OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


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terça-feira, 14 de setembro de 2021

LEVE DEUS A SÉRIO, NÃO A VIDA

"A vida está repleta de tragédias e comédias, um caleidoscópio de variedade infinita. Não há duas coisas iguais. A vida de cada um é singular. Cada pessoa tem um diferente tipo de rosto, de mente e de desejos. Seria monótono passar exatamente pelas mesmas experiências todos os dias; logo nos cansaríamos da vida. Se o próprio céu fosse o mesmo todos os dias, ninguém o quereria. Gostamos de variedade. A ideia estereotipada que se faz do céu está totalmente errada. Se fosse monótono, todos os santos rezariam para voltar à terra, em busca de uma pequena mudança! O céu é algo infinitamente variado, sempre agradavelmente novo, enquanto a terra costuma ser desagradavelmente nova!

Contudo, apesar das dificuldades da vida, a maioria das pessoas acostuma-se e supõe que não há outro modo de viver. Não podendo compará-la com a vida espiritual, não avaliam a dor e o tédio que existem na vida terrena.

Efetivamente, a vida não é real; é apenas um entretenimento. Assim como velhos filmes são reprisados várias vezes, basicamente os mesmos velhos incidentes ocorrem e voltam a ocorrer na vida. Embora a vida vá prosseguir eternamente, os mesmos temas retratados em filmes antigos serão representados de novo, vezes sem conta. É verdade que a história se repete. Somos todos peças de museu!

Em sua vida, aconteça o que acontecer, aceite tudo alegremente, impessoalmente, como se assistisse a um filme. A vida é divertida quando não a levamos a sério. Uma boa risada é um excelente remédio para os males humanos. Uma das melhores características do povo americano é sua capacidade de rir. Ser capaz de rir da vida é maravilhoso. Isso o meu mestre [Swami Sri Yukteswar] ensinou. No início do treinamento em seu eremitério, eu andava sempre com uma expressão solene; não sorria nunca. Um dia, o Mestre observou criticamente: 'O que é isso? Você está numa cerimônia fúnebre? Não sabe que encontrar Deus é o funeral de todas as tristezas? Então, por que está tão sombrio? Não leve esta vida muito a sério.' Ele me ensinou que é preciso estar mentalmente acima de todas as crucificações da experiência terrena, para encontrar a completa felicidade em Deus. 

Krishna ensinou: 'Sereno na ventura e na desventura, no ganho e na perda, no triunfo e no fracasso - assim deves enfrentar a batalha da vida! Desse modo, não adquirirás pecado.'³ Permanecer equânime, aconteça o que acontecer, é um dos melhores meios de vencer desejos ilusórios. Isso aprendi pelo exemplo do meu grande mestre - imutável até o fim. Cristo também demonstrou esse espírito. E o amor de Deus não lhe foi tirado; apesar de torturado. Jesus não perdeu a consciência divina. A proteção de Deus à nossa paz e alegria é a maior fortaleza possível. Durante todas as privações e sofrimentos, lembre-se das coisas boas que Deus lhe deu. Sua alma é o tempo celestial de Deus. As trevas da ignorância e das limitações mortais precisam ser expulsas desse templo. É maravilhoso estar na consciência da alma- fortalecido, robusto!

Nada tema. Não odiar, oferecer amor a todos, sentir o amor de Deus, ver a presença Dele em todos e ter apenas um desejo - o desejo de Sua constante presença no templo da consciência -, este é o modo de viver neste mundo. Os que tiverem outros desejos não conhecerão a verdadeira satisfação."

³ Bhagavad Gita II.38.

(Paramahansa Yogananda - A Eterna Busca do Homem - Self-Realization Fellowship - p. 126/128)


terça-feira, 17 de dezembro de 2019

DESCONTRAÇÃO MENTAL

Resultado de imagem para paisagem linda"A mente deve manifestar serenidade. Frente aos aborrecimentos e provocações do cotidiano, ela precisa ser como a água, que não retém nenhuma impressão das ondas em sua superfície.

Isso não é desculpa para a negligência nos negócios: ela tem de ser evitada tanto quanto a preocupação desnecessária que brota de um senso exagerado de responsabilidade. Lembre-se sempre de que, sem saúde, paz e felicidade, o sucesso material terá pouquíssimo valor para você. Que vantagem levará se ficar seriamente doente por causa de preocupações?

Portanto, livre-se delas. Mergulhe no silêncio absoluto todas as manhãs e todas as noites, calando os pensamentos durante vários minutos a cada vez. Em seguida, visualize algum incidente agradável em sua vida, fruindo mentalmente essa experiência até esquecer por completo as tribulações.

A descontração mental é a capacidade de desviar a atenção voluntariamente das preocupações com os problemas de ontem e de hoje, das responsabilidades constantes, do medo de acidentes, dos pensamentos aflitivos e dos apegos. O pleno domínio da descontração mental vem com a prática infatigável. Nós o alcançamos calando voluntariamente todos os pensamentos e mantendo a atenção fixa na paz e na alegria interiores."

(Paramhansa Yogananda - Como Ter Coragem, Serenidade e Confiança - Ed. Pensamento, São Paulo, 2014 - p. 56/57)


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

SÊ CALMO E PROCURA A VERDADE

"A calma é a essência da meditação e a antítese do medo. Não podemos relaxar e ficar em paz em nosso coração - não podemos nos abrir para o influxo do amor - quando nossa mente está perturbada e irrequieta. No âmago da tradição judeu-cristã encontramos a clara expressão do valor e necessidade da calma. Reza o Salmo 4: 'Falai com o vosso coração sobre a vossa calma e aquietai-vos'. E o Salmo 46 nos dá esta firme instrução: 'Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus'.

No Salmo 107, ouvimos: 'Então se alegram com a bonaça; e ele assim os leva ao porto desejado'. Em Isaías, aprendemos: 'Pelo arrependimento e o repouso sereis salvos; na quietude e confiança reside a vossa força. ... Até quando vos dominará a tribulação? Recuai... descansai, ficai serenos'. Eis a tradição meditativa que alimentou Jesus em sua meninice e, seguramente, ao longo de todo o seu despertar espiritual.

Em plena quietude meditativa, começamos a perceber diretamente a verdade da vida e a realizar o que Jesus nos ensinou como seu mais vigoroso imperativo em termos de meditação: 'Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará'. Obviamente, a verdade que encontramos no ato de meditar é que Deus é amor - que existe uma presença espiritual nuclear em nossa vida passível de conhecimento direto quando focalizamos o coração e nos abrimos para o influxo amoroso.

Saímos do estado de medo ao aprender a estar serenos; uma vez serenos, acabamos por conhecer a verdade; e harmonizados com a realidade profunda da vida, descobrimos a força original do amor que nos anima e nos vincula diretamente ao Inominável infinito."

(John Selby - Sete Mestres, Um Caminho - Ed. Pensamento-Cultrix Ltda., São Paulo, 2004 - p. 116/117)


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

AÇÕES QUE PODEM TORNAR A DISCIPLINA VITORIOSA

"A morte acoça seus passos como um tigre no mato. Assim, sem maiores delongas, esmere-se em descartar a preguiça e o rancor; fique sereno, mesmo dentro das tempestades; associe-se com pessoas tranquilas. Deixe que a fragrante fumaça dos pensamentos divinos, repletos de amor, cresça à sua volta.

Abrande seu coração. Depois disso, a vitória da disciplina é rápida. Fale brandamente. Fale só de Deus. Este é o processo de amaciar o 'subsolo'. Aumente a compaixão e a simpatia. Engaje-se em serviço, na compreensão da agonia, da pobreza, da doença, do sofrimento e do desespero. Compartilhe tanto lágrimas como boa disposição. Tal é a senda para enternecer o coração e tornar a disciplina (sadhana) bem-sucedida. 

Há ferro; há também o imã. Este atrairá aquele para si. Tal é o destino dos dois. Mas, estando o ferro recoberto de ferrugem, a 'graça' (do imã) não pode operar tanto quanto necessário a atrair o ferro. A obsessão erótica age, sem dúvida, como a ferrugem. Atua como dust (pó), que provoca rust (ferrugem). Esta, por fim, fraturará o próprio ferro, e transformar-lhe-á a própria natureza inata. (...)"

(Sathya Sai Baba - Sadhana, O Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1993 - p. 175/176)


sábado, 26 de agosto de 2017

NUNCA FIQUE MENTALMENTE AGITADO

"O treinamento que recebi de meu mestre, Sri Yukteswar, foi maravilhoso nesse sentido. Acontecesse o que acontecesse, ele não aceitava desculpas quando eu ficava mentalmente agitado. Eu costumava ir ao ashram e sentar-me a seus pés, para meditar e ouvir sua sabedoria. Quando chegava perto da hora do trem que me levaria de volta para casa, ele percebia meu desassossego e apenas sorria, sem me dar licença de partir. No começo, eu não achava aquilo razoável. Mas, depois de um período um tanto quanto tenso dessa disciplina, ele explicou: 'Não vejo com má vontade o fato de você aprontar-se a tempo para ir para a estação; mas digo que não há necessidade de ficar inquieto. Por que permitir que a agitação nervosa perturbe sua mente? Quando estiver comigo, esteja naturalmente calmo, e quando a hora do trem chegar, prepare-se calmamente para sair.' Ele me fez perder vários trens até que eu aprendesse a ser calmamente ativo e ativamente calmo.

É isso mesmo que você também precisa aprender. Em vez de correr em estado de agitação emocional para chegar a algum lugar e, uma vez lá, nada aproveitar por estar inquieto, procure ser mais calmo. Não existe justificativa para a agitação interior. Se você estiver sempre calmo, será também mais eficiente. E se quiser despertar deste mundo de sonho cósmico, precisa agir com serenidade- independentemente do que aconteça. Assim que a mente se inquietar, golpeie-a com a vontade e ordene que se acalme. Não faça tempestade em copo d'água por coisa alguma. Lembre-se: sempre que se preocupa, você intensifica a ilusão cósmica em seu interior."

(Paramahansa Yogananda - O Romance com Deus - Self-Realization Fellowship - p. 29/30)


terça-feira, 8 de agosto de 2017

DISCIPLINA ESPIRITUAL

"'Pureza, contentamento, simplicidade, autoestudo e aspiração são as regras da observância' (sutra 32). A disciplina espiritual requer energia e um corpo saudável, mas o foco principal é a mente. Uma mente pura é livre de memórias, preocupações com o futuro e qualquer conteúdo não necessário à situação presente.

A disciplina mental é a vigilância necessária para manter a mente 'fresca' e serena, além, é claro, da meditação, que Patañjali indica em outros sutras. O sutra 40 lembra que a pureza requer um retiro, de tempos em tempos, para 'esvaziar a cabeça'.

Aceitação e contentamento não significam passividade nem resignação, mas ver as coisas como elas são e agir objetivamente. Passividade e resignação são associadas ao ressentimento, que prejudica a percepção e impede que se chegue a uma solução correta de problemas.

A simplicidade, ou austeridade, é o desapego ao supérfluo, não apenas em relação aos bens materiais, mas também à própria personalidade. Ser simples, nesse sentido, é ter a mente livre de complicações desnecessárias.

O autoestudo é a observação de nós mesmos, de forma honesta, sem máscaras ou justificativas que nos impeçam de ver nossas próprias motivações. A aspiração é a direção correta, que no yoga significa a união com Deus, a autorrealização, a iluminação.

As observâncias, assim como as abstinências, não são práticas isoladas. Só podemos saber se estamos na direção correta se nos observarmos. Só podemos nos observar corretamente se a nossa mente for simples. A mente só pode ser simples se há contentamento, isto é, se as coisas são vistas como são. Para ver as coisas como são é preciso que a mente seja pura, que não esteja sobrecarregada."

(Cristina Szynwelski - O yoga e a moral espiritual - Revista Sophia, Ano 2, nº 6 - p. 33)


sexta-feira, 7 de julho de 2017

FORTALEZA

"Você já reparou que um homem realmente forte é tranquilo, pacífico e pacificador?!

Já notou também que alguns raquíticos e fracos 'viram mesa e fecham bar'?

Já notou que aquele que é forte e tem confiança em si mesmo não sente qualquer necessidade de se mostrar, de posar de forte e valente, e por isto é sereno e mesmo muito bom?

O homem realmente forte não usa contra os outros sua força.

Não abusa de ninguém.

Chega mesmo a parecer medroso por não querer machucar os mais fracos.

Já o fracote... Como costuma ser abusado!

Sou forte, graças à Tua santa presença em mim."

(Hermógenes - Deus investe em você - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1995 - p. 74)


segunda-feira, 26 de junho de 2017

SABEDORIA NA PRÁTICA (PARTE FINAL)

"(...) Quando governo ou gerencio com efetividade, tenho como objetivo a melhoria na qualidade de vida das pessoas em primeiro lugar. Isso, no entanto, começa comigo. Estar bem comigo mesmo é condição para ser capaz de gerenciar com eficiência e qualidade. Não quero que as pessoas se impressionem com minhas palavras, quero estar satisfeito com minha vida para ser capaz de servi-las com integridade. Quem não respeita esse princípio pode até ser cheio de conhecimento, mas tem pouco autoridade no servir e vive uma relação interna esquizofrênica, frustrada e inquieta.

Vejo um profissional sábio quando enxergo a admiração de seus colaboradores, a serenidade de seus negócios, o sorriso de seus amigos, o cuidado de seus afetos, o acolhimento aos seus clientes. Há um ditado que diz: 'Tua vida me impede de crer no que dizes.' Sabedoria é ver no exterior meu mundo interior e melhorar meu mundo interior se o exterior não me traz felicidade. É ter menos papo e fazer aquilo que se propõe.

Terceio, ser sábio tem a ver com gratidão. A sabedoria revela-se no modo como sou grato porque vejo no outro a possibilidade de aprender. Salomão dá mais presentes à rainha de Sabá do que aqueles que dela recebeu. Ele entende que não se estava estabelecendo ali uma relação comercial. Sabedoria tem a ver com prazer da convivência. É nessa perspectiva que os demais interesses devem se pautar. Se tenho isso em mente, atendo melhor, produzo com qualidade, comercializo com honestidade, honro meus compromissos, relaciono-me com sinceridade, gerencio com integridade, meu ganho é justo e dele não me envergonho, e aprendo sempre.

É esse tipo de sabedoria que está faltando para que o que sabemos faça mais sentido prático na nossa vida e na vida daqueles que nos cercam."

(Homero Reis - Sabedoria, a competência perdida - Revista Sophia, Ano /10, nº 39 - p. 14/15)


quarta-feira, 31 de maio de 2017

A BELEZA NASCE DA SERENIDADE DA SUA PRESENÇA

"A presença é necessária para tomarmos consciência da beleza, da majestade, do aspecto sagrado da natureza. Você alguma vez contemplou o espaço infinito em uma noite clara, estarrecido por sua calma absoluta e incrível vastião? Já escutou, de verdade, o som de um riacho numa montanha na floresta? Ou o som de um melro ao entardecer de um tranquilo dia de verão?

Para perceber tudo isso a mente tem que estar serena. Você tem que se despojar por um momento da sua bagagem pessoal de problemas, do passado e do futuro, e também do seu conhecimento. Do contrário, você olhará mas não verá, ouvirá mas não escutará. Estar totalmente presente é fundamental.

EXISTE ALGO MAIS sob a beleza das formas externas. Algo que não pode ser nomeado, que é inefável, uma essência profunda, interna e sagrada. Onde quer que exista a beleza, essa essência interior brilhará de alguma forma. Ela só se revela quando estamos presentes. 

Será possível que essa essência sem nome e a sua presença sejam coisas idênticas e uma coisa só?

Será que a essência estaria lá sem a sua presença? Vá fundo nisso. Descubra por si mesmo."

(Eckhart Tolle - Praticando o Poder do Agora - GMT Editores Ltda., Rio de Janeiro, 2016 - p. 55/56


domingo, 16 de outubro de 2016

PORQUE E COMO JESUS SOFREU (PARTE FINAL)

"(...) Se um homem é capaz de servir-se do negro carbono da dor para fazer ouro e pedra preciosa de realização espiritual, deve ele ter ultrapassado toda a alquimia ocultista de toda a magia mental, e deve ter entrado no santuário da mística divina.

Quando um desses místicos escrevia 'eu transbordo de júbilo no meio de todas as minhas tribulações', devia ele ter experiência desse segredo.

E quando o Mestre disse que ele devia entrar em sua glória pelo sofrimento e pela morte voluntária, devia ter removido um espesso véu que, para o comum dos mortais, encobre o mistério do sofrimento como fator de autorrealização.

Apesar de ter Jesus sofrido voluntariamente tudo o que sofreu para entrar na sua glória, contudo o modo como ele soube sofrer é um modelo para todos os sofredores. Não sofre com covardia, como os fracos, nem com jactância, como certos heróis, ou pseudo-heróis da humanidade, que desafiam os martírios e a morte. No Getsêmane, o seu Jesus humano pede ao Cristo divino que, se possível, faça passar aquele cálice amargo - mas logo se entrega totalmente, à vontade superior do seu Cristo divino. No Gólgota, por um momento, o seu ego humano clama em altas vozes: 'Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?' - mas logo o seu Eu crítico se resigna e murmura serenamente: 'Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito'.

Ele sofre como o mais humano dos homens, porque era integralmente humano no seu Jesus, e integralmente divino no seu Cristo.

Cada homem é potencialmente o que ele pode vir a ser atualmente. Horror ao sofrimento e à morte, a repugnância contra injustiças e ingratidões são compatíveis com a soberania, calma e serenidade do espírito. Uma completa integração do nosso ego inferior em nosso Eu superior perfaz a harmonia total da natureza humana.

Ser tentado a revoltar-se contra o sofrimento é humano - deixar-se derrotar pelo sofrimento é deplorável.

Toda a serenidade no sofrimento depende, em última análise, da visão da nossa existância total, cuja falta dificulta e mesmo impossibilita a compreensão da tarefa evolutiva do sofrimento."

(Huberto Rohden - Porque Sofremos - Ed. Martin Claret, São Paulo, 2004 - p. 47


quinta-feira, 19 de maio de 2016

O CAMINHO DA AUTORREALIZAÇÃO

"Você tem de mostrar, pelo falar e pelo exemplo, que o caminho da autorrealização é o que conduz à alegria perfeita. Consequentemente, sobre você repousa uma grande responsabilidade - a de demonstrar, por sua calma serenidade, humildade, que o sadhana por você praticado o tornou uma pessoa melhor, mais feliz e mais útil. Pratique. Demonstre. Não afirme em palavras enquanto em atos nega.

Para começar, você deve ter uma compreensão clara da natureza da meta - Deus ou a Divindade ou o Absoluto universal, tenha Ele o Nome que tiver. Tem de entender Sua grandeza, Sua beneficência, Sua magnificência. Então, essa compreensão apropriada induzirá você e o pressionará para atingir tal meta. O Universal, do qual você é uma unidade, é puro, destituído de ego, ilimitado e perpétuo. Contemple-O e, cada dia, mais e mais, o inegoísmo, a verdade, a pureza e a eternidade, que em você são inatos, se manifestarão. 

Por meio do sadhana (disciplina), esta realização pode ser alcançada. Acredite que você é o Atma imperecível e puro. Depois, disso, nenhum lucro e nenhuma perda poderão afetar você; nenhuma sensação de desapego ou humilhação poderão atormentá-lo. Somente os homens de fundamentos débeis podem recear tais coisas. O homem forte afasta perda, lucro, desespero, humilhação, sem que padeça suas penas. Quando os sentidos são imperiosos, a equanimidade torna-se apenas um sonho. Exerça domínio sobre eles. Você pode ser você mesmo, isto é, imperturbável e liberto."

(Sathya Sai Baba - Sadhana, O Caminho Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1993 - p. 146/147


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

CORREMOS ATRÁS DE ARCO-ÍRIS

"Nem sempre vemos o que está mais perto de nós. Passamos direto pelas riquezas que estão ao alcance da mão e corremos atrás do arco-íris. Buscamos a segurança no escuro, quando em realidade ansiamos pela luz. Bebemos sonhos dourados que não nos saciam, quando a alma está sedenta da Realidade Suprema. Corremos atrás da sombra inexistente do abrigo das miragens, enquanto na verdade ansiamos pelo oásis de paz e harmonia que está na alma. A diversidade desarmoniosa que nos chama lá fora é um mero jogo de sombras dos verdadeiros tesouros em nosso interior. Acalme a irrequieta mente que se exterioriza, fazendo com que ela se volte para dentro. Harmonize pensamentos e desejos com as realidades que a tudo satisfazem e que já se encontram na alma. Então você verá a harmonia inerente à vida e à natureza. Se sintonizar suas esperanças e expectativas com sua harmonia interior, você flutuará pela vida nas diáfanas asas da paz. A beleza e a profundidade da yoga estão no fato de que ela concede a invariável serenidade."

(Paramahansa Yogananda - Jornada para a Autorrealização - Self-Realization Fellowship - p. 102)


domingo, 27 de setembro de 2015

RESPEITO E HUMILDADE

"(...) Quão ínfimo é hoje o respeito que os seres humanos têm por Deus e pelo próprio homem! Muitos dos que pertencem à confusa juventude de hoje, estão perdendo o respeito pela antiga sabedoria, pela ordem social e, consequentemente, por si próprios. Quando desaparece o autorrespeito, inicia-se a decadência. O verdadeiro respeito por si próprio e pelos outros decorre do entendimento da origem divina de cada um de nós. Aquele que conhece a si mesmo como sendo o Ser, uma centelha individualizada da chama do Espírito, sabe também que todos os seres humanos são uma expressão do mesmo Espírito e se curva com reverência e alegria ante o Uno presente em todos. 

Ao cultivar o respeito ao guru como emissário Divino, e aos seus semelhantes como imagens de Deus, o devoto acelera seu crescimento espiritual. Da atitude respeitosa para com o guru brota a receptividade a Deus através da figura do guru; tal receptividade proporciona entendimento do que é justo e nobre, esse entendimento, por sua vez, faz com que reverenciemos a Deus e ao guru. Quando afinal, dentro do próprio coração bem como fisicamente, somos capazes de nos curvar ante Algo que não seja o ego, ocorre uma transformação interior - desenvolve-se a humildade. O ego é como uma sólida e impenetrável muralha que circunda a alma, a verdadeira natureza humana. A única força capaz de demolir este muralha é a humildade. (...)

A humildade consiste na sabedoria de reconhecer que existe um Ser superior a nós. A maioria dos seres humanos adora o seu próprio ego. Porém, quando o discípulo se curva ante o ideal de um Ser superior, e ante o guru como o instrumento da Divindade cujo auxílio ele procura a fim de alcançar aquele Ser, então ele desenvolve a humildade necessária para demolir a aprisionante muralho do ego, e sente dentro de si a expansão da consciência divina nascida daquele Ser superior.

O homem humilde é um homem verdadeiramente sereno, verdadeiramente feliz. Ele não se perturba com a instabilidade do comportamento e do amor humano, nem é ferido pela inconstância das relações humanas, ou pela transitoriedade da posição social e da segurança neste mundo. Todo pensamento voltado para os ganhos pessoais e autoestima se desvanecem e se apagam da mente do homem humilde. As escrituras dizem: 'Quando este 'eu' morrer, então saberei quem sou eu'. Quando o ego se vai, a alma - ou seja a imagem de Deus latente em nosso interior - pode finalmente despertar e se expressar livremente. O devoto manifesta então em sua vida todas as qualidades divinas da alma e vê-se livre para sempre da ignorância de maya, a ilusão terrena imposta a todas as criaturas que participam do drama divino da criação. 

Devemos então recordar que o respeito dá origem à reverência, e que a humildade é produto desta última. Ao desenvolver tais qualidades, o devoto começa a acelerar seu progresso em direção à Meta de sua busca espiritual."


(Mrinalini Mata - O Relacionamento Guru-Discípulo - Self-Realization Fellowship - p. 23/27


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

DA LAGARTA À BORBOLETA (PARTE FINAL)

"(...) Um homem que nunca passou por este estado de morte voluntária, continua a ser um homem profano, materialista, interessado somente nas coisas do corpo físico e das emoções.

Como já dissemos, não é o sofrimento como tal que transforma o homem, mas é o sofrimento compreendido e aproveitado. Mas o homem que nunca viveu no seu interior por uma profunda interiorização ou meditação, dificilmente pode sofrer com serenidade, não pode dizer 'eu transbordo de júbilo no meio de todas as minhas tribulações'. O homem profano, sem sofrimento transformador, continua a vida inteira como lagarta pesada e comilona - ao passo que o homem que passou por um sofrimento compreendido, e aceito, entra numa atitude de serenidade e leveza, que faz lembrar o adejar silencioso da borboleta, que, apesar disto, continua a manter o contato com a terra.

O sofrimento compreendido e aceito confere ao homem uma intuição estranha das coisas superiores; dá-lhe o gosto pelas coisas que, outrora, o desgostavam; dá-lhe facilidade de compreender o incompreensível e de ver as coisas invisíveis.

Ninguém pode gostar do sofrimento por causa do sofrimento - que seria masoquismo mórbido - mas pode querer o sofrimento como um meio e um caminho que conduzem a uma vida superior, que os não sofredores ignoram.

Essa inefável estesia e clarividência que o sofrimento compreendido produz vale por todas as dores e angústias anteriores. O lúgubre fantasma vestido de luto se transformou num querubim luminoso, com a luz da felicidade nos olhos e o sorriso da vida eterna nos lábios.

Quem quiser voar como borboleta, não tenha medo de morrer como crisálida, depois de ter vivido como taturana." 

(Huberto Rohden - Porque Sofremos - Ed. Martin Claret, São Paulo, 2004 - p. 64)


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

UMA INFÂNCIA SAUDÁVEL NÃO GARANTE UMA PERSONALIDADE SAUDÁVEL

"Você não precisa ter tido uma infância doentia para se tornar um adulto doente, como acreditam alguns pensadores da psicologia. Basta ser vítima dos seus pensamentos negativos e não administrar as suas emoções tensas que os estímulos estressantes do mundo moderno são suficientes para causar-lhe transtornos psíquicos.

Como está seu estilo de vida? Será que você apazigua as águas da emoção com serenidade? Quando criança talvez você fosse apaixonado pela vida e vivesse sorrindo sem grandes motivos. Mas, e agora? O tempo passou e, hoje, talvez já não sorria com tanta frequência ou precise de grandes motivos para se animar.

Uma das coisas que mais preocupava Jesus era a saúde psíquica dos seus discípulos. Ele queria produzir homens livres e não dominados por preconceitos ou pensamentos negativos. Ao convidar os homens a beber de uma água viva que emanava do seu interior, desejava que eles fossem felizes de dentro para fora. Ao encorajá-los a não ser ansiosos, estimulava-os a dominar a agitação emocional e os pensamentos antecipatórios.  

É possível que você esteja tão ocupado que nem ache tempo para falar com uma pessoa muito importante: você mesmo. É provável que você cuide de todo mundo, mas tenha se esquecido de você. Será que você não vive a pior solidão do mundo, a de ter abandonado a si mesmo? Você organiza seu escritório e sua casa, não não se preocupa em debelar os focos de tensão em sua memória.

Será que, devido a síndrome SPA, você não envelheceu no único lugar em que não é permitido envelhecer, no seu espírito e emoção? É preciso romper o cárcere da emoção. O destino é frequentemente uma questão de escolha. Opte por ser livre. O mestre da vida discursou de várias maneiras que felicidade é uma questão de transformação interior, de treino emocional, e não um dom genético. Não se esqueça de que muitos querem o pódio, mas desprezam a labuta dos treinos."

(Augusto Cury - O Mestre do Amor - Ed. Academia de Inteligência, São Paulo, 2002 - p. 110/111)
 www.academiadeinteligencia.com.br


quarta-feira, 15 de julho de 2015

O CONTATO COM A PRESENÇA DIVINA

"Quando você faz uma prece e segue uma sensação de paz, serenidade e confiança, isso significa que entrou mentalmente em contato com seu Ego Superior (Deus em você; o EU SOU) e começou a conhecer-se um pouco melhor. O Cristo em você é 'O EU SOU', o Espírito Vivo Todo Poderoso, o Princípio Vital. Descartes disse: 'Cogito ergo sum.' O que significa: 'Eu penso, logo EU SOU.'

A capacidade do Espírito é pensar, permitindo-lhe optar, comparar, avaliar e decidir. Você é dotado de livre iniciativa, da capacidade de opção. A única força imaterial de que tem consciência é o seu pensamento. Descartes racionalizou que todas as evidências objetivas não são absolutamente verdadeiras, citando como exemplo as ilusões de óticas e outros fenômenos que o iludem. A única coisa certa no universo é que Deus é Deus. Quando diz 'EU SOU', está anunciando a Presença de Deus dentro de você. 

Quando você é bom e generoso, quando eleva os outros em seus pensamentos e sentimentos, quando diz algo bom e estimulante, está manifestando o EU SOU em você. Você é uma individualização do Espírito Infinito e está aqui para expressar mais e mais a sua Divindade. Nós nos elevamos dos mortos quando renunciamos a velhas crenças, superstições e falsas crenças e despertamos para a Presença de Deus interior."

(Joseph Murphy - Sua Força Interior - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1995 - p. 18)


sexta-feira, 26 de junho de 2015

SAIBA OCUPAR-SE (1ª PARTE)

"Chamamos ocupar-se o ato de empregar esforços e recursos para a realização de uma coisa qualquer, seja a solução de um problema, seja a criação de uma obra útil ou bonita, seja fazer qualquer coisa que, estando à nossa frente, não pode deixar de ser feita.

Ocupar-se com eficiência é obter o melhor resultado naquilo que se faz, usando para tal o mínimo de esforço. Ter eficiência é o ideal de todo aquele que trabalha. Depende de muitos fatores, desde a natureza da obra em que nos empenhamos, ao alcance dos meios materiais e instrumentos disponíveis, mas principalmente de concentração mental dirigida ao agir. Descobrir e usar o melhor método para aumentar o rendimento da ação constitui uma arte. É uma arte que deveríamos desenvolver. Yoga é definido por Krishna, no Gita como 'excelência na ação'. O que temos de fazer devemos fazer bem-feito, pois a ação ou obra imperfeita implica realmente numa dívida, a que ficamos vinculados ou presos. Só o perfeito agir ou fazer nos liberta, segundo a escola Suddha Dharma.

A PL (Perfeita Liberdade), moderna ordem religiosa do Japão, para a qual 'a vida é arte', ensina a seus fiéis agir com makoto: com perfeita integração e devoção no que está fazendo não importa a aparente humildade da obra. Aliás não existe obra humilde quando o agente realiza makoto. Quando o agente é mesquinho em si mesmo não importa administre um Estado, o que faz é mesquinho e imperfeito.

Yoga, diferente do que pensam erradamente muitos, não conduz à inação. É ao contrário uma filosofia da ação. É isso sim uma terapêutica contra a agitação. É muito comum confundir agitar-se com produzir. A ação inteligente é serena, mas firme. O homem criativo é sereno e não vive apressado, a sacudir-se aqui e ali, a correr trepidante de uma lado para outro, manejado pela afobação infecunda, fatigante e nervosa. (...)" 

(Hermógenes - Yoga para Nervosos - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 2004 - p. 192/193)
www.record.com.br


segunda-feira, 22 de junho de 2015

A MORTE LIBERTA

"Não tema a morte. A morte liberta e ninguém morre duas vezes. Quando a morte vem, a causa do medo desaparece. Quando o sofrimento é intenso, a morte nos livra das dores físicas e mentais.

Mate o medo sabendo que está protegido pelas muralhas da Eterna Segurança de Deus, que está a salvo mesmo com a morte batendo à sua porta. Os raios protetores de Deus podem varrer as nuvens ameaçadoras do juízo final, acalmar as ondas do castigo e mantê-lo em segurança ainda que você esteja no campo de batalha da vida à mercê dos projéteis da agressão. Sem Deus, nossa vida, saúde e prosperidade não estão seguras mesmo que nos encerremos numa fortaleza de opulência rodeada de trincheiras inexpugnáveis.

Quando o medo aparecer, contraia-se e relaxe, respirando fundo várias vezes. Acenda a lâmpada da serenidade e da indiferença. Faça com que toda a sua maquinaria mental desperte e acompanhe ativamente a vibração da vontade. Depois, aplique essa vontade às engrenagens da bravura cautelosa e do discernimento contínuo, que devem girar sempre e produzir soluções mentais para afastá-lo da calamidade iminente."

(Paramhansa Yogananda - A Sabedoria de Yogananda: Como Alcançar o Sucesso - Ed. Pensamento, São Paulo, 2011 - p. 43)


terça-feira, 9 de junho de 2015

COMO LIDAR COM AS EMOÇÕES NEGATIVAS

"Diga sempre a si mesmo: 

Minha tarefa é a mais fascinante de todas. Ela me mantém tão ocupado que não sobram tempo nem energia para me inquietar com os assuntos de outras pessoas. Estou empenhado na missão de fugir da ignorância para a compreensão e a iluminação. Essa tarefa monopoliza toda a minha atenção para dominar pensamentos e emoções de cólera, inveja, orgulho, vingança, medo, carência e enfermidade. Devo reconhecer e eliminar tais obstáculos para sempre, de modo que, quando os últimos resquícios de negação desaparecerem, a água pura da vida possa brotar e fluir livremente através de mim para abençoar a todos. Eis aí o meu trabalho. Poderia me contentar com menos? 

A raiva não é um antídoto para a raiva. Uma raiva violenta pode suprir uma raiva mais fraca, mas nunca a extinguirá. Quando você estiver com raiva, não diga nada. Pense na raiva como uma doença - um resfriado, por exemplo - e, trate-a com os banhos quentes mentais da lembrança de pessoas com quem você jamais poderia ficar enraivecido, não importa o que fizessem. Se sua raiva for muito violenta, tome um banho frio, borrife a cabeça com água fresca ou coloque gelo na medula e nas têmporas, logo acima das orelhas, no alto da cabeça e na testa, especialmente entre as sobrancelhas.

Quando a raiva irromper, ligue o mecanismo da serenidade; deixe que esta acione as engrenagens da paz, do amor e do perdão. Destrua a raiva com esses antídotos. Assim como você não gosta que os outros se encolerizem com você, os outros não gostam de ser alvo de sua raiva intempestiva. Pense em amor. Quando você imita o Cristo e vê a humanidade como irmãos que se magoam (pois não sabem o que fazem), não consegue sentir raiva de ninguém. A ignorância é a mãe de todas as raivas.

Aperfeiçoe a razão metafísica e, com ela, elimine a raiva. (...) Liquide mentalmente a raiva dizendo a si mesmo: 'Não envenenarei minha paz com a raiva; não perturbarei minha calma habitual, fonte de alegrias, com a irritação.'"

(Paramhansa Yogananda - A Sabedoria de Yogananda, Como Ter Coragem, Serenidade e Confiança - Ed. Pensamento, São Paulo, 2012 - p. 75/77)
www.editorapensamento.com.br

sábado, 23 de maio de 2015

O ENSINO FUNDAMENTAL (1ª PARTE)

"Depois que a criança tiver obtido, no Jardim de Infância, certo domínio sobre os seus veículos, deve desenvolver, na seguinte etapa educacional, as capacidades necessárias para compreender o sentido da Lei. Será pois necessário, que suas emoções sejam então trabalhadas mais a fundo. Pois bem, este ser nasceu com uma natureza emocional que foi desenvolvida durante numerosas vidas: por conseguinte, o mestre não tem que modelar uma natureza emocional totalmente elástica e informe. Ele pode apenas modificá-la, tirando-lhe as rugosidades ou os desvios que possa apresentar e fortalecendo o que nessa alma houver de nobre e elevado. O que é preciso dar à criança, ou melhor, na maioria dos casos tornar a despertar nela, é a capacidade profunda de sentir e, ao mesmo tempo, conservar a serenidade.

Obtém-se isso em grande parte, atuando sobre o corpo físico da criança. Surge aqui o valor da ginástica, especialmente os exercícios de conjunto, que tenham algum sentido de ritmo. Porque quando o ritmo pode ser desenvolvido numa ação física, como por exemplo, na dança ou nos movimentos eurrítmicos, haverá indubitavelmente uma bem definida reação emotiva, que fortalece o corpo emocional invisível da criança e a impele a adquirir a noção da lei e da ordem; e isso, por sua vez, atua de tal maneira sobre sua natureza mental, que a põe em harmonia com a ideia da lei. Este efeito é grandemente aumentado quando tais exercícios rítmicos são executados e simultaneamente por um grande número de crianças; pois, enquanto trabalham todos juntos é como se fossem unidades de um movimento rítmico invisível, que os submete à grande lei da ordem e da beleza na ação.

O sentimento da Lei e da Beleza também se desenvolve muito exercitando a criança na poesia e na música; é claro que esta preparação não é para capacitá-la a escrever versos ou compor obras musicais - a não ser que já tenha realmente aptidão específica para tal - mas ela deve receber a poesia e a música como seu alimento emocional. Desde a mais tenra idade, a criança deveria aprender cantos e versos compatíveis com sua capacidade; porém precisamos ter o cuidado para que sejam realmente apropriados a seu desenvolvimento. Da mesma maneira como a sujeira física poderia infectar seu corpo, igualmente sua natureza emocional e mental poderia ser pervertida por poesias impuras ou músicas de baixo nível. As pequenas músicas de ninar, com sua usual confusão de pensamentos e imagens sem nenhuma relação com a vida real, são, sob este ponto de vista, especialmente prejudiciais. Talvez atualmente nossos poetas nos brindem com grandes composições para substituírem aquelas canções de ninar que, ainda hoje, adormecem as crianças. Se na nossa moderna civilização, pudéssemos eliminar os ruídos dissonantes das ruas, os horríveis cartazes de publicidade e abandonar o uso de frases com significado distorcido, então não teríamos de lamentar o fato das crianças serem turbulentas. A turbulência é uma enfermidade de natureza emocional, mas seus germens não estão tanto na criança, quanto no mundo externo que a rodeia em nossa atual civilização. (...)"

(C. Jinarajadasa - Teosófica Prática - Ed. Teosófica, Brasília, 2012 - p. 32/34)