde lá, dirigem-nas pelo seu assinalado caminho. Também no mundo mental os profetas e rishis ensinam a seus discípulos, e, fortalecidos, enviam-nos a prosseguir sua obra de serviço."

Annie Besant - A Vida do Homem em Três Mundos - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 89/91)

terça-feira, 23 de junho de 2020

O VERDADEIRO SONHO

Descubra o Verdadeiro Significado dos Sonhos"Pode sonhar que viu um inimigo ou um amigo, ou que visitou um país estrangeiro, e tais casos são experiências positivas do mundo astral, segundo compreendermos mais perfeitamente ao tratarmos do êxtase. Às vezes durante o sonho resolvemos problemas ou tomamos decisões que ao despertar vemos com toda a clareza embora não a tomemos como avisos ou advertências recebidas, porque o homem comum não é consciente do que lhe sucede no mundo astral enquanto dorme seu corpo físico. Não obstante, sua consciência atua então mais livremente com relação a qualquer questão de índole mental ou emocional, pelo fato de não estar entorpecida pela pesada matéria física, daí resolvê-la com maior facilidade. Também por um esforço de vontade realizado antes de entregar-se ao sono, pode focar sua atividade volitiva em qualquer pessoa, como força motora para encontrá-la e vê-la no mundo astral, com ela comunicando-se livremente.

Da força de sua vontade e da receptividade de seu cérebro físico dependerá o poder de impressionar ou não, de recordar ou não, quando desperto, o que ocorreu no mundo astral. Se o recorda dirá que sonhou.

Quem deseje exercitar esta linha de memória deve dispor de papel e lápis colocando-os junto à cama para escrever imediatamente o que recordar, antes de despertar completamente, pois que as recordações vívidas no momento de abrir os olhos desaparecem ao cabo de alguns minutos. No mundo astral o homem pode receber ensinamentos que se vão infiltrando pouco a pouco na mente sem recordação alguma das circunstâncias em que os recebe."

(Annie Besant - A Vida do Homem em Três Mundos - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 70/71)

quinta-feira, 14 de maio de 2020

CORPOS INFANTIS

Erotização infantil pode afetar desenvolvimento das crianças ..."Os corpos infantis são muito sensíveis às influências suprafísicas, e durante os primeiros anos de sua vida nos mundos inferiores o homem pode modificá-los notavelmente, sobretudo o astral e físico na primeira infância. Na generalidade das crianças não está o homem verdadeiro ou ego em íntimo contato com seus corpos até os sete anos de idade, e a frequente observação de que raras vezes se manifesta o raciocínio mental antes da referida idade conduziu à crença de que a educação das crianças não deve começar antes dos sete anos. 

De fato, durante a primeira infância está o ego revestindo-se de seus corpos inferiores e sua consciência não toma plena posse deles antes do sétimo ano de vida terrena. Notáveis alterações vão se efetuando no cérebro físico. As células ou neuromas que têm de servir de órgãos à faculdade raciocinal, lançam umas raízes chamadas 'dentritas', as quais formam uma rede, e se atraem por seus extremos sem se tocarem, porém constituindo condutos de franca comunicação intercelular. O desenvolvimento das 'dentritas' está estimulado pelo enlace das sensações da criança com os objetos externos que as produzem, e pela recordação deste enlace. A criança sente fome e o corpo reclama alimento. A mãe lhe acalma a fome dando-lhe de mamar; e depois de muitas experiências, a criança relaciona a presença de uma mulher com a sensação da fome e da sua inquietude, até que por último relaciona esta sensação com a presença de uma mulher determinada, sua mãe, a quem reconhece então e prefere às demais mulheres. O mundo da criança está constituído por aparições e desaparições, presenças e ausências, igualmente incompreensíveis para ela, que vão e vêm sem fixidez. Não pode segui-las; porém, ao cabo de muitas experiências, reconhece que, embora não as podendo ver, pode invocar a aparição do objeto desejado em seu limitado mundo por meio do pranto, estabelecendo assim outra relação entre si mesma e o estranho mundo exterior. Por haver tido análogas experiências em muitas vidas precedentes, o ego utiliza seu infantil corpo físico com alguma habilidade e ajuda-o a estabelecer mui rapidamente suas primeiras relações; porém as crianças diferem muito no que as mães e as preceptoras chamam 'fazer caso' de algo, pois isto depende em grande parte da idade do ego e da classe de corpo que lhe foi determinado como mais apropriado para extinguir seu karma em períodos. O estabelecimento da relação entre a consciência operante no corpo infantil e os objetos externos é a base de todo pensamento. Uma sensação e o reconhecimento do objeto externo relacionado com ela, já lhe preceda, já lhe siga, pode considerar como alfabeto do pensamento.

O resultado prático disto na educação da criança é que se lhe deve induzir a observar, chamando-lhe a atenção o enlace entre suas sensações e os objetos, para o qual deve exercitar sua memória. Durante a infância os sentidos são mais agudos e convém aproveitar esta vantagem para educá-lo. Entretanto, não se lhe deve incitar o raciocínio, no significado lógico desta palavra, porque seu cérebro não está apto, todavia, para este esforço, e os educadores ignorantes classificam de distração ou estupidez a natural incapacidade de inferir uma conclusão geral de observações similares. Não é distração nem estupidez, e sim prematuridade física." 

(Annie Besant - A Vida do Homem em Três Mundos - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 49/51)

segunda-feira, 23 de abril de 2018

DEVEMOS MORRER PARA TODAS AS NOSSAS EMOÇÕES

"O que entendemos por emoção? É uma sensação, uma reação, uma resposta dos sentidos? O ódio, a devoção, o sentimento de amor ou a solidariedade por outra pessoa - todos são emoções. Alguns, como o amor e a solidariedade, chamamos de positivos; já outros, como o ódio, chamamos de negativos e queremos nos livrar deles. O amor é o oposto do ódio? É uma emoção, uma sensação, um feeling que é prolongado através da memória?

...Então, o que entendemos por amor? Certamente, o amor não é memória. É muito difícil entender isso, porque para a maioria de nós o amor é, sim, memória. Quando você diz que ama o seu cônjuge, o que quer dizer com isso? Você ama aquilo que lhe dá prazer? Você ama aquilo com que se identificou e que reconhece como pertencente a você? Por favor, isso são fatos. Não estou inventando nada, por isso não fique horrorizado.

...É a imagem, o símbolo do cônjuge que amamos (ou achamos que amamos), não o próprio indivíduo. Eu absolutamente não conheço o meu cônjuge; e nunca poderei conhecer essa pessoa enquanto 'conhecer' significar 'reconhecimento'. Porque o reconhecimento é baseado na memória - a memória do prazer e do sofrimento, a memória das coisas pelas quais tenho vivido, agonizado, as coisas que possuo e às quais sou ligado. Como posso amar quando existe medo, mágoa, solidão, a sombra do desespero? Como um homem ambicioso pode amar? E somos todos muito ambiciosos, embora de forma honrosa.

Portanto, para descobrir realmente o que é o amor, precisamos morrer para o passado, para todas as emoções - o bom e o ruim. Morrer sem esforço, como morreríamos para uma coisa venenosa, porque a entendemos."

(Krishnamurti - O Livro da Vida - Ed. Planeta do Brasil Ltda., São Paulo, 2016 - p. 151


sexta-feira, 30 de março de 2018

NOSSA NATUREZA É ILIMITADA (1ª PARTE)

"Ser o novo dia significa viver sempre no presente, não no passado com suas memórias, ou no futuro, com suas expectativas e temores, que são reflexos de experiências passadas. A cada dia, a cada momento, novas praias acenam para serem descobertas. Atrás de cada horizonte outros horizontes estão ocultos.

Cada um deve descobrir isso sozinho, à sua própria maneira. Dizem que existem tantos caminhos quantos são os homens.

Um belo dia, a imagem mental que a princípio nos satisfez passa a não mais nos satisfazer. Ela nos aborrece, parece muito estreita. Precisamos desistir dela. A casinha perfeita que construímos e mobiliamos em pensamento, onde tudo tinha seu lugar, tornou-se pequena demais para nós; devemos abandoná-la. Assim, vivemos durante um certo tempo na incerteza, até que construímos uma casa maior que mais uma vez satisfaça nossa mente, até que ela também se torna pequena demais para nós.

Assim seguimos em frente, de casa em casa, de praia em praia, de horizonte em horizonte, de uma imagem de vida para outra, até que compreendemos que nenhum quadro mental, nenhum sistema, nenhuma forma consegue nos satisfazer. Somente o sem forma, que é a fonte de todas as formas possíveis, pode ser o nosso verdadeiro lar, pois o sem forma é ilimitado e nossa verdadeira natureza também é ilimitada, porque contém todas as possibilidades.

Assim, finalmente surge a aurora, mostrando não mais as velhas praias, mas lugares verdadeiramente novos, que estão sempre além - além da mente. (...)"

(Mary Anderson - Para alcançar um novo dia - Revista Sophia, Ano 7, nº 26 - p. 28)


domingo, 4 de março de 2018

FELICIDADE NÃO É SENSAÇÃO

"A mente nunca consegue encontrar a felicidade. A felicidade não é uma coisa a ser buscada e encontrada, como a sensação. A sensação pode ser encontrada repetidas vezes, pois ela nunca fica perdida. A felicidade lembrada é apenas uma sensação, uma reação pró ou contra o presente. O que está acabado não é felicidade: a experiência da felicidade que está acabada é sensação. Felicidade não é sensação.

O que você conhece é o passado, não o presente. E o passado é sensação, reação, memória. Você se lembra de que foi feliz, mas o passado consegue dizer o que é a felicidade? Ele consegue lembrar, mas não consegue ser. Reconhecimento não é felicidade, saber o que é ser feliz não é felicidade. O reconhecimento de, saber o que é ser feliz não é felicidade. O reconhecimento é a resposta da memória. Afinal, a mente, o complexo de lembranças, experiências, pode ser feliz? O próprio reconhecimento impede a experiência.

Quando há consciência de que é ser feliz, há felicidade? Quando há felicidade, você tem consciência dela? A consciência só chega com o conflito - o conflito da lembrança de mais. A felicidade não é a lembrança de mais. Onde há conflito, não há felicidade. O conflito está onde a mente está. O pensamento, em todos os níveis, é a resposta da memória; e um pensamento, invariavelmente, gera conflito. Pensamento é sensação, e sensação não é felicidade. As sensações estão sempre em busca de gratificações. O fim é sensação, mas a felicidade não é um fim, ela não pode ser buscada."

(Krishnamurti - O Livro da Vida - Ed. Planeta do Brasil Ltda., São Paulo, 2016 - p. 215)


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

VERDADE (1ª PARTE)

"Abandonaremos agora o microcosmo, portanto o homem com seus corpos terreno, astral a mental, a passaremos a tratar de outras questões, cuja solução também preocupa o futuro iniciado. Um desses problemas é sobretudo o problema da, verdade. Inúmeros filósofos já se ocuparam a ainda se ocupam, e a nós também cabe essa tarefa.

Consideraremos aqui só aquelas verdades cujo conhecimento exato somos obrigados a dominar. A verdade depende do reconhecimento de cada um, a como não temos todos a mesma concepção das coisas, também não podemos generalizar essa questão. É por isso que cada um de nós, se for sincero, possui a sua própria verdade de acordo com o seu grau de maturidade e a sua concepção das coisas. Só aquele que domina a conhece as leis absolutas do macro a do microcosmo pode falar de uma verdade absoluta. Certos aspectos da verdade absoluta com certeza serão reconhecidos por todos. 

Ninguém duvidará da existência de uma vida, uma vontade, uma memória a uma razão; ninguém contestará tais coisas tão evidentes. Nenhum verdadeiro iniciado forçará alguém que não está suficientemente maduro a aceitar a sua verdade, pois a pessoa em questão só passaria a encará-la de seu próprio ponto de vista. É por isso que seria inútil conversar sobre as verdades supremas com os não iniciados, a menos que se tratem de pessoas que desejam muito conhecê-las, a que portanto estão começando a amadurecer para elas. Todo o resto seria profanação, a incorreto do ponto de vista mágico. Lembrem-se das palavras do grande mestre do cristianismo: 'Não joguem pérolas aos porcos!' 

À verdade pertence também a distinção correta entre a capacidade, o conhecimento e a sabedoria. Em todos os campos da existência humana o conhecimento depende da maturidade, da capacidade de assimilação da memória, da razão a da inteligência, sem considerar se esse conhecimento foi enriquecido através da leitura, da comunicação ou de outro tipo qualquer de experiência. (...)"

(Franz Bardon - Iniciação ao Hermetismo - p. 31/32)


terça-feira, 17 de outubro de 2017

O PENSADOR PRECISA ENTENDER A SI MESMO (2ª PARTE)

"(...) Os pensamentos são o próprio pensador; eles não estão separados. O pensador se separou dos pensamentos para se proteger; assim, pode modificar os pensamentos de acordo com as circunstâncias, mantendo-se afastado. Esse é um dos truques da mente: separar o pensador dos pensamentos para se dedicar a transformá-los.

Tudo isso é um engano, uma ilusão, um jeito esperto do pensador se proteger, como que para assegurar sua própria permanência, enquanto os pensamentos são impermanentes. Assim, o ego se perpetua. Mas o 'eu' não é permanente, seja o eu inferior ou o eu superior. Ambos ainda estão dentro do campo da memória e do tempo.

A razão para dar tanta importância à psicologia é o fato da mente ser a causa de todas as ações. Sem compreender isso, não há sentido em fazer reformas, desperdiçar o tempo, pôr ordem em ações superficiais. Temos agido assim por muitas gerações, mas só produzimos confusão, loucura e miséria no mundo. 

Por isso, temos que ir até a raiz de todos os problemas da existência e da consciência: o eu, o pensador. Sem compreender o pensador e suas atividades, reformas sociais superficiais não têm significado - não para o homem verdadeiramente sério e zeloso. É importante que cada um de nós descubra isso - seja no plano superficial, no exterior, ou no plano fundamental e interno. (...)"

(J. Krishnamurti - O pensador precisa entender a si mesmo - Revista Sophia, Ano 2, nº 7 - p. 24/25)


terça-feira, 10 de outubro de 2017

TEMPO E TRANSFORMAÇÃO (1ª PARTE)

"Desejo falar um pouco a respeito do tempo, porque acredito que a riqueza, a beleza e significação daquilo que é atemporal, daquilo que é verdadeiro, só podem ser experimentadas quando compreendemos integralmente o processo do tempo. Afinal de contas, estamos buscando, cada um à sua maneira, um sentimento de felicidade, de enriquecimento. Ora, uma vida que tem significado, que tem as riquezas da verdadeira felicidade, não está em relação com o tempo. Qual o amor, essa vida é atemporal e para compreendermos o que é atemporal, não devemos considerá-lo através do tempo, porém antes, compreender o tempo. Não devemos utilizar o tempo como meio de alcançar, compreender, apreender o atemporal. No entanto, é o que estamos fazendo, na maior parte da nossa vida: consumindo tempo, procurando aprender o que é atemporal - e por isso é importante compreender o que se entende por 'tempo', pois creio que é possível ser livre do tempo. É importantíssimo compreender o tempo como um todo e não por partes.

É interessante compreender que quase toda nossa vida se consome no tempo - tempo, não no sentido de sequência cronológica de minutos, horas, dias e anos, mas no sentido de memória psicológica. Vivemos pelo tempo, somos resultado do tempo. Nossas mentes são o produto de muitos dias passados, e o presente é apenas a passagem do passado para o futuro. Nossas mentes, nossas atividades, nosso ser, fundam-se no tempo. Sem o tempo, não podemos pensar, porque o pensamento é resultado do tempo, o produto de muitos dias passados, e não há pensamento sem memória. Memória é tempo, pois há duas espécies de tempo: o cronológico e o psicológico. Há o tempo, o ontem do relógio, e o ontem da memória. Não se pode rejeitar o tempo cronológico, pois seria absurdo: poderiamos perder o trem. Existirá realmente tempo, fora do tempo cronológico? É claro que há o tempo, o ontem, mas existe o tempo tal como a mente o concebe? Existe tempo, separado da mente? Não há dúvida que o tempo, o tempo psicológico é produto da mente. Sem a base do pensamento, não existe o tempo - sendo 'tempo' apenas a memória do dia de ontem em conjunção com o de hoje, moldando o amanhã. Quer dizer, a memória da experiência de ontem, em reação ao presente, está criando o futuro - o que constitui ainda um processo de pensamento, uma senda da mente. O processo de pensamento determina progresso psicológico no tempo, mas esse tempo será real, tão real como o tempo cronológico? Podemos utilizar esse tempo produzido pela mente, como meio de compreender o eterno, o atemporal? Como disse, a felicidade não é produto de ontem, a felicidade não é produto do tempo, a felicidade está sempre no presente, é um estado atemporal. Não sei se já notastes, que quando tendes um êxtase, uma alegria criadora - uma série de nuvens radiosas cercadas de nuvens negras - nesse momento não existe o tempo: só há o presente imediato. A mente, interferindo depois desse experimentar, do presente, lembra-se dele e deseja continuá-lo, acrescentando-se a si mesma, mais e mais, e criando assim o tempo. O tempo é criado pelo 'mais'; o tempo é aquisição e, também, renúncia, que é por sua vez uma aquisição da mente. Logo, disciplinar apenas a mente no tempo, condicionar o pensamento dentro da estrutura do tempo, que é memória, por certo não nos revela o que é atemporal. 

A transformação depende do tempo? Quase todos estamos acostumados a pensar que o tempo é necessário para a transformação: sou 'tal coisa', e para modificar o que sou e transformá-lo naquilo que deveria ser, é preciso tempo. Sou ambicioso, e dessa ambição resulta confusão, antagonismo, conflito, aflição. Para realizar a transformação, que é a não ambição, pensamos ser necessário o tempo. Isto é, consideramos o tempo como meio de evolvermos para algo superior, como meio de nos tornarmos alguma coisa. O problema é este: sou violento, ambicioso, invejoso, irascível, vicioso, ou apaixonado. Para transformar o que é, há necessidade de tempo? Em primeiro lugar, por que desejamos modificar o que é, efetuar uma transformação? Por quê? Porque o que é não nos satisfaz, o que é cria conflito, perturbações, e, como não gostamos desse estado, desejamos algo que seja melhor, mais nobre, mais idealístico. Assim, desejamos a transformação porque existe sofrimento, desconforto, conflito. O conflito pode ser dominado pelo tempo? Se dizeis que sim, continuais em conflito. Podemos dizer que bastarão vinte dias, ou vinte anos, para nos livrarmos do conflito, para modificarmos o que somos, mas durante esse tempo continuaremos em conflito, e por conseguinte, o tempo não efetua transformação alguma. Quando nos servimos do tempo como meio de adquirir uma qualidade, uma virtude, ou um 'estado de ser', estamos apenas adiando, estamos evitando o que é. Julgo importante compreender este ponto. A ambição, ou a violência, causam sofrimento e perturbações no mundo das nossas relações, que constituem a sociedade; cônscios deste estado de perturbação, que denominamos ambição ou violência, dizemos para nós mesmos: 'sairei dele com o tempo; praticarei a não violência, praticarei a não inveja; praticarei a paz'. Ora, desejais praticar a não violência, porque a violência é um estado de perturbação, de conflito, e pensais que com o tempo alcançareis a não violência e dominareis o conflito. Que está realmente acontecendo? Achando-vos em estado de conflito, desejais alcançar um estado em que não haja conflito. Ora, esse estado de não conflito é resultado do tempo, de uma duração? evidentemente não é; porque enquanto estais alcançando o estado de não violência, continuais violentos e, por conseguinte, em conflito. (...)"

(J. Krishnamurti - A Primeira e Última Liberdade - Ed. Cultrix, São Paulo - p. 111/114)
http://www.pensamento-cultrix.com.br/



terça-feira, 3 de outubro de 2017

INDIVÍDUO E PERSONALIDADE

"Distinguimos entre o fato simples de nossa própria consciência o sentimento de que 'Eu sou' e o pensamento completo de que 'Sou o senhor Tal' ou 'A Senhora Tal'

Crendo como cremos, numa série de nascimentos para o mesmo Ego, ou reencarnação; esta distinção é o eixo fundamental de toda a ideia. Vemos que 'Senhor Tal', significa, na verdade, uma grande série de experiências diárias, todas reunidas pela continuidade da memória, formando aquilo que o senhor Tal chama 'meu eu'. Porém nenhuma dessas 'Experiências' é, realmente, o 'Eu' ou 'Ego', nem produz no Senhor Tal a sensação de ser ele mesmo, posto que esquece a maior parte de suas experiências diárias e produz o sentimento de ipseidade tão somente enquanto dura. Nós, os teósofos, distinguimos portanto, entre este conjunto de 'Experiência' que chamamos a falsa personalidade - por ser tão fugaz e finita - e aquele elemento do homem ao qual se deve o sentimento do 'Eu sou eu'

Este 'Eu sou eu' é a verdadeira individualidade para nós e sustentamos que esse 'Ego' ou individualidade representa, como o autor nos palcos, muitos papéis no teatro da vida, consideramos cada nova vida do 'Ego' na Terra como uma representação distinta no palco de um teatro. Aparece o ator, ou 'Ego' uma noite como 'Macbeth', a seguinte como 'Shylock', a terceira como 'Romeu', a quarta como 'Hamlet' ou 'Rei Lear' e assim sucessivamente até que tenha percorrido todo o ciclo de encarnações. O Ego começa sua peregrinação vital em papéis muito secundários como aquele de um espectro, de um 'Ariel' ou um 'Duende', representa a seguir um papel coadjuvante: é um soldado, um criado, um corista; logo ascende a 'papéis falados'; desempenha papéis principais alternadamente com outros insignificantes, até que finalmente se despede da cena como 'Próspero', o mago."

(H. P. Blavatsky - A Doutrina Teosófica - Ed. Hemus, São Paulo - p. 47/48)


segunda-feira, 7 de agosto de 2017

ABSTINÊNCIA E COMPREENSÃO

"As abstinências devem ser praticadas por meio da percepção e compreensão da nossa conduta e das nossas motivações. A não falsidade representa, além da eliminação de toda espécie de dissimulação, a capacidade de ver as coisas como elas são, e não como nós as projetamos. Mehta afirma que as projeções surgem de um passado mal resolvido; as frustrações das experiências passadas se projetam em situações novas e nos impedem de viver livremente cada momento da vida.

Não roubar abrange todas as formas de imitação, ainda que sutis. Quando estamos insatisfeitos com o que temos ou somos, passamos a desejar ou a imitar a condição de outras pessoas. Esse comportamento vem do sentimento de estarmos psicologicamente incompletos. Quando não desejamos ter o que não é nosso ou ser o que não somos, experimentamos um estado de preenchimento psicológico, de satisfação pela vida.

A não indulgência representa o abandono da busca de prazer. Isso não significa negar o prazer, mas parar de correr atrás dele. O prazer do paladar, por exemplo, não é nenhum mal em si; entretanto, ficar o tempo inteiro pensando em comida é ruim, pois gera uma distorção na mente que a impede de viver o momento presente. A não indulgência é viver o prazer quando ele acontece, e depois esquecê-lo.

A não possessividade é o desapego de todos os tipos de objetos. Isso não significa ser um mendigo, mas possuir as coisas sabendo que elas são transitórias e amanhã podem não estar mais conosco. Por objetos entendemos não apenas os bens materiais, mas todas as nossas condições de vida, que podem mudar a qualquer momento. Viver em função de memórias de fatos passados também é uma espécie de apego; é ficar preso a um conteúdo da mente."

(Cristina Szynwelski - O yoga e a moral espiritual - Revista Sophia, Ano 2, nº 6 - p. 32)


segunda-feira, 3 de julho de 2017

APRENDIZADO CONSTANTE (1ª PARTE)

"O 'retorno' à vida terrena ocorre mais cedo para aqueles que criaram pouco karma psicológico e mais tardiamente para os mais espiritualizados, que precisam de tempo para assimilar todas as lições espirituais.

Também não é possível retornar à vida como um animal. Uma vez desenvolvida a autoconsciência, não podemos mais retroceder. Essa ideia surgiu de uma interpretação literal de figuras de linguagem, como era o caso de um índio norte-americano que falava em se tornar lobo, águia ou toupeira. Isso não queria dizer que ele se tornaria um desses animais, mas que seria tão esperto e dedicado à família quanto o lobo, com uma visão de alcance longo como a da águia, e tão próximo à terra quanto a toupeira, para sondar seus segredos. Seres humanos não podem voltar a ser animais, e animais não se transformam em seres humanos da noite para o dia, mas só após muito, muito tempo.

No entanto, mudanças psicológicas e físicas ocorrem o tempo todo. Nossos átomos estão constantemente transmigrando: sempre que acariciamos nossos animais de estimação, cheiramos uma rosa, ouvimos música ou pensamos num amigo, trocamos partículas de vida e força. Nossas almas também 'migram' continuamente de um estado de consciência para outro, do sono com sonhos para a percepção de vigília, do pensamento superficial para concentração profunda. E isso continua após a morte. Essas trocas podem ser benéficas ou danosas, dependendo da qualidade da energia. Sabendo disso, o sábio considera um dever pensar e viver tão gentilmente quanto possível.

Outra pergunta frequente é o que acontece àquilo que amamos e pelo qual trabalhamos. O que se perde quando morremos? A resposta é: nada. O conhecimento que obtemos e as habilidades que desenvolvemos permanecem no interlúdio pós-morte e desabrocham em vidas futuras com poder aumentado. Platão fez referência a isso ao dizer que todo conhecimento e sabedoria são memórias de existências prévias. À medida que essa sabedoria se desenvolve no presente, novas possibilidades são moldadas para expressar as características e necessidades de nossas condições internas e externas.

Shakespeare dizia a mesma coisa ao afirmar que um ator representa muitos papéis durante sua vida, identificando-se com eles. Assim como o ator sabe que está desempenhando papéis, nosso eu permanente também sabe, embora possa ser incapaz de transmitir esse conhecimento à 'máscara' ou personalidade temporária. (...)'

(Eloise Hart - Os mistérios da reencarnação - Revista Sophia, Ano 10, nº 39 - p. 30)

sábado, 1 de julho de 2017

OS MISTÉRIOS DA REENCARNAÇÃO

"A reencarnação intriga as pessoas. É como se suas almas soubessem algo que a mente não consegue entender. Quando pela primeira vez ouvi falar em reencarnação, vi que isso respondia perguntas desconcertantes: por que algumas crianças nascem na pobreza e outras têm tantas vantagens? Por que pessoas boas encontram tantas dificuldades? Como pode um Deus amoroso ser tão injusto? A morte será o fim absoluto? Céu e inferno são eternos? Aqueles que não creem estão condenados para sempre?

A ideia de que viveremos muitas vidas pôs fim aos meus pesadelos. A explicação de que somos o que somos por causa de pensamentos e ações passados convenceu-me de que havia justiça e propósito na vida. As situações em que as pessoas se encontram são oportunidades para crescer, desenvolver a compreensão e melhorar a vida. Henry Ford acreditava nisso: 'Quando descobri a reencarnação, foi como se encontrasse um plano universal, uma oportunidade de trabalhar minhas ideias. Eu não era escravo do relógio. Havia tempo suficiente para planejar e criar.'

Todos nós temos memórias de vidas passadas, embora vagas. Frequentemente sentimos que vivemos em determinado momento em alguma existência prévia. Mas isso não é o essencial; a essência da experiência é que é valiosa e permanece conosco.

O espírito dentro de cada indivíduo usa inúmeras almas e corpos para se expressar. Cada um desses corpos, almas e espíritos está buscando a evolução por meio de um processo de repetidas corporificações. Ao examinar os processos envolvidos, podemos perceber vários aspectos da reencarnação.

Como seres humanos, nossa consciência está centrada em nosso ego encarnante, que é o veículo de expressão de nossos eus divinos e espirituais. As três partes de nossa constituição - o corpo, feito de componentes astrais-vitais-físicos; a alma, com elementos mentais e emocionais; e o espírito imortal - trabalham e evoluem juntos durante nossa estadia na Terra. Essa evolução consiste, atualmente, em refinar pensamentos e sentimentos para melhor expressar as qualidades espirituais de compaixão, inteligência, imaginação e força de vontade. Considerando isso, começamos a entender como cada vida é importante, como as lições que aprendemos e o bem que fazemos contribuem para o progresso de cada parte de nós mesmos."

(Eloise Hart - Os mistérios da reencarnação - Revista Sophia, Ano 10, nº 39 - p. 27/28)
www.revistasophia.com.br


quinta-feira, 1 de junho de 2017

NÃO SE OCUPE DO PASSADO

"Nunca se ocupe do passado. Quando a aflição o dominar, não rememore fatos similares em sua experiência de outrora, vindo assim a intensificá-la. Em vez disso, lembre-se daqueles incidentes quando a aflição não lhe bateu à porta e você foi feliz. Tire consolação de tais memórias, e se levante acima das águas crescentes do sofrimento. Dizem que as mulheres são fracas porque, mais facilmente que os homens, se rendem à raiva e à tristeza. Assim, a elas eu pediria que façam esforços extras para chegarem a vencê-las. Repetir o Nome de Deus e pensar em Sua Forma é o melhor antídoto.

Não faltam livros que lhes digam como se libertar da aflição. A Bhagavad Gita está em todas as línguas e a muito baixo custo o exemplar. O Bhavata e o Ramayana e todos os demais livros são vendidos aos milhares a cada dia, mas nada há que indique que eles tenham sido estudados e muito menos assimilados. O hálito na boca pode dar uma leve indicação sobre o alimento que foi consumido. Não é? Os hábitos, a conduta e o caráter dos leitores de tais livros, porém, não têm denotado quaisquer mudanças para melhor. O egoísmo e a ambição ainda estão desenfreados. O ódio não foi reduzido, e a inveja devora a vitalidade dos homens."

(Sathya Sai Baba - Sadhana, O Caminho Interios - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1993 - p. 173)


quarta-feira, 5 de abril de 2017

PORQUE NOSSAS VIDAS PASSADAS SÃO ESQUECIDAS (2ª PARTE)

"(...) Quando uma filosofia ou uma ciência são rapidamente apreendidas e aplicadas, quando uma arte é dominada sem estudo, aí está a força da memória, embora os fatos passados do aprendizado tenham sido esquecidos. Conforme disse Platão, trata-se de uma reminiscência. Quando, ao primeiro encontro, nos sentimos íntimos de uma pessoa estranha, aí está a memória, o reconhecimento, pelo espírito, de um amigo de tempos passados; quando recuamos, com forte repulsa, diante de outro estranho, a memória também está aí, no reconhecimento, pelo espírito, de um antigo inimigo.

Essas afinidades, esses avisos, vêm da imperecível inteligência espiritual, que é o nosso ser; nós nos lembramos, embora, trabalhando com o cérebro, não possamos fixar nele a nossa lembrança. O corpo mental e o cérebro são novos; o espírito fornece à mente os resultados, sem a lembrança dos acontecimentos a ele referentes. Tal como um negociante que, ao fechar o 'razão' do ano e ao abrir um novo livro, não anota todos os itens do antigo e, sim, somente os seus balanços, o espírito entrega ao novo cérebro seus julgamentos e experiências de uma vida que foi encerrada, as conclusões que obteve, as decisões a que chegou. Trata-se de um suprimento novo entregue à nova vida, o fornecimento mental para a nova morada — uma verdadeira memória.

Rica e variada é essa memória no homem altamente desenvolvido. A comparar-se com a daquele que possui uma alma jovem, o valor dessa memória de um longo passado faz-se patente. Não há cérebro capaz de armazenar a memória dos acontecimentos de numerosas vidas; quando elas se concretizam em julgamentos mentais e morais, estão prontas para serem usadas. Centenas de assassinos foram levados à decisão que diz: 'Não devo matar!' A lembrança de cada assassinato seria uma carga inútil, mas o julgamento baseado em seus resultados, o instinto de santidade da vida humana, é a verdadeira memória deles, no homem civilizado. 

Às vezes, contudo, verifica-se a lembrança de acontecimentos passados. Crianças têm, ocasionalmente, relances de sua vida pretérita, evocados por algum evento do presente. Um menino inglês, que havia sido escultor, recordou isso quando viu algumas estátuas pela primeira vez. Uma criança hindu reconheceu o arroio no qual se afogara, quando pequenina, na vida precedente, e reconheceu, igualmente, a mãe daquele pequenino que se fora. Muitos casos têm sido registrados de tais lembranças de acontecimentos passados.(...)"

(Annie Besant - O Enigma da Vida - Ed. Pensamento

terça-feira, 4 de abril de 2017

PORQUE NOSSAS VIDAS PASSADAS SÃO ESQUECIDAS (1ª PARTE)

"Não há pergunta que se ouça com mais frequência, quando se fala em Reencarnação, do que esta: 'Se estivemos aqui antes, por que não nos lembramos disso?' Uma pequena consideração dos fatos responderá a essa pergunta.

Antes de mais nada, notemos o fato de que esquecemos mais sobre a nossa vida presente do que lembramos. Muitas pessoas não são capazes de lembrar como aprenderam a ler: contudo, o fato de lerem, prova esse aprendizado. Incidentes da infância apagaram-se da memória, mas deixaram traços em nossa personalidade. Uma queda, na primeira infância, é esquecida, mas nem por isso a vítima deixa de ser um aleijado, embora usando o mesmo corpo no qual os acontecimentos esquecidos se passaram.

Esses acontecimentos, entretanto, não são totalmente perdidos para nós. Se uma pessoa cair em transe mesmérico, eles podem ser tirados do fundo da memória. Submergiram, mas não foram destruídos. Doentes tomados pela febre, é sabido, usam no delírio uma língua conhecida na infância e esquecida na maturidade. Muito da nossa subconsciência consiste nessas experiências submersas, memórias atiradas a um segundo plano, mas recuperáveis. 

Se isso acontece com experiências ocorridas no corpo atual, não deve o fato ser muito mais verdadeiro com experiências ocorridas em corpos passados, corpos que morreram e se desintegraram há muitos séculos? Nosso corpo e nosso cérebro atual não compartilharam esses eventos pretéritos. Como poderia a memória afirmar-se através deles? Nosso corpo permanente, o que fica conosco através do ciclo de reencarnações, é o corpo espiritual. Os nossos revestimentos inferiores tombam e retornam aos seus elementos, antes que sejamos reencarnados. 

A nova matéria mental, astral e física, da qual somos revestidos para uma nova vida na Terra, recebe da inteligência espiritual, expressa apenas no corpo espiritual, não as experiências do passado, mas as qualidades, tendências e possibilidades que se formaram a partir dessas experiências. Nossa consciência, nossa resposta instintiva aos apelos emocionais e intelectuais, ou o reconhecimento da força de um argumento lógico, nossa aprovação dos princípios fundamentais do certo e do errado são traços de nossas experiências anteriores. Um homem de tipo intelectual inferior não pode 'ver' uma prova lógica ou matemática; um homem de tipo inferior, quanto à moral, não pode 'sentir' a força impulsionadora de um ideal moral elevado. (...)

(Annie Besant - O Enigma da Vida - Ed. Pensamento
fonte: http://universalismoesoterico.blogspot.com.br/


quinta-feira, 9 de março de 2017

OS CORPOS IMORTAIS DO HOMEM (PARTE FINAL)

"(...) O corpo superespiritual (átmico) é apenas um átomo desse mundo elevado, a mais fina película de matéria, encarnação do Espírito, 'Deus feito carne', num sentido muito real, divindade mergulhando no oceano da matéria, não menos divina por estar encarnada. Aos poucos, para esse corpo superespiritual passará o resultado puro de todas as experiências armazenadas durante a eternidade, e os dois corpos imortais inferiores irão aos poucos imergindo nele, misturando-se com ele, nas gloriosas vestes de um homem conscientemente divino, que se tornou perfeito.

O corpo espiritual (búdico) pertence ao segundo mundo manifestado, o mundo da pura sabedoria espiritual, do conhecimento e do amor reunidos, às vezes chamado o 'corpo de Cristo', pois ele nasce para a atividade na primeira grande Iniciação e se desenvolve até 'a plenitude da medida da estatura do Cristo' no Caminho da Santidade. Ele é alimentado com todas as aspirações elevadas e amorosas, pela pura compaixão e pela ternura e piedade que tudo envolvem.

O corpo intelectual (causal) é a mente superior, pela qual o homem lida com abstrações, com o que é 'da natureza do conhecimento', no qual ele conhece a verdade por intuição, não pelo raciocínio, pedindo por empréstimo à sua mente inferior métodos de raciocínio, apenas para estabelecer no mundo inferior verdades que ele conhece diretamente. Nesse corpo, o homem é chamado de Ego, e começa a compreender sua própria divindade. Ele se alimenta e se desenvolve com o pensamento abstrato, pela meditação tenaz, pela serenidade, pela submissão do intelecto ao serviço. Por natureza, ele é independente, pois é um instrumento de individualização, e deve crescer forte e se bastar a si mesmo, a fim de dar a necessária estabilidade ao sutil corpo espiritual com que está mesclado.

Esses são os corpos imortais do homem, não sujeitos ao nascimento nem à morte; eles é que proporcionam a memória contínua, que é a essência da individualidade; eles são a casa do tesouro de tudo quanto merece a imortalidade. Neles não pode entrar 'nada do que macule'. Eles são o eterno lugar de morada do Espírito. Neles está realizada a promessa: 'Eu morarei neles e caminharei neles.' Eles fazem da prece do Cristo uma realidade: 'Que eles também possam ser um em Nós.' Eles confirmam o grito triunfante do hindu: 'Eu sou Tu.'"

(Annie Besant - O Enigma da Vida - Ed. Pensamento
fonte: http://universalismoesoterico.blogspot.com.br/


terça-feira, 7 de março de 2017

OS RÓTULOS E A ESSÊNCIA (PARTE FINAL)

"(...) Numa dependência mais 'elevada', o rótulo de guru pode cair bem. Aparentemente tudo reflete a desgraça da memória. Contudo, o problema não está nela, mas sim na sede de segurança vinculada ao ego, o 'eu psicológico', do querer sempre mais. Enquanto ele se enriquece com a memória e seus agregados, a consciência se empobrece. Por isso os candidatos a ingresso nos mosteiros devem renunciar aos bens materiais e ao nome mundano.

Paradoxalmente, porém, segundo Eckart Tolle, 'há indivíduos que abrem mão de todas as posses, no entanto têm um ego maior do que alguns milionários'. Isso sucede porque 'se deixarmos de lado um tipo de identificação, o ego logo encontrará outro. No fim das contas, não importa ao que ele se apega, desde que nisso haja uma identidade' (O despertar de uma nova consciência, Ed. Sextante).

'Você quer saber como se livrar do apego às coisas?', pergunta Tolle. 'Nem tente fazer isso. É impossível. Esse vínculo desaparece por si mesmo quando paramos de tentar nos encontrar nas coisas. Nesse meio-tempo, simplesmente tenha consciência de que está ligado a elas'. Isso já faz diferença. 'Caso esteja consciente de que está identificado com algo, a identificação não é mais total'. A consciência abre caminho para a consciência.

E ego e a consciência parecem andar em pistas paralelas, sem nunca se encontrar. Às vezes, porém (como na ocorrência de uma perda) relâmpagos de comunicação se fazem entre as duas pistas. A 'ficha cai' e nos perguntamos: 'Como não percebi isso antes?' Então uma fração do eu psicológico se espiritualiza, se converte em consciência.

Dia virá em que essas duas entidades se fundirão, liberando o Cristo interno de sua cruz milenar, de sua prisão à ilusão dos títulos e posses. Ele nascerá na manjedoura de nosso corpo, que sintetiza os reinos de vida anteriores. Seremos então apenas consciência." 

(Walter Barbosa - Os rótulos e a essência - Revista Sophia, Ano 7, nº 28 - p. 18/19)