OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

ENTENDENDO O SOFRIMENTO

Resultado de imagem para ENTENDENDO O SOFRIMENTO"Por que somos insensíveis ao sofrimento do outro? Por que somos indiferentes ao trabalhador braçal que carrega algo pesado, à mulher que carrega um bebê? Por que somos tão insensíveis? Para entender isso, precisamos entender por que o sofrimento nos torna entorpecidos. Certamente, é o sofrimento que nos torna insensíveis. Porque é por não entender o sofrimento que nos tornamos indiferentes a ele. Se eu entendesse o sofrimento, então me tornaria sensível a ele, estaria alerta para tudo, não apenas para mim mesmo, mas para as pessoas à minha volta - meu cônjuge, meus filhos, um animal, um mendigo. Mas não queremos entender o sofrimento, e essa fuga nos torna entorpecidos, e, consequentemente, insensíveis. A questão é que esse sofrimento, quando não entendido, entorpece a mente e o coração. Não entendemos o sofrimento porque queremos fugir dele, por meio do guru, de um salvador, de mantras, de reencarnação, das ideias, da bebida e de qualquer outro tipo de vício - tudo para fugir do que existe...

O entendimento do sofrimento não está na descoberta da sua causa. Qualquer homem pode conhecer a causa do sofrimento - pode ser sua própria negligência, sua estupidez, sua limitação, sua brutalidade etc. Mas, se eu olhar para o sofrimento sem querer uma resposta, o que acontece? Como não estou fugindo, começo a entender o sofrimento. Minha mente está vivamente alerta, aguçada, o que significa que eu me torno sensível. Desse modo, me torno consciente do sofrimento das outras pessoas."

(Krishnamurti - O Livro da Vida - Ed. Planeta do Brasil Ltda., São Paulo, 2016 - p. 220)


terça-feira, 2 de janeiro de 2018

SIGNIFICADO DA DOR E DO SOFRIMENTO (1ª PARTE)

"P E R G U N T A : Qual é o significado da dor e do sofrimento

K R IS H N A M U R T I: Quando sofreis, quando sentis dor, qual é o significado disso? A dor física tem seu significado, mas provavelmente queremos referir-nos à dor e ao sofrimento psicológicos, que têm um significado inteiramente diverso, em níveis diversos. Qual é o significado do sofrimento? Por que desejais achar o significado do sofrimento? Não quero dizer que ele não tenha significado - mas vamos averiguá-lo. Mas, por que quereis achá-lo? Quando fazeis a vós mesmos esta pergunta 'por que sofro?' e ficais procurando a causa do sofrimento, não estais fugindo do sofrimento? Quando procuro o significado do sofrimento, não estou evitando o sofrimento, fugindo dele? O fato é que sofro; mas, no momento em que ponho a mente a indagar por que sofro, diluí a intensidade do sofrimento. Por outras palavras: queremos que o sofrimento se dilua, se alivie, seja afastado, explicado. Isso, por certo, não traz a compreensão do sofrimento. Assim sendo, se não estou livre do desejo de fugir do sofrimento, começo a compreender o sentido do sofrimento. 

Ora, que é o sofrimento? Uma perturbação, em níveis diferentes, do físico, e, em diferentes níveis, do subconsciente. É uma forma aguda de perturbação, que acho desagradável. Morreu meu filho. Eu tinha edificado todas as minhas esperanças em torno dele ou de minha filha, de meu marido, não importa de quem. Eu o havia colocado num sacrário, com todas as coisas que eu desejava que ele fosse. Era meu companheiro. E eis que, subitamente, ele se foi. Dá-se, pois, a perturbação, não é verdade? Essa perturbação eu chamo sofrimento. Tende paciência, não estou falando rudemente; nós estamos examinando, estamos procurando compreender. Se acho desagradável esse sofrimento, eu digo: 'Por que estou sofrendo?', 'Eu o amava tanto', 'Ele era isso', 'Eu tinha aquilo'. E procuro escapar-me, com palavras, com rótulos, com crenças, como o faz a maioria de nós. Tais coisas produzem o efeito de um narcótico. Mas se não faço isso, que acontece? Fico apenas consciente do sofrimento. Não o condeno, não o justifico - sofro. Posso então seguir o movimento do sofrer, não é verdade? Posso então acompanhar todo o seu sentido - digo 'acompanhar' , no sentido de procurar compreender uma coisa. 

Assim, pois, que significa o sofrimento? Que é que está sofrendo? Não queremos saber por que há sofrimento, não queremos saber qual é a causa do sofrimento, mas, sim, o que realmente se passa. Não sei se percebeis a diferença. Estou, então, apenas cônscio do sofrimento, e não separado dele, como um observador a observar o sofrimento; ele é parte de mim mesmo, todo o meu ser está sofrendo. Posso então acompanhar-lhe o movimento, ver aonde ele conduz. Certo, se assim procedo, o sofrimento se me revela, não é verdade? Percebo então que eu estava dando importância a mim próprio e não à pessoa que amava. O papel que ela tinha era só o de esconder-me de minha própria miséria, minha solidão, meu infortúnio. Como eu não sou uma determinada coisa, esperava que ele viesse a sê-lo. Mas agora, foi-se-me a esperança; fiquei ao abadono, estou perdido, estou desolado. Sem ele nada sou. Por isso choro. Não o choro porque ele partiu, mas, sim, porque eu fiquei. Estou só. É muito difícil chegarmos a esse ponto, não é verdade? É difícil reconhecermos, deveras, esse fato, em vez de dizermos, meramente: 'estou só, como poderei livrar-me dessa solidão?' - o que representa uma outra forma de fuga - é difícil reconhecê-lo, estar cônscio dele, 'permanecer com ele', observar o seu movimento. Estou apenas dando um exemplo. Assim sendo, se permito que o processo se desdobre, se descerre, começo gradualmente a perceber que sofro porque estou perdido; sou chamado a prestar atenção a algo que não quero olhar de frente; alguma coisa me está sendo imposta, uma coisa que eu reluto- em olhar e em compreender. E há inúmeras pessoas que podem ajudar-me a fugir — milhares de pessoas, dessas que são chamadas religiosas, com suas crenças e dogmas, esperanças e fantasias - é 'karma', é a vontade de Deus - todas me apresentam uma saída. Mas, se sou capaz de 'ficar' com o sofrimento, de não afastá-lo de mim, de não tentar circunscrevê-lo ou negá-lo, que acontece? Qual é o estado de minha mente, quando estou a seguir por essa maneira o movimento do sofrer? Agora, tende a bondade de acompanhar o que vou dizer, em continuação do que acabamos de expor. (...)" 

(Krishnamurti - A Conquista da Serenidade - p. 92/94)

terça-feira, 31 de outubro de 2017

O MEDO É A NÃO ACEITAÇÃO DO QUE EXISTE

"O medo encontra várias fugas. O que mais varia é a identificação, não é? A identificação com o país, com a sociedade, com uma ideia. Você já percebeu como reage quando vê um desfile militar ou uma procissão religiosa, ou quando o país está correndo o risco de ser invadido? Você se identifica com o país, com um ser, com uma ideologia. Há outras ocasiões em que você se identifica com seu filho, com seu cônjuge, com uma forma particular de ação ou inação. A identificação é um processo de autoesquecimento. Enquanto estou consciente do 'eu', sei que há sofrimento, luta, medo constante. Mas se consigo me identificar com algo maior, com algo que valha a pena, com a beleza, com a vida, com a verdade, com a crença, com o conhecimento, ainda que temporariamente, há uma fuga do 'eu', não há? Se falo sobre o 'meu país', esqueço de mim temporariamente, não é? Se consigo dizer algo sobre Deus, esqueço de mim. Se consigo me identificar com minha família, um grupo, determinado partido, determinada ideologia, então há uma fuga temporária. 

Agora sabemos o que é o medo? Ele não é a aceitação do que existe? Precisamos entender a palavra aceitação. Ela não significa o esforço realizado para aceitar. A aceitação não ocorre quando percebo o que existe. Quando não enxergo claramente o que existe, então estabeleço o processo da aceitação. Por isso, o medo é a não aceitação do que existe."

(Krishnamjurti - O Livro da Vida - Ed. Planeta do Brasil Ltda., São Paulo, 2016 - p. 107


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

DESCONFIA DAS COISAS FÁCEIS

"(...) Superar o que é difícil aumenta as potencialidades e facilita futuras vitórias, ao passo que a fuga às dificuldades diminui a força e prepara derrotas futuras.

Quem foge do que é difícil parece fazer bem a si mesmo, quando na realidade faz mal a si, porque se enfraquece.

Pode ser que o homem apesar de todo o esforço, não consiga superar a dificuldade - mas, mesmo assim, é vitorioso, porque, pela luta contra a adversidade, se fortaleceu ele para vitórias futuras. O principal não é vencer; o principal é fortalecer-se pela luta e resistência, porque esse homem se faz maior e melhor pela luta.

O velho ditado 'deixa como está para ver como fica' pode ser um lema para covardes, mas não para herois.

Por isto, desconfia sempre das coisas fáceis e tem confiança nas coisas difíceis."

(Huberto Rohden - O Caminho da Felicidade - Alvorada Editora e Livraria Ltda., São Paulo, 7ª edição - p. 159)


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

JUSTIÇA PUNITIVA

"Crime dá dinheiro sim. Com o dinheiro se pode comprar gozo material e até altas posições na sociedade e na política.

É o que se tem visto.

Mas, chegará a dar paz verdadeira, verdadeira segurança, amor autêntico?...

A ação cruel e injusta acarreta dívidas com a Lei Maior, aquela que não erra, e da qual ninguém escapa.

Só os que insistem em ficar na ilusão da posse e do gozo dos frutos imediatos, e supondo que podem fugir às penas da Lei, isto é, à dor infalível que algum dia os alcançará, optam pela ação criminosa.

Tenho compaixão de todos os iludidos, que, ou ignoram a Lei Divina, ou ainda acreditam que são bastante espertos a ponto de se esconderem, fugindo do ajuste de contas."

Quero apenas, Senhor, aquilo que Tua Graça de concede."

(Hermógenes - Deus investe em você - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 1995 - p. 103/104)


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

ESTAR NO MUNDO E VIVER EM PAZ (PARTE FINAL)

"(...) Muitos são os caminhos para tentar fugir dos altos e baixos da vida, com suas esperanças e temores. Uma forma de fuga é a busca do prazer, tão comum hoje - encontrar coisas boas para comer, novas roupas, passeios. Essas atividades não são erradas, desde que não haja crueldade ou indiferença para com as necessidades dos outros; porém, a fuga deixa a mente com seu problema básico de incerteza e confusão. Todas as formas de fuga são uma distração da necessidade de refletir sobre a vida e seu significado.

Outra fuga é se isolar do mundo e de seus acontecimentos, dizendo: 'Não quero participar desse jogo.' Milhões de pessoas, nesses tempos de violência, estão preocupadas apenas com seus próprios afazeres e vivem alheias a qualquer outra coisa. Não fosse assim, a maior parte delas se levantaria para protestar contra a fabricação de armas e outras calamidades atuais. Existe conforto na conformidade, por isso a maioria faz o que todo mundo faz e espera o melhor.

Qualquer que seja o rumo adotado, a fadiga se instalará a seu tempo. Muitos idosos têm essa experiência, não simplesmente porque é difícil lidar com um corpo que envelhece, mas por sentir um tipo diferente de cansaço. Todas as experiências mundanas são repetitivas; depois de algum tempo tornam-se chatas, sem graça, até mesmo intoleráveis. Por isso, em todas as civilizações, homens e mulheres retiram-se para viver em solidão, oração e contemplação. Mas também aí as emoções e os pensamentos funcionam. Também num convento há ciúmes a respeito de pequenas questões, angústias e busca de poder.  

A reclusão não é muito diferente de estar no mundo, quando a mente funciona da mesma forma. A mente egocêntrica está em toda parte. Mesmo o monte Everest está cheio de lixo, e locais remotos não estão livres de ruído. Não é fácil se retirar do mundo nem ser parte dele."

(Radha Burnier - Estar no mundo e viver em paz - Revista Sophia - Ano 11, nº 41 - p. 28/29)


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

AS BASES DO AUTOCONHECIMENTO

"Uma das coisas mais difíceis do mundo é olharmos qualquer coisa com simplicidade. Como nossa mente é muito complexa, perdemos a simplicidade. Não me refiro à simplicidade no vestir ou no comer, no usar apenas uma tanga ou bater um recorde de jejum, ou qualquer outra das absurdas infantilidades que os santos praticam; refiro-me àquela simplicidade que nos torna capazes de olhar as coisas diretamente e sem medo, capazes de olhar a nós mesmos sem nenhuma deformação, de dizer que mentimos quando mentimos e não esconder o fato ou dele fugir.

Outrossim, para compreendermos a nós mesmos, necessitamos de muita humildade. Se começais dizendo: "Eu me conheço" — já travastes o processo do auto-aprendizado; ou, se dizeis "Não há muito que aprender a meu respeito, porque sou apenas um feixe de memórias, ideias, experiências e tradições" — tereis também parado o processo de aprendizado a vosso próprio respeito. No momento em que alcançais qualquer alvo, perdeis o atributo da inocência e da humildade; no momento em que chegais a uma conclusão ou começais a examinar com base no conhecimento, está tudo acabado, porque então estais traduzindo tudo o que é vivo em termos do velho. Mas se, ao contrário, não tendes nenhum ponto de apoio, nenhuma certeza, nenhuma perfeição, estais em liberdade para olhar, e quando olhais uma coisa em liberdade, ela é sempre nova. Um homem seguro de si é um ente morto"

(J. Krishnamurti - Liberte-se do Passado - Ed. Cultrix, São Paulo - p. 13)

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A SALVAÇÃO ESTÁ NA DIREÇÃO OPOSTA À DA FUGA

"LSD, aquisições, aplausos, divertimentos, prazeres, euforizantes, vícios, pervertidos ócios, negócios sufocantes... As portas são muitas...

Que pavor da solidão!

Todas as portas parecem válidas, mas são frustradoras.

Que pavor de escutar o silêncio!

Silêncio e solidão lhe parecem ameaças, Por isto são temidos e evitados.

Lastimável e trágico erro!

Poucos podem aceitar que a salvação está na direção oposta à da fuga.

A libertação, o remédio e a paz estão no fim da estrada do silêncio e da solidão.

Foi-nos insistentemente ensinado 'conhece-te a ti mesmo'. Têm-nos insistentemente repetido que a verdade nos salvará.

Mas até agora não aceitamos.

E o escapismo universal segue devastando o homem e tudo.

A procura de si mesmo - em silêncio e só - é a esperança.

E a minha esperança é que se voltem para ela todos os homens."

(Hermógenes - Mergulho na Paz - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro - p. 28)


sábado, 1 de dezembro de 2012

CONHECE-TE A TI MESMO


“O homem está fugindo.

Foge dos outros.

Foge do tédio, do perigo, da ansiedade, do vazio, da fome, da guerra, da privação, da morte...

Mas a fuga principal é aquela por meio da qual procura escapar do encontro consigo mesmo.

Cada um se sente, para si mesmo, a maior ameaça, a decepção maior.

O homem tem medo de saber o que ele é. Todas as portas de escape são buscadas, contanto que se aliene do que supõe ser.

LSD, aquisições, aplausos, divertimentos, prazeres, euforizantes, vícios, pervertidos ócios, negócios sufocantes... As portas são muitas...

Que pavor da solidão!

Todas as portas parecem válidas, mas são frustradoras.

Que pavor de escutar o silêncio!

Silêncio e solidão lhe parecem ameaças. Por isto são temidos e evitados.

Lastimável e trágico erro!

 Poucos podem aceitar que a salvação está na direção oposta à da fuga.

A libertação, o remédio e a paz estão no fim da estrada do silêncio e da solidão.

Foi-nos insistentemente ensinado “conhece-te a ti mesmo”. Têm-nos insistentemente repetido que a verdade nos salvará.

Mas até agora não aceitamos.

E o escapismo universal segue devastando o homem e tudo.

A procura de si mesmo – em silêncio e só – é a esperança.

E a minha esperança é que se voltem para ela todos os homens.”

(Hermógenes – Mergulho na paz - p. 27/28)


sábado, 17 de novembro de 2012

O HOMEM-ANGÚSTIA


“Os mais obsedantes divertimentos não bastaram. As mais inusitadas e intensas formas de prazer foram impotentes. Psicotrópicos, psicodélicos, por mais eficazes, e “libertadores” (?!) não foram suficientes...

O homem-angústia continua fugindo.

Agora entra em órbita e vai à Lua...

Só o que ainda recusa é o remédio verdadeiro, que ele ainda vê como ameaça: o encontro – na solidão, no silêncio, no íntimo, com Aquilo que ele É.”

(Hermógenes – Mergulho na paz – p. 172)