OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


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terça-feira, 20 de julho de 2021

O SERMÃO DA MONTANHA, BASE DA HARMONIA ESPIRITUAL

"Há séculos que as igrejas cristãs do Ocidente se acham divididas em partidos, e, não raro, se digladiam ferozmente - por causa de quê?

Por causa de determinados dogmas que elas identificam com a doutrina de Jesus - infalibilidade pontifícia, batismo, confissão, eucaristia, pecado original, redenção pelo sangue de Jesus, unicidade e infalibilidade da Bíblia, etc. 

No entanto, seria possível evitar todas essas polêmicas e controvérsias - bastaria que todos os setores do Cristianismo fizessem do Sermão da Montanha o seu credo único e universal. Essa mensagem suprema do Cristo não contém uma só palavra de colorido dogmático-teológico - o Sermão da Montanha é integralmente espiritual, cósmico, ou melhor, 'místico-ético'; não uma teoria que o homem deve 'crer', mas uma realidade que ele deve 'ser'. E neste plano não há dissidentes nem hereges. A mística é o 'primeiro e maior de todos os mandamentos', o amor de Deus; a ética é o 'segundo mandamento', o amor de nossos semelhantes. E, nesta base, é possível uma harmonia universal.

Quem é proclamado 'bem-aventurado' feliz? Quem é chamado 'filho de Deus'? Quem é que 'verá a Deus? De quem é o 'reino dos céus'?

Será de algum crente no dogma 'A', 'B' ou 'C'?

Será um adepto da teologia desta ou daquela igreja ou seita?

Será o partidário de um determinado credo eclesiástico?

Nem vestígio disto!

Os homens bem-aventurados, os cidadãos do reino dos céus, são os 'pobres de espírito', são os 'puros de coração', são os 'mansos', os que 'sofrem perseguição por causa da justiça', são os 'pacificadores', são os 'misericordiosos' e 'os que choram', são os que 'amam aos que os odeiam' e 'fazem bem aos que lhes fazem mal'.

No dia e na hora em que a cristandade resolver aposentar as suas teologias humanas e proclamar a divina sabedoria do Sermão da Montanha como credo único universal, acabarão todas as dissensões, guerras de religião e excomunhões de hereges e dissidentes.

Isto, naturalmente, supõe que esse documento máximo de espiritualidade, como Mahatma Gandhi lhe chama, seja experiencialmente vivido, e não apenas intelectualmente analisado.

A vivência espiritual é convergente e harmonizadora - a análise intelectual é divergente e desarmonizadora.

Se todos os livros religiosos da humanidade perecessem e só se salvasse o Sermão da Montanha, nada estaria perdido. Nele se encontram o Oriente e o Ocidente, o Brahmanismo e o Cristianismo e a alma de todas as grandes religiões da humanidade, porque é a síntese da mística e da ética, que ultrapassa todas as filosofias e teologias meramente humanas. O que o Nazareno disse, nessa mensagem suprema do seu Evangelho, representa o patrimônio universal das religiões - seja o Kybalion de Hermes Trismegistos, do Egito, sejam os Vedas, Bhagavad-Gita ou o Tao Te Ching de Lao-Tse, do Oriente, sejam Pitágoras, Sócrates, Platão ou os Neroplatônicos, sejam São João da Cruz, Meister Eckhart Tolstoi, Tagore, Gandhi ou Schweitzer - todos convergem nesta mesma Verdade, assim como as linhas de uma pirâmide, distantes na base, se unem todas num único ponto, no vértice.

Se o Evangelho é o coração da Bíblia, o Sermão da Montanha é a alma do Evangelho."

(Rohden - O Sermão da Montanha - Ed. Martin Claret Ltda., São Paulo, 1997 - p. 17/19)


terça-feira, 1 de dezembro de 2020

UNIDADE NA DIVERSIDADE

"Somos todos seres humanos, mas alguns são homens e outros, mulheres. Aqui um negro, ali um branco, mas todos pertencemos à espécie humana. Nossas faces diferem, não vejo duas iguais, mas somos todos seres humanos. Onde está essa humanidade da qual nós fazemos parte? Vejo um homem ou uma mulher, de pele clara ou escura. Entre todas essas faces, sei que há uma humanidade abstrata, comum a todos. Posso não encontrá-la quando a procuro perceber, sentir e realizar, mas estou certo de que existe. Se há alguma coisa de que tenho certeza é esta natureza humana que temos em comum. Mediante a extensão desse conceito eu os vejo como homem ou mulher. 

Assim acontece com essa religião universal, que passa através de todas as diversas religiões sob a forma de Deus, que existe e perdura por toda a eternidade. 'Sou o fio que atravessa todas as pérolas', sendo cada pérola uma religião ou seita que dela derivou. Assim apresentam-se as diferentes pérolas, e o Senhor é o fio que as une, embora a maioria dos homens esteja inteiramente inconsciente disso.

Unidade na diversidade é o plano do universo. Como homem, você está separado do animal; como seres vivos, homem, mulher, animal e vegetal, são todos um; e como existência, vocês são uno com o universo. Esta existência universal é Deus, a Unidade suprema do cosmos. Nele somos todos um. Ao mesmo tempo, no plano da manifestação, as diferenças devem sempre permanecer.

O que nos faz criaturas com uma determinada aparência? A diferenciação. O equilíbrio perfeito seria nossa destruição. Suponha que a quantidade de calor nesta sala, cuja tendência é manter-se em difusão igual e perfeita, atinja esse poeliginto; o calor praticamente deixaria de existir. O que torna possível o movimento no universo? O equilíbrio perdido. A unificação da igualdade só poderá produzir-se por meio da destruição do universo, caso contrário é impossível. Além do mais, seria também perigoso. Não devemos desejar que todos pensem do mesmo modo; não haveria mais pensamentos para pensarmos. É justamente esta diferença, esta desigualdade, este desequilíbrio entre nós que constitui a verdadeira alma do nosso progresso e pensamentos. É preciso que seja sempre assim. 

Então, qual é, a meu ver, o ideal de uma religião universal? Não há de ser uma filosofia universal, nem uma mitologia única, nem um mesmo ritual ecumênico, comum a todas as religiões porque sei que este mundo, esta massa intrincada de mecanismos excessivamente complexos e espantoso, deve prosseguir funcionando com todas as engrenagens. Que podemos nós fazer?

Podemos fazer com que funcionem suavemente, diminuindo a fricção, lubrificando as engrenagens, por assim dizer. Como? Reconhecendo a necessidade natural de diferenciação. Assim como por nossa própria natureza reconhecemos a unidade, também devemos aceitar a diversidade. Precisamos aprender que a verdade pode ser expressa de milhares de modos igualmente legítimos. A mesma coisa pode ser vista de cem diferentes perspectivas e ainda continuar a ser ela mesma. (...)"

(Swami Vivekananda - O Que é Religião - Lótus do Saber Editora, Rio de Janeiro, 2004 - p. 28/30)


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O SENTIDO DA VIDA, SEGUNDO MOISÉS, BUDA, CRISTO (1ª PARTE)

"Qual o sentido da vida humana, a razão de ser da sua existência?

Todos os gênios da humanidade respondem o mesmo: o sentido da vida do homem é a sua autorrealização. E essa realização supõe, acima de tudo, o conhecimento da verdadeira natureza do homem.

Cerca de seis séculos antes da Era Cristã, vivia na Índia um príncipe real chamado Gautama Siddhartha. Pouco depois do seu casamento abandonou ele, clandestinamente, o Palácio Real e foi peregrinar pelas florestas da Índia, durante 16 anos, meditando, meditando e jejuando. Queria descobrir uma resposta definitiva ao tenebroso mistério do sofrimento universal da humanidade. Os animais selvagens não sofriam, e por que devia o homem, coroa da creação, viver em sofrimento permanente? Certo dia, estava o príncipe sentado à sombra de uma árvore, mergulhado em profunda meditação. Quando despertou do seu prolongado samadhi, proferiu quatro palavras – e os discípulos dele, sentados em derredor, exclamaram: Buda! Buda! isto é: acordou, acordou.

O peregrino real dormira toda a vida o sono da ilusão sobre si mesmo, identificando-se com o seu ego mental; de repente, despertou para a vigília da verdade – da verdade libertadora sobre si mesmo. Os discípulos dele resumiram a sabedoria do Mestre nas chamadas 'quatro verdades nobres de Buda'. O que Buda disse, depois de despertar para a luz da verdade, foram as palavras seguintes:

1) a vida humana é essencialmente sofrimento,
2) a causa deste sofrimento universal é a ilusão em que o homem vive sobre si mesmo,
3) com a transformação da ilusão em verdade sobre si mesmo, termina a culpa do sofrimento,
4) o meio para o conhecimento da verdade é a profunda meditação sobre si mesmo.

Cerca de mil anos antes de Buda dissera Moisés, com outras palavras, estas mesmas verdades: 'Maldita seja a terra por tua causa', disseram os Elohim ao primeiro homem, porque este se identificava com o seu ego ilusório, aberrando da verdade libertadora sobre a sua verdadeira natureza. E esta ilusão funesta provocou sua autoexpulsão do paraíso e o início do sofrimento Universal. (...)"

(Huberto Rohdem - O Homem, sua Natureza, sua Origem e sua Evolução -  p. 37/38)

domingo, 3 de setembro de 2017

O CAMINHO PARA A HARMONIA

"Quando nos sentamos e contemplamos o mar, o céu, a lua ou as estrelas, temos uma sensação de espaço e eternidade. Isso muda, pelo menos por algum tempo, não apenas a nossa psique, mas também o corpo.

Quando a consciência é inocente, há menos impureza a obstruir a luz, e sente-se a beleza mais profundamente. Pensamentos ruins, preconceitos e ideias preconcebidas fazem a vida parecer enfadonha e árida. A inocência de uma criança é um complemento à beleza; nessa inocência, há também virtude. A verdadeira virtude é a beleza da luz divina se irradiando do nosso interior.

As palavras de uma canção ou o tema de um quadro não tornam a arte religiosa. Para ser verdadeiramente religioso, devemos abandonar o desejo de estar numa forma individual e fluir para a beleza do universal. Sem sensibilidade para o universal, podemos estar engajados não apenas em um ritualismo vazio, mas também em formas de arte vazias. As formas podem ser tecnicamente excelentes, mas não contêm a essência da arte, e portanto não possuem a qualidade religiosa.

O princípio da verdade não pode ser captado enquanto a mente estiver poluída com desejos e atividades autocentradas. Só quando estamos livres do desejo a virtude pode penetrar em nosso coração. Então temos uma visão da totalidade, que é a verdadeira religião.

Para que a virtude possa surgir, tudo o que é supérfluo deve ser removido. Assim como o escultor desbasta o mármore para revelar uma forma, devemos desbastar o que foi acrescentado à nossa natureza, até que emoções e pensamentos sejam puros e inocentes. Krishnamurti chamava isso de austeridade; ele dizia que austeridade é 'a simplicidade da mente purgada de todo conflito, que não está presa ao fogo do desejo, mesmo o desejo mais elevado. Sem essa austeridade não pode haver amor'.

A religião da beleza é o caminho para a pureza e a harmonia com tudo. Isso significa virtude e amor. Com uma mente silenciosa e o coração aberto ao grande oceano da vida, com todas as suas belezas, nenhuma outra religião é necessária."

(Radha Burnier - A religião da beleza - Revista Sophia, Ano 2, nº 7 - p. 6)

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A RELIGIÃO E O YOGA

"Uma religião que seja igualmente aceitável por todas as mentes é o que desejo propagar. Deve ser igualmente filosófica, emocional, mística e conducente à ação. Essa será a combinação ideal, a analogia mais próxima a uma religião universal. Quisera Deus que, na mente de todos os homens, essas características estivessem igualmente presentes em plenitude! Esse é o meu ideal do homem perfeito. Considero parcial a pessoa que tenha apenas um ou dois desses traços característicos; o mundo está repleto de indivíduos sectários, conhecedores somente desse caminho único que trilham; tudo o mais para eles é perigoso e terrível. Encontrar um equilíbrio harmonioso entre esses quatro caminhos é o meu ideal de religião.

Essa religião é alcançável pelo que se denomina na Índia yoga, união. Para o homem de ação, é a união entre os homens e toda a humanidade: para o místico, entre seu Self inferior e superior; para o amante, entre ele e o Deus de amor; para o filósofo, é a união com toda a existência. Esse é o significado do termo sânscrito yoga. Todas as quatro divisões da yoga têm, em sânscrito, diferentes nomes. Iogue é o homem que procura um destes caminhos de união. O que busca a união pela ação é o karma iogue; o que busca a união pelo amor é o bhakti iogue; o que busca a união pelo misticismo é o raja iogue e o que a busca pela filosofia é o jnana iogue. A palavra iogue abrange todos. 

Nesse país, a palavra yoga está associada a toda sorte de entidades fantásticas. Lamento, mas devo dizer que yoga nada tem a ver com isso. Nenhuma dessas yogas abdica do raciocínio; nenhuma lhe pede que seja ingênuo ou que entregue sua capacidade de raciocinar nas mãos de sacerdotes de qualquer tipo. Nenhuma o obriga a ser fiel a algum mensageiro sobrenatural. Cada uma o incentiva a aferrar-se à razão, a ater-se a ela."

(Swami Vivekananda - O que é Religião - Lótus do Saber Editora, Rio de Janeiro, 2004 - p. 34/35)

quarta-feira, 12 de abril de 2017

RUMO À TRANSFORMAÇÃO (1ª PARTE)

"As transformações no nosso conceito do divino são como uma viagem de um horizonte a outro, uma jornada que sempre nos leva além. Dionísio, o Aeropagita, afirmou: 'É mais apropriado louvá-lo retirando do que atribuindo, pois imputamos-lhe atributos quando partimos dos universais e descemos através do intermediário até os particulares. Mas aqui retiramos-lhe todas as coisas subindo dos particulares para os universais, para que possamos conhecer abertamente o incognoscível, que está oculto no interior e sob todas as coisas que podem ser conhecidas. E observamos essas trevas além da manifestação, ocultas sob toda luz natural' (A Filosofia Perene, A. Huxley).

Helena Blavatsky chama aquilo que está além da luz e das trevas de As Grandes Trevas. Lemos em Luz no Caminho: 'Aferra-te àquilo que não tem substância nem existência./Ouve apenas a voz que não tem som./Considera apenas aquilo que é invisível/tanto para o sentimento interno quanto para o externo.'

Essa é a mais elevada forma de devoção. O caminho das negações livra-nos de todas as limitações e leva à transformação. Ele implica também a negação de nós mesmos, como nos conhecemos atualmente. Só desistindo do menor é que o maior pode emergir. Desistamos de nós mesmos como somos agora. Isso significa sacrifício - uma palavra da qual muitas pessoas não gostam, porque a associam a sofrimento. Mas somente nesse sacrifício há felicidade.

Aqueles que trilham o caminho da sabedoria descobrem isso. Eles desistem dos conceitos menores e superficiais. Somente então surgem os conceitos maiores, mais profundos, que, no final das contas, levam ao sem forma. (...)"

(Mary Anderson - Para alcançar um novo dia - Revista Sophia, Ano 7, nº 26 - p. 30)
www.revistasophia.com.br


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

KARMA INDIVIDUAL E KARMA COLETIVO (PARTE FINAL)

"(...) 6. Karma Universal. Esse refere-se a toda a Raça Humana, aos Deuses dos Poderes Celestiais, e a toda a classe de seres desenvolvidos num Sistema Solar. Cada planeta está destinado a desenvolver-se ao longo de cer­tas linhas, mas ao fim todos se encontrarão. Devemos, porém, estender a influência do Karma Universal para além da sepultura, porque a unidade espiritual de todos os seres não pode ser alterada, de forma alguma, pelo simples desprendimento do corpo. Os que sofrem nos Nârakas, ou Infernos, ou Purgatórios — seja como for que gostemos de chamá-los, precisam ao máximo da nos­sa ajuda. Naquelas profundas e escuras regiões do Mun­do Astral, onde as paixões violentas estão sendo trabalhadas para se extinguirem — profundas, sujas, miseráveis e sem raios, onde os mais degradados, e aparentemente de uma irreparável maldade, afundam, de forma inevitá­vel, rastejantes, em densa obscuridade e escuridão, cum­pre-nos encontrar outro campo de trabalho. Muitas pes­soas fazem um bom trabalho entre os seus habitantes, e cada bom pensamento ajuda um pouco, cada sentimen­to de amor por eles é um bálsamo. Melhor ainda, cada poderosa 'oração-desejo' pela sua libertação é potente. Devemos compreender que nossos bons pensamentos, e as forças superiores dos que estão acima de nós, são as únicas migalhas de luz e conforto que eles chegam a ter. Luz e mais luz! Alívio das dores cruéis! Dores de apeti­tes que não podem ser satisfeitos! Gritos de socorro vin­dos da escuridão! Eles, com certeza, despertam nossa compaixão, porque anseiam pela visão de um rosto sobre o qual um raio de amor deslize e abençoe, pelo toque de uma mão que possa curar e erguer. O Cristo desceu aos Infernos: o Buda também fez a mesma coisa, porque Seu amor incluía os mais baixos planos do Cosmos. O amor humano pode ajudar a apagar o fogo por ele mesmo ace­so, e os Mestres mostram a forma, como a história e a lenda dizem. De Orfeu — o Grande Mestre da antiga Gré­cia, cuja verdadeira vida está envolvida em Mitos divinos — aprendemos que ele desceu aos Infernos. A maioria das religiões tem ensinado essa doutrina. Os judeus, ou pelo menos alguns grupos deles, acreditavam nisso, por­que lemos no Segundo livro dos Macabeus, xii, 46: 'É um pensamento santo e saudável orar pelos mortos, a fim de que eles possam libertar-se de seus pecados.' En­tre os hindus, dois dos 'Cinco Atos de Culto' (cinco Yajnas) são o Pitri-Yajna e o Bhuta-Yajna, ou reverência e lembrança pelos ancestrais e por toda a classe de espíritos. Oferecem libações e presentes pelo bem-estar deles. (...)

A cerimônia budista do Pitri é feita em benefício dos espíritos e almas dos que partiram. Os antigos perua­nos e os egípcios foram muito devotos nesse particular. Entre os cristãos, a vasta maioria acredita nas preces pelos mortos, a saber, as Igrejas Romana e Grega, bem como algumas das divisões Protestantes. Os moradores do Naraka são, portanto, ajudados pelas nossas 'preces-desejos', tanto quanto seus Karmas o permitirem, e não po­demos saber quanto isso será. Embora não possamos ti­rar deles as suas cargas, ainda assim podemos, às vezes, encurtar sua estada ali, ou melhorá-la até certo ponto. O Karma Universal opera nos Três Mundos do Tribhuvana e, tal como podemos auxiliar os que partiram, os que estão no Devachan podem auxiliar-nos."

(Irmão Atisha - A Doutrina do Karma - Ed. Pensamento, São Paulo - p. 33/34

domingo, 29 de janeiro de 2017

O UNIVERSO TRANSCENDENTE E IMANENTE

"Quem admite um Deus-pessoa, um Deus individual, não pode, logicamente, admitir um Deus onipresente (ou imanente), porque qualquer realidade individualizada se acha localizada em determinado ponto do espaço; só um Deus universal é que pode ser um Deus onipresente. Vida individualizada só pode existir em determinados veículos individuais; mas a Vida Universal é uma realidade onipresente.

A Realidade ou Vida Universal, o Deus Transcendente (Divindade), é chamada na filosofia oriental o 'Brahman Imanifesto' - ao passo que a Realidade ou Vida Individual, o Deus Imanente, e apelidade de 'Brahman Manifesto' ou o Brahma, que no homem se chama 'Atman'. Esse 'Brahma' ou 'Atman' corresponde ao 'Lógos' dos filósofos gregos, termo que, através do autor do quarto Evangelho, entrou no Cristianismo Cósmico: 'No princípio era o Lógos, e o Lógos estava com Deus, e o Lógos era Deus... Nele estava a Vida, e a Vida é a Luz dos homens; a Luz brilha nas trevas, e as trevas não a prenderam... E o Lógos se fez carne e ergueu habitáculo em nós, cheio de graça e de verdade; e da sua plenitude todos nós recebemos'.²

Carl G. Jung chama a Realidade Imanifesta ou Deus Transcendente, o 'Inconsciente'. Victor E. Frankl escreveu um livro sobre o 'Deus Inconsciente' (Der Unbewusste Gott), entendendo com esta palavra o elemento divino no homem, para além da barreira do seu consciente.

Convém, todavia, não identificar esse 'Inconsciente' com a ausência do 'Consciente', mas sim com a ilimitada plenitude do 'Consciente'. Deus, a Divindade, é o grande 'Inconsciente' do ponto de vista do nosso limitado 'Consciente' humano, individual; mas em si mesmo é esse 'Inconsciente' o 'Oniconsciente', da mesma forma que a Infinita Plenitude da Realidade é, para a nossa limitada percepção, a Infinita Vacuidade do Irreal. Quem fita em cheio o globo solar não enxerga luz, mas treva - treva por excesso de luz, porque a retina visual sucumbe ao veemente impacto da luz solar, não reagindo à ação da mesma. 'Ninguém pode ver a Deus (Divindade) e ainda viver'. Nenhum ser individualmente realizado pode ser o Ser Universalmente Real. o consciente individual não registra a presença da Divindade, cuja Plenitude lhe é Vacuidade.

O 'Ente Absoluto', que 'é', não pode ser verificado por nenhum 'Existente Relativo', que apenas 'existe', precisamente porque 'ex-siste', quer dizer 'colocado para fora', produzido como efeito. O 'Ente Absoluto' simplesmente 'é', ou 'siste', e por dizer de si mesmo 'Eu sou o que sou', eu sou o 'Ser', o 'Yahveh', palavra hebraica para 'Ser'. O que teve princípio e pode ter fim não 'é', mas apenas 'existe'; só o Eterno, o Absoluto, o Todo, o Universal, o Ser 'é', e nunca pode deixar de ser, porque a sua íntima e indestrutível essência é ser. Nós, e todas as creaturas, existimos precariamente, e poderíamos também não existir, porque como creaturas não 'somos', mas apenas 'existimos'. A Divindade, porém, 'é' com infinita necessidade e veemência, e nunca pode deixar de ser."

² O 'Brahma' seria o Lógos pré-encarnado, o Cristo Cósmico - ao passo que o 'Atman' seria o Lógos encarnado, o Cristo Telúrico, o Cristo Jesus.

(Huberto Rohden - Setas para o Infinito - Ed. Martin Claret, São Paulo, 2004 - p. 46/48)


quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

UMA CONSCIÊNCIA SUPERIOR (PARTE FINAL)

"(...) Muito da engenharia moderna depende dessa descoberta. Foi intuição - algo das profundezas do homem - e não um processo cognitivo. As intuições nascem completas, como os bebês. Sempre há alunos que lançam um olhar vazio e desesperançado sobre o professor enquanto ele tenta expor algum princípio simples, até que subitamente faz-se a luz.

Portanto, a intuição não é uma coisa rara. Todos os homens a possuem em alguma medida. Muito frequentemente o cientista ou o inventor tenta durante muito tempo e sem sucesso solucionar um problema. Depois, quando não está mais pensando sobre o assunto, a solução subitamente brilha em sua mente. O seu pensar anterior o preparou, assim como, de certa forma, o ensinamento do professor prepara as mentes de seus alunos, mas a intuição surge num lampejo. Às vezes ilumina toda a mente, como um relâmpago numa noite escura. Às vezes vem de tal profundeza de nosso ser que a consideramos algo incomum ou sobrenatural.

A universalidade dessas intuições demonstra a existência de uma mente universal. Externamente mantemos contato com um mundo universal. Certamente os sentidos de nossos corpos são limitados em seu escopo, mas nos põem direta e indiretamente em contato com tudo. Estamos realmente em associação corporal com as nuvens, o sol e todo o mundo material. Similarmente, descobrimos que nossas intuições relacionam-nos à consciência universal. 

Em nossas meditações e inspirações, frequentemente percebemos que estamos recebendo algo de uma consciência enormemente superior ao que estamos acostumados a chamar de nosso. Às vezes, é como se um grande gênio subitamente falasse conosco e, com poucas palavras, esclarecesse dificuldades de pensamento há muito existentes. Algumas pessoas estão tão conscientes disso que não consideram pessoais seus melhores pensamentos. Um grande poeta disse que estimava seus poemas não porque fossem seus, mas porque não eram."

(Ernest Wood - Instrução e intuição - Revista Sophia, Ano 9, nº 33 - p. 28)


domingo, 25 de dezembro de 2016

MUDANÇAS CONSTANTES (PARTE FINAL)

"(...) As crianças permanecem felizes mesmo em circunstâncias difíceis. Elas brincam, distraem-se  com qualquer coisa que haja em torno e continuam felizes. A questão de aceitar ou não as mudanças não surge no caso das crianças, porque para elas a vida é uma brincadeira; quando o brinquedo deixa de ser interessante, elas simplesmente o abandonam para fazer alguma outra coisa. Assim, quase como uma criança, podemos abrir mão de algo divertido ou belo. Mas não conseguimos fazê-lo quando a coisa permanece na memória; queremos experienciar o mesmo repetidamente, talvez com alguma pequena mudança que nos agrade. Portanto, o sentimento do 'eu' é criado por uma atitude que recusa aceitar o que não pode ser eterno.

Nenhum de nós é o tipo de indivíduo independente que pensamos ser. Faz parte do eu imaginar-se um indivíduo forte (se possível, mais forte do que qualquer outro). Mas se investigarmos em profundidade, descobriremos que, como qualquer outra pessoa, somos dependentes de muitas coisas diferentes para nossa existência, e que é enganoso o conceito de uma entidade permanentemente independente.

É útil não apenas pensar, mas também meditar a respeito disso. Não será de curta duração esse corpo e essa situação na qual nos encontramos? Podemos viver durante cem anos, mas o que são cem anos na história? Nada. Assim, as perguntas que temos de nos fazer são: 'O que vive realmente? O que é o sentimento de ego que surge em nós?' Devemos responder a essa pergunta por nós mesmos. Certamente existem filosofias que afirmam existir um Atman (espírito universal) permanente, a raiz de tudo que existe. Mesmo que seja assim, temos que entender o pequeno eu e as muitas coisas que experienciamos como ilusão."

(Radha Burnier - O caminho do desapego - Revista Sophia, Ano 10, nº 40 - p. 22)

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

CORAGEM E VONTADE (2ª PARTE)

"(...) É costume falar-se de 'mau carma' quando ocorre um resultado desagradável ou penoso. Às vezes, perguntamos o que fizemos para merecer tal coisa, mas na verdade não há nem bom nem mau carma, no que diz respeito a este assunto, existe somente a lei inflexível que dirige os acontecimentos divinos. Uma das primeiras coisas que o aspirante aprende é a identificar-se com a lei universal, tanto no que concerne ao seu próprio destino quanto ao dos outros, adaptando assim sua vontade à Vontade Daquele que o criou. Isso não quer dizer fatalismo ou resignação cega, mas esforço incessante para compreender e cooperar com as forças evolutivas da Natureza. 'Ajude a Natureza e trabalhe com ela.' (V.S.) Nada pode acontecer fora da Grande Lei. Mas isso não quer dizer que abandonemos tudo para sofrer, como é, às vezes, a atitude no Oriente. O simples fato de aí estarmos e podermos ajudar indica que queremos ajudar. É parte do 'carma' de outrem. Mas também significa suportar nosso destino com coragem e sem queixas.

Entrar no caminho oculto, mesmo em seus limites externos, é provocar grandes resultados cármicos. Isto é devido a que todas as energias do homem são dirigidas para um canal, e o resultado é potente e imediato. Para usar um símile rudimentar - é como um campo coberto com drenos. Se for aberto um canal e para ele drenados os canalículos, o fluxo resultante poderá mover um moinho. A vida do discípulo, encurtando por seu esforço seu tempo de crescimento, é geralmente cheia de problemas, acontecimentos inesperados que ele tem de encarar e dominar, aparentemente sozinho. Isso requer enorme coragem. Consequentemente, todos os aspirantes devem reunir suas reservas mais profundas de coragem."

(Clara Codd - As Escolas de Mistérios - Ed. Teosófica, Brasília, 1999 - p. 156


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

EGO ESPIRITUAL

"P: Se o Ego Espiritual é onisciente, onde fica então essa decantada onisciência durante sua vida devakhânica?

T: Durante esse tempo está em estado latente e potencial, porque, em primeiro lugar, O Ego Espiritual não é o Eu Supremo, que sendo uno com a Alma Universal ou Inteligência, só ele é onisciente; e segundo, porque o Devakhan é a continuação idealizada da vida terrestre que se acaba de abandonar, período de ajustamento retributivo e recompensa pelos danos e sofrimentos imerecidamente experimentados naquela vida especial. O Ego Espiritual só é potencialmente onisciente, em Devakhan, e de fato, exclusivamente em Nirvana, quando o Ego funde-se na alma-Mente Universal. Volta a ser quase onisciente durante aqueleas horas na terra em que certas condições anormais e mudanças fisiológicas do corpo, libertam o físico dos entraves e impedimentos da matéria. Exemplos disso são os casos de sonambulismo já citados, de uma pobre criada falando hebraico e outra tocando violino. Isto não quer dizer que as explicações dadas pela medicina a esses dois casos não tenham em si alguma verdade, pois uma das moças ouviu, anos antes, seu professor, um pastor protestante, ler obras hebraicas em voz alta, e a outra ouviu um artista tocar violino na casa de cômodos onde morava. Mas nenhuma das duas poderia fazer nada disso com a perfeição com que o fizeram, se não tivessem sido animadas por Aquele que - em virtude da identidade de sua natureza com a Mente Universal - é onisciente. No primeiro caso, o princípio superior agiu sobre os skandhas, colocando-os em movimento; e, no último, estando a personalidade paralisada, manifestou-se a própria individualidade. Solicito que não se confundam as duas coisas."

(Blavatsky - A Chave da Teosofia - Ed. Três, Rio de Janeiro, 1973 - p. 134/135)

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

LEALDADE (1ª PARTE)

"A lealdade, quando não maculada por qualquer variedade de egoísmo - seja a um cônjuge, a um colega que esteja comandando, a um ideal ou a um grande Instrutor - é um artigo raro. Sem lealdade não pode haver firme dependência num mundo interdependente. Sem lealdade não pode haver força nas afinidades, princípio de coerência entre fatores diferenciados. Como todas as virtudes, a lealdade possui um aspecto universal e um aspecto individual; e é fatal endurecer o apego individual em detrimento de seus valores universais; é fatal converter o amor em posse, uma crença em reserva, ou uma convicção numa clava. Nossas lealdades não devem tornar-se padrões sob os quais venhamos a constranger as liberdades dos outros, ou critérios por meio dos quais os condenemos. 

A lealdade não deve tornar-se exclusiva, não deve destruir a fraternidade nem a compreensão. Isto só é possível quando prestamos obediência a um ideal, que compreende todo interesse desejável como algo menor do que ele mesmo. A verdade à qual aspiramos deve incluir toda a verdade que percebemos com nossas mentes abertas; deve expandir-se, elevar-se e ser suscetível à transmutação, à medida que nossas percepções e experiências aumentem. A verdade, sendo maior do que imaginamos, precisará de muitos canais. O tema, sendo mais vasto do que a música que ouvimos, deve estar aberto a tratamentos em eterna variação. No desabrochar do plano de evolução são usados agentes para muitos propósitos. Nossas boas qualidades, inevitavelmente exageradas, precisam ser corrigidas e equilibradas pelos outros no desenvolvimento do trabalho.

A lealdade não deve tornar-nos rígidos, inadaptáveis ao propósito do desabrochar da vida. A lealdade a uma ideia pode ser também lealdade a uma convenção, preconceito, uma imagem abstrata que criamos para satisfazer nossos gostos e aversões. O homem cria Deus (a grande Ideia) segunda sua própria imagem para satisfazer seus temores e desejos.

Devemos evitar os perigos e embaraços de uma mentalidade dividida; recusar sermos colocados numa encruzilhada, como geralmente acontece com aqueles que são leais a uma ideia ou a uma pessoa e, contudo, acham que existe uma atração ou dever com o qual essa lealdade torna-se incompatível. (...)"

(N. Sri Ram - O Interesse Humano - Ed. Teosófica, Brasília, 2015 - p. 68/69)


segunda-feira, 15 de junho de 2015

A SABEDORIA VEM DO DISCERNIMENTO

"A Bíblia diz: 'Sim, com tudo o que possuis adquirireis o entendimento' (Provérbios 4:7). Qual é, as pessoas podem perguntar o significado de "adquirireis o entendimento'? O entendimento mencionado é a sabedoria, que segundo o Mestre não vem dos livros, mas do discernimento.

- O discernimento é necessário e não surge apenas pelo raciocínio, mas também pela intuição da alma. A razão pode ajudar uma pessoa a entender o como das coisas - isto é, como elas funcionam, como elas ocorrem. Contudo, isso não pode mostrar à pessoa as inter-relações sutis entre as coisas. Também não pode, de uma maneira mais profunda, mostrar o porquê delas. O discernimento é um exercício individual; é a onda consciente de que está dançando no oceano do Espírito. A sabedoria vem com o aprofundamento da percepção que uma pessoa tem do Absoluto. A compreensão do que é sabedoria é universal - explica o Mestre."

(Swami Kriyananda - Diálogos com Yogananda - Ed. Nova Era, Rio de Janeiro, 2007 - p. 323)


segunda-feira, 25 de maio de 2015

O ENSINO FUNDAMENTAL (PARTE FINAL)


"(...) Cada criança deve aprender, no começo e no fim de cada dia, a lembrar-se de que é uma alma, através de uma simples oração. Isso pode ser conseguido por meio de uma simples invocação, como, por exemplo, a que empregam para esse fim os filhos dos teósofos, que pertencem ao agrupamento denominado 'Cadeia de Ouro do Amor', a qual diz assim: 

'Eu sou um elo da Cadeia de Ouro do Amor, que circunda o mundo, e devo manter meu elo brilhante e forte'. 
'Assim, procurarei ser bom e amável para com todos os seres vivos que encontrar e ainda proteger e ajudar todos aqueles que são mais fracos do que eu'. 
'Farei todo o possível para ter pensamentos puros e belos; para dizer palavras puras e verdadeiras e executar ações puras e nobres. Oxalá cada elo da Cadeia de Ouro torne-se puro e forte". 

A imaginação da criança poderá com facilidade compreender o simbolismo desta bela oração, que encerra a ideia da grande unidade da Vida, mais ampla do que a da própria criança. Uma obra, que ainda está faltando na área educacional, é a de livros didáticos e contos infantis, que apresentassem às crianças a vida universal da Humanidade, estimulando ao mesmo tempo sua imaginação. Poderíamos transformar as crianças em grandes filósofos, se simplesmente compreendêssemos que a filosofia não é um conjunto de sistema definidos ou de escolas, mas de pensamentos, sentimentos e aspirações comuns ao que de melhor existe na humanidade. 

Outro elemento de importância na educação da criança é o ensinamento que lhe possamos dar, através do cuidado com animais e plantas. Estas classes inferiores da criação deviam estar sempre em íntimo contato com sua vida, a fim de que ela se recordasse constantemente que forma parte de uma grande e única cadeia de vida; a fim de que aprendesse que não somente o servir aos seus semelhantes é coisa nobre, senão que também é necessário e proveitoso servir aqueles seres que no plano da vida ocupam lugares inferiores ao seu. Além disso devemos ter presente que cada flor, cada árvore, cada animal irradia uma influência própria e que podemos utilizar esses auxiliares invisíveis para fomentar o desenvolvimento dos bons sentimentos e pensamentos das crianças." 

(C. Jinarajadasa - Teosófica Prática - Ed. Teosófica, Brasília, 2012 - p. 36/38


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

POTENCIAIS INFINITOS (1ª PARTE)

"O psicólogo Karl Pribam diz que cada parte do nosso corpo é um reflexo do todo. Uma consequência dessa interconexão de todas as coisas, especialmente daquelas que causam impacto sobre nosso corpo e nossa saúde, é a noção de que todos os pensamentos, palavras e ações estão armazenados em cada uma de nossas células, e desse modo afetam o bem-estar do indivíduo, que, por sua vez, afeta o bem-estar da consciência universal. 

Os antigos sabiam que, quando eventos específicos ocorriam no plano galáctico, condições específicas manifestavam-se na Terra. O que é agora aparente é que o campo eletromagnético da Terra também exerce efeito profundo em nossa consciência individual e em nossa consciência universal. Esse campo eletromagnético de energia influencia cada aspecto de nossas vidas, inclusive nossas dimensões emocional e espiritual. 

Porém não somos observadores passivos nessa troca, como afirma o físico Fritjof Capra. Em vez disso, somos criadores poderosos que, ao escolher a compaixão à indiferença, a cooperação à competição, o perdão à vingança, o amor ao ódio, a integração à autoafirmação e a síntese à análise, podemos influenciar positivamente o campo eletromagnético, que por sua vez influencia o destino da humanidade. Essa troca de energia é a própria natureza do nosso universo, pois aquilo que John David Mann chama de 'o campo' não apenas 'subjaz a toda existência física' como também exerce influência sobre a consciência, segundo Wynn Free. (...)"

(Julie Jeffrey - A matriz holográfica - Revista Sophia, Ano 10, nº 38 - p. 9)


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O PECADO EQUIVALE À IGNORÂNCIA (2ª PARTE)

"(...) 'Por que o crime é um pecado? Porque a vida que lhe pertence é a mesma de todos os seres. Negar a quem quer que seja o direito de viver é negar a realidade dessa vida universal da qual você, também, é uma manifestação. Em termos de espírito, o crime é um suicídio.

'Por que é pecaminoso roubar? Porque o que você nega aos outros nega também a si próprio, já que o Eu superior dos outros é também seu Eu superior. Invariavelmente, ao fim e ao cabo, o ladrão se torna cada vez mais pobre. Dando ênfase aos desejos egoístas e colocando-os acima da compreensão do seu Eu universal, ele se afasta da verdadeira e única Fonte de vida e de toda a fartura. Roubando dos outros em proveito do ganho egoísta, ele acaba por diminuir a sua verdadeira identidade em vez de, como acredita, aumentá-la.

'Por outro lado, dar de si mesmo aos outros aumenta essa identidade e abre a inesgotável Fonte de abundância.

'Por que é algo pecaminoso dizer mentiras? Porque, pela mentira, a pessoa se afasta da realidade e daquela verdade superior que, sozinha, como afirmou Jesus, 'haverá de libertá-lo'.* Ao contar mentiras, a pessoa se isola do amparo que o universo proporciona gratuita e amorosamente a todos os que vivem em harmonia com as suas leis.

'O mentirosa arruína os fundamentos de todas as coisas que tenta construir neste mundo. Por fim, tudo se torna uma casa construída sobre a areia. As palavras simples de um homem que diz a verdade, por outro lado, são consistentes no universo. (...)"

* João 8:32.

(Paramhansa Yogananda - A Sabedoria de Yogananda, A Essência da Autorrealização - Ed. Pensamento, São Paulo, 2012 - p. 61/62)

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O PROBLEMA DO BEM E DO MAL (2ª PARTE)

"(...) O estudo profundo da natureza e do homem mostra, ao teósofo, pelo menos duas leis universais:

1 - A lei da evolução, que se manifesta pela transformação do simples no complexo, do indiferenciado no diferenciado, do uno no múltiplo (na presente fase). A reencarnação é um dos aspectos humanos da lei da evolução.
2 - A lei da unidade ou interdependência universal, conhecida também como lei de causa e efeito, ou lei do Carma.

O estudo do universo visível e invisível, mostra-nos que a evolução é um processo cósmico, universal, que se manifesta tanto na nebulosa que se acaba transformando num sistema planetário, quanto no mineral que apresenta desde as formas primitivas, até às complexas formas cristalinas; tanto no vegetal em que lobrigamos desde formas simples, unicelulares, microscópicas, até às árvores gigantescas, quanto no animal, em que vemos também as mesmas formas simples, até chegarmos aos mamíferos superiores e ao homem, em que a variedade de tipos físicos, intelectuais e morais, mostra enorme gradação. (...)

Se passarmos a considerar a vida humana, verificaremos que ela é um contínua experiência. Sofrimento e prazer são modalidades de experiência. Comumente associa-se o sofrimento ao mal e o prazer ao bem. Ora, este critério é relativo e por isto mesmo pode ser falso. Conforme o aspecto que se considere, o sofrimento é um mal ou um bem e, por outro lado, uma ação que conduza ao sofrimento pode ser boa ou má. Vejamos. Um homem, no início da evolução humana propriamente dita, é incapaz de compreender e sentir uma emoção elevada, porque o seu intelecto, e portanto o seu corpo mental, é rudimentar e porque, sendo o corpo astral grosseiro, só as emoções fortes podem fazê-lo vibrar. Portanto, é inútil querer transmitir-lhe sentimentos refinado, pois ele só vibrará com paixões fortes, que sacudirão a inércia (o Tamas, dos hindus) do corpo astral, que com isto evoluirá. 

Mas, naturalmente, pelo princípio da interdependência, ou seja do Carma, as paixões grosseiras irão produzir consequências dolorosas. Desta forma, elas foram um bem, porque impulsionaram a evolução - e só elas poderiam impulsioná-la, porque só elas fariam vibrar o corpo astral - e foram um mal, porque conduziram ao sofrimento. Entretanto, no sentido absoluto universal, elas foram um bem, porque a evolução sendo uma lei universal, é um bem e o sofrimento foi o meio pelo qual o entendimento foi desperto, serviu de advertência para que não se repetisse a ação que o gerou. Com a experiência do sofrimento, o homem irá evoluir, ao procurar emoções menos grosseiras e evitar as mais baixas. (...)"

(Alberto Lyra  – O ensino dos mahatmas – IBRASA, São Paulo, 1977 – p. 222/223)
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domingo, 31 de agosto de 2014

BHAGAVAD GITA

"O Bhagavad Gita é amplamente aceito como uma das grandes escrituras da humanidade. Ele contém um apelo universal. Trata da reorganização construtiva da vida, e explica como um homem deve cumprir seus afazeres e ao mesmo tempo compreender seu destino espiritual.

A mensagem principal do Bhagavad Gita é simples: uma pessoa deve cumprir suas obrigações. Se não, incorre em erro. A ação é a lei da vida; sem ação é impossível viver.

Krishna diz que, no caminho espiritual, não é preciso renunciar à ação; as ações executadas com dedicação e atitude adequada ajudam a conduzir a mente ao conhecimento.

Quando o trabalho é feito sem motivação egoísta, torna-se uma forma de adoração. O Bhagavad Gita enfatiza que o mesmo esforço deve ser feito no trabalho para si próprio ou para os outros, e que o esforço deve ser o mesmo, independente do tipo de trabalho.

O trabalho deve ser feito com amor. Todos os deveres são igualmente importantes; quando são cumpridos sem motivação egoísta, a ação torna-se uma expressão de amor. O trabalho dedicado remove todas as impurezas da mente.

O Bhagavad Gita ensina que devemos ‘nivelar’ a mente; devemos encarar do mesmo modo tanto as circunstâncias favoráveis quanto as desfavoráveis. Prazer e dor, ganho e perda, honra e desonra devem ser vistos de modo semelhante. Isso pode ser alcançado com o controle dos desejos, da ira e da ganância, que são os três portais para o inferno. (...)"

(R. K. Langar - Uma fonte perene de inspiração espiritual Bhagavad Gita - Revista Sophia, Ano 2, nº 5 - p. 43)


terça-feira, 10 de junho de 2014

TRABALHANDO A COMPAIXÃO

"É preciso compreender que a afeição de que falo é gratuita, praticada sem intenção de receber algo em troca. Não é uma questão de sentimento. Da mesma forma, dizemos que a verdadeira compaixão é livre de vinculações. É preciso atenção para este princípio, pois vai de encontro à nossa maneira habitual de pensar. Não é este ou aquele caso em especial que estimula a nossa piedade. Não escolhemos esta ou aquela pessoa como objetivo de nossa compaixão. A compaixão é despertada espontaneamente, é incondicional, sem qualquer expectativa de receber algo em troca. E é de alcance universal.

Sentir compaixão não é o bastante. É preciso agir. A ação pressupõe dois momentos: o primeiro é quando vencemos as distorções e aflições de nossa própria mente, aplacando ou até mesmo nos livrando da raiva. Este momento é fruto da compaixão. O segundo é de caráter social, de âmbito público. Quando alguma atitude precisa ser tomada para corrigir erros neste mundo e a pessoa está sinceramente preocupada com seus semelhantes, então tem de se engajar, se envolver.

Se você aprofunda a sua prática espiritual dando ênfase à sabedoria e à compaixão, torna-se cada vez mais suscetível ao sofrimento de seus semelhantes e desenvolve a capacidade de reconhecer o sofrimento alheio, de reagir a esse sofrimento e de sentir uma profunda compaixão em vez de apatia ou impotência."

(Sua Santidade o Dalai-Lama - O Caminho da Tranquilidade – Ed. Sextante, Rio de Janeiro, 2000 - p. 26/27)