OBJETIVOS DO BLOGUE

Olá, bem-vindo ao blog "Chaves para a Sabedoria". A página objetiva compartilhar mensagens que venham a auxiliar o ser humano na sua caminhada espiritual. Os escritos contém informações que visam fornecer elementos para expandir o conhecimento individual, mostrando a visão de mestres e sábios, cada um com a sua verdade e experiência. Salientando que a busca pela verdade é feita mediante experiências próprias, servindo as publicações para reflexões e como norte e inspiração na busca da Bem-aventurança. O blog será atualizado com postagens de textos extraídos de obras sobre o tema proposto. Não defendemos nenhuma religião em especial, mas, sim, a religiosidade e a evolução do homem pela espiritualidade. A página é de todos, naveguem a vontade. Paz, luz, amor e sabedoria.

Osmar Lima de Amorim


quinta-feira, 12 de março de 2026

NA DIREÇÃO DO BEM

"O Senhor tudo criou na direção do bem. 

Todas as criaturas, por isto, são chamadas a produzir proveitosamente. 

A erva tenra sustenta os animais. 

A fonte oculta socorre o inseto humilde. 

A árvore é abençoada companheira dos homens. 

A flor produzirá fruto. 

O fruto dar-nos-á mesa farta. 

O rio distribui as águas. 

A chuva lava o céu e sacia a terra sedenta. 

A pedra faz o alicerce de nossa casa. 

A boa palavra revela o bom caminho. 

Como desconhecer os santos propósitos da vida, se a natureza que a sustenta reflete os sábios desígnios da Providência? 

Grande escola para o nosso espírito, a Terra é um livro gigantesco em que podemos ler a mensagem de amor universal que o Pai Celeste nos envia. 

Desde a gota de orvalho que alimenta o cacto espinhoso, à luz do Sol que brilha no alto para todos os seres, podemos sentir o apelo da Infinita Sabedoria ao serviço de cooperação na felicidade, na paz e na alegria dos semelhantes. 

Todo homem e toda mulher nascem no mundo para tarefas santificantes, segundo a Divina Lei. 

Com alegria, o bom administrador governa os interesses do povo. 

Com alegria, o bom lavrador ara o solo e protege a sementeira. 

O homem que semeia no chão, garantindo a subsistência das criaturas, é irmão daquele que dirige o pensamento das nações para o conhecimento divino. 

A mulher que recebe homenagens pelas suas virtudes públicas é irmã daquela que, na intimidade do lar, se sacrifica pela criancinha doente. 

Deus conhece as pessoas pelo que produzem, assim como nós conhecemos as árvores pelos frutos que nos estendem. 

Em razão disto, os homens bons são amados e respeitados. 

A presença deles atrai o carinho e a veneração dos semelhantes. Os maus, todavia, são portadores de ações e palavras indesejáveis e toda gente lhes evita o convívio, tanto quanto nos afastamos das plantas espinhosas e ingratas. 

O homem bom compreende que a vida lhe pede a bênção do serviço e levanta-se cada manhã, pensando: — 'Que belo dia para trabalhar!' 

O mau, porém, ergue-se de mau humor. Não sabe sorrir para os que o cercam e costuma exclamar: — 'Dia terrível! Que destino cruel! Detesto o trabalho e odeio a vida!' 

Um homem, qual esse, precisa de auxílio dos homens bons, porque em não se dedicando ao serviço digno será realmente muito infeliz." 

Extraído do livro "Alvorada Cristã", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito Néio Lúcio, item 2, p. 6.
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terça-feira, 10 de março de 2026

O PRÓXIMO

"O próximo, em cada minuto, é aquele coração que se acha mais próximo do nosso, por divina sugestão de amor no caminho da vida. 

No lar, é a esposa e o esposo, os pais e os filhos, os parentes e os hóspedes. 

No templo do trabalho comum, é o chefe e o subordinado, o cooperador e o companheiro. 

Na via pública, é o irmão ou o amigo anônimo que nos partilham a mesma estrada e o mesmo clima. 

Na esfera social, é a criança e o doente, o desesperado e o triste, as afeições e os laços da solidariedade comum. 

Na luta contundente do esforço humano, é o adversário e o colaborador, o inimigo declarado ou oculto ou, ainda, o associado de ideais que nos surgem por instrutores. 

Em toda parte, encontrarás o próximo, buscando-te a capacidade de entender e de ajudar. 

Auxilia aos outros com aquilo que possuas de melhor. 

Os santos e os heróis ainda não residem na Terra. 

Somos espíritos humanos, mistos de luz e sombra, amor e egoísmo, inteligência e ignorância. 

Cada homem, na fase evolutiva em que nos encontramos, traz uma auréola incompleta de rei e uma espada de tirano. 

Se chamas o fidalgo, encontrarás um servidor. 

Se procuras o guerreiro, terás um inimigo feroz pela frente. 

Por isso mesmo, reafirmou Jesus o antigo ensinamento da Lei: - 'ama o próximo, como a ti mesmo'. 

É que o espírito, quando ama verdadeiramente, encontra mil meios de auxiliar, a cada instante, e o próximo, na essência, é o degrau que nos aparece diante do coração, por abençoado caminho de acesso à Vida Celestial."

Extraído do livro "Assim Vencerás", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito Emmanuel, p. 5.
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quinta-feira, 5 de março de 2026

SEM RUÍDOS

"'Mas quando vier aquele Espírito de Verdade, ele vos guiará em toda a verdade. - Jesus.
(João, 16:13). 

O caminho de toda a Verdade é Jesus Cristo. O Mestre veio ao mundo instalar essa verdade para que os homens fossem livres e organizou o programa dos cooperadores de seu divino trabalho, para que se preparasse convenientemente o caminho infinito. No fim da estrada, colocou a redenção e deu às criaturas o amor como guia.

Conforme sabemos, o guia é um só para todos. E vieram os homem para o serviço divino. Com os cooperadores vinham, porém, os gênios sombrios, que se ombreavam com eles nas cavernas da ignorância.

A religião, como expressão universalista do amor, que é o guia, pairou sempre pura, acima das misérias que chegaram ao grande campo; mas, este ficou repleto das absurdidades. O caminho foi quase obstruído. 

A ambição exigiu impostos dos que desejavam passar, o orgulho reclamou a direção dos movimentos, a vaidade pediu espetáculos, a conveniência requisitou máscaras, a política interior estabeleceu guerras, a separatividade provocou a hipnose do sectarismo. 

O caminho ficou atulhado de obstáculos e sombras e o interessado, que é o espírito humano, encontra óbices infinitos para a passagem.

O quadro representa uma resposta e quantos perguntarem sobre os propósitos do Espiritismo cristão, sendo que o homem já conhece dotos os deveres religiosos. Ele é aquele Espírito de Verdade que vem lutar contra os gênios sombrios que vieram das cavernas da ignorância e invadiram o campo do Cristo.

Mas, guerrear como: Jesus não pediu a morte de ninguém. Sim, o Espírito da Verdade vem como a luz que combate e vence as sombras, sem ruídos. Sua missão é transformar, iluminando o caminho, para que os homens vejam o amor, que constitui o guia único para todos, até à redenção."

Extraído do livro "Segue-me", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito EmmanuelCasa Editora O ClarimMatão/SP, p. 23/24.
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terça-feira, 3 de março de 2026

A ESCOLA DAS ALMAS

"Congregados, em torno do Cristo, os domésticos de Simão ouviram a voz suave e persuasiva do Mestre, comentando os sagrados textos.

Quando a palavra divina terminou a formosa preleção, a sogra de Pedro indagou, inquieta:

- Senhor, afinal de contas, que vem a ser a nossa vida no lar?

Contemplou-a Ele, significativamente, demonstrando a expectativa de mais amplos esclarecimentos, e a matrona acrescentou:

- Iniciamos a tarefa entre flores para encontrarmos depois pesada colheita de espinhos. No começo, é a promessa de paz e compreensão; entretanto, logo após, surgem pedras e dissabores...

Reparando que a senhora galileia se sensibilizara até às lágrimas, deu-se pressa Jesus em responder:

- O lar é a escola das almas, o templo onde a sabedoria divina nos habilita, pouco a pouco, ao grande entendimento da humanidade.

E, sorrindo, perguntou:

- Que fazes inicialmente às lentilhas, antes de servi-las à refeição?

A interpelada respondeu, titubeante:

- Naturalmente, Senhor, cabe-me levá-las ao fogo para que se façam suficientemente cozidas. Depois, devo temperá-las, tornando-as agradáveis ao sabor.

- Pretenderias, também, porventura, servir pão cru à mesa?

- De modo algum - tornou a velha humilde -, antes de entregá-lo ao consumo caseiro, compete-me guardá-lo ao calor do forno. Sem essa medida...

O divino Amigo então considerou:

- Há também um banquete festivo, na vida celestial, onde nossos sentimentos devem servir à glória do Pai. O lar, na maioria das vezes, é o cadinho santo ou o forno preparador. O que nos parece aflição ou sofrimento dentro dele é recurso espiritual. O coração acordado para a vontade do Senhor retira as mais luminosas bênçãos de suas lutas renovadoras, porque, somente aí, de encontro uns com os outros, examinando aspirações e tendências que não são nossas, observando defeitos alheios e suportando-os, aprendemos a desfazer as próprias imperfeições. Nunca notou a rapidez da existência de um homem? A vida carnal é idêntica à flor da erva. Pela manhã emite perfume; à noite, desaparece... O lar é um curso ligeiro para a fraternidade que desfrutaremos na vida eterna. Sofrimentos e conflitos naturais, em seu círculo, são lições.

A sogra de Simão escutou, atenciosa, e ponderou:

- Senhor, há criaturas, porém, que lutam e sofrem; no entanto, jamais aprendem.

O Cristo pousou na interlocutora os olhos muito lúcidos e tornou a indagar:

- Que fazes das lentilhas endurecidas que não cedem à ação do fogo?

- Ah! sem dúvida, atiro-as ao monturo, porque feririam a boca do comensal descuidado e confiante.

- Ocorre o mesmo terminou o Mestre com a alma rebelde às sugestões edificantes do lar. A luta comum mantém a fervura benéfica; todavia, quando chega a morte, a grande selecionadora do alimento espiritual para os celeiros de nosso Pai, os corações que não cederam ao calor santificante, mantendo-se na mesma dureza, dentro da qual foram conduzidos ao forno bendito da carne, serão lançados fora, a fim de permanecerem, por tempo indeterminado, na condição de adubo, entre os detritos da natureza."

Extraído do livro "Jesus no Lar", de Chico Xavier, pelo Espírito Neio LúcioFEB, Brasília, p. 11/13.
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

O PERISPÍRITO

"Como será o tecido sutil da espiritual roupagem que o homem envergará, sem o corpo de carne, além da morte? 

Tão arrojada é a tentativa de transmitir informes sobre a questão aos companheiros encarnados, quão difícil se faria esclarecer à lagarta com respeito ao que será ela depois de vencer a inércia da crisálida. 

Colado ao chão ou à folhagem, arrastando-se, pesadamente, o inseto não desconfia que transporta consigo os germes das próprias asas. 

O perispírito é, ainda, corpo organização que, representando o molde fundamental da existência para o homem, subsiste, além do sepulcro, de conformidade com o seu peso específico. 

Formado por substâncias químicas que transcendem a série estequiogenética conhecida até agora pela ciência terrena, é aparelhagem de matéria rarefeita, alterando-se, de acordo com o padrão vibratório do campo interno. 

Organismo delicado, extremo poder plástico, modifica-se sob o comando do pensamento. É necessário, porém, acentuar que o poder apenas existe onde prevaleçam a agilidade e a habilitação que só a experiência consegue conferir. 

Nas mentes primitivas, ignorantes e ociosas, semelhante vestidura se caracteriza pela feição pastosa, verdadeira continuação do corpo físico, ainda animalizado ou enfermiço. 

O progresso mental é o grande doador de renovação ao equipamento do espírito em qualquer plano de evolução. 

Note-se, contudo, que não nos reportamos aqui ao aperfeiçoamento interior. 

O crescimento intelectual, com intensa capacidade de ação, pode pertencer a inteligências perversas. Daí a razão de encontrarmos, em grande número, compactas falanges de entidades libertas dos laços fisiológicos, operando nos círculos da perturbação e da crueldade, com admiráveis recursos de modificação nos aspectos em que se exprimem. 

Não adquiriram, ainda, a verticalidade do Amor que se eleva ao santuários divinos, na conquista da própria sublimação, mas já se iniciaram na horizontalidade da Ciência com que influenciam aqueles que, de algum modo, ainda lhes partilham a posição espiritual. 

Os 'anjos caídos' não passam de grandes gênios intelectualizados com estreita capacidade de sentir. 

Apaixonados, guardam a faculdade de alterar a expressão que lhes é própria, fascinando e vampirizando nos reinos inferiores da natureza. 

Entretanto, nada foge à transformação e tudo se ajusta, dentro do Universo, para o geral aproveitamento da vida. 

A ignorância dormente é acordada e aguilhoada pela ignorância desperta. 

A bondade incipiente é estimulada pela bondade maior. 

O perispírito, quanto à forma somática, obedece a leis de gravidade, no plano a que se afina. 

Nossos impulsos, emoções, paixões e virtudes nele se expressam fielmente. Por isso mesmo, durante séculos e séculos no demoraremos nas esferas da luta carnal ou nas regiões que lhes são fronteiriças, purificando a nossa indumentária e embelezando-a, a fim de preparar, segundo o ensinamento de Jesus, a nossa veste nupcial para o banquete do serviço divino." 

Extraído do livro "Roteiro" de Francisco Cândido Xavier/Emmanuel, p. 15/16.
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

CAMINHOS CRUZADOS

"'Sabendo primeiro isto: que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências'.
(II Pedro, 3:33).

De todos os elementos que tentam perturbar as obras divinas, os escarnecedores são os mais dignos de piedade fraternal. É que são enfermos pouco suscetíveis de medicação, em vista de serem profundamente ignorantes ou profundamente perversos.

O escarnecedor costuma aproximar-se dos trabalhadores fiéis das ideias novas, exigindo-lhes provas concludentes das afirmações espirituais que lhes constituem a divina base do trabalho no mundo.

É interessante, porém, observar que pedem tudo, sem se disporem a dar coisa alguma. Querem provas da verdade; contudo, não abandonam as cavernas mentais em que vivem usualmente, nem mesmo para vê-las. Querem demonstrações espirituais, agarrados, à maneira de vermes, aos fenômenos materiais. Os infelizes não percebem que se emparedaram no desconhecimento da vida, ou no egoísmo, que, lhe agrava os instintos perversos. E tocam a rir nos caminhos do mundo, copiando os histriões da irresponsabilidade e da indiferença. Zombam de todas as reflexões sérias, mofam de todos os ideais do bem e da luz... Movimentam nobres patrimônios intelectuais, no esforço de destruir e, por vezes, conseguem cavar fundo abismo onde se encontram.

Os aprendizes sinceros do Evangelho devem, todavia, saber que semelhantes desviados andarão na Terra, segundo as próprias concupiscências. São folhas conscientes do mal que só a Misericórdia Divina poderá transformar, ao sublime sopro de suas renovações. É preciso não perder tempo com essa classe de perturbadores renitentes, nas atividades do bem. São expoentes do escárnio, condenados a receber as consequências dele. Por si mesmos, já são bastante desventurados.

Se, algum dia, cruzaram-te o caminho, suporta-os com paciência e entrega-os a Deus."

Extraído do livro "Segue-me", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito EmmanuelCasa Editora O ClarimMatão/SP, p. 7/8.
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

SINAL DE AMOR

"E saíram os fariseus e começaram a disputar com ele, pedindo-lhe, para o tentarem, um sinal do céu."
(João, 8:11).

No Espiritismo cristão, de quando a quando aparecem aprendizes do Evangelho, sumamente interessados em atender a certas solicitações, no capítulo dos fenômenos psíquicos.

Buscam sinais tangíveis, incontestáveis. Mas, na maioria das vezes, o movimento não passa de repetição do gesto dos fariseus antigos. Médiuns e companheiros outros não se precatam de que os pedidos de demonstrações do céu são formulados por tentação. Há İlações lógicas no assunto, que cabe não desprezar.

Se um espírito permanece encarnado na Terra, como poderá fornecer sinais de Júpiter? Se as solicitações dessa natureza endereçadas ao próprio Cristo foram consideradas como gênero de tentação ao Mestre, pelo Evangelho, com que direito poderão impô-las os discípulos novos aos seus amigos do invisível? Ao contrário disto, os aprendizes fieis devem estar preparados ao fornecimento de demonstrações da Terra. É justo que o cristão não possa proteger uma tela mágica sobre as nuvens errantes, mas pode revelar como exerce o ministério da fraternidade no mundo. Nunca desdobrará a paisagem total onde se movimentam os seres invisíveis, mas está habilitado a prestar colaboração no esclarecimento dos homens do porvir.

Quem solicite sinais do céu pode ser ignorante e portador de má fé; entretanto, os que tentem satisfazê-los andam muito distraídos do que aprenderam com o Cristo. Se te requisitam demonstrações estranhas, podes replicar, com segurança, que não estás designado à produção de maravilhas e explicar a teu irmão, que permaneces determinado a aprender com o Mestre, a fim de ofereceres à Terra o teu sinal de amor e luz, firme na fé, por não sucumbires às tentações.

Extraído do livro "Segue-me", de Francisco Cândido Xavier, ditado pelo Espírito Emmanuel, Casa Editora O Clarim, Matão/SP, p. 3/4.
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

MOTIVOS DE RESIGNAÇÃO

"12. Por estas palavras: Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados, Jesus indica, ao mesmo tempo, a compensação que espera os que sofrem e a resignação que abençoa o sofrimento como prelúdio da cura.

Essas palavras também podem ser traduzidas assim: deveis considerar-vos felizes por sofrerdes, porque as vossas dores deste mundo são o pagamento da dívida das vossas faltas passadas, e essas dores, quando suportadas pacientemente na Terra, vos poupam séculos de sofrimentos na vida futura. Deveis, pois, sentir-vos felizes por Deus haver reduzido a vossa dívida, permitindo que a saldeis agora, o que vos garantirá tranquilidade no futuro.

O homem que sofre é semelhante a um devedor de grande quantia, a quem o credor diz: 'Se me pagares hoje mesmo a centésima parte do teu débito, dar-te-ei a quitação do restante e ficarás livre; se não o fizeres, eu te perseguirei até que pagues o último centavo'. O devedor não se sentiria feliz por suportar toda espécie de privações para se libertar, pagando apenas a centésima parte do que deve? Em vez de se queixar do seu credor, não lhe ficará agradecido?

Tal é o sentido destas palavras: 'Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados'. São felizes porque pagam suas dívidas, e após o pagamento estarão livres. Mas se, saldando a dívida de um lado, endividam--se de outro, jamais se libertarão. Ora, cada nova falta aumenta a dívida, porque não há uma só delas, qualquer que seja, que não traga consigo a própria punição, necessária e inevitável. Se não for hoje, será amanhã; se não for nesta vida, será em outra. Entre essas faltas, devemos colocar em primeiro lugar a falta de submissão à vontade de Deus. Logo, se murmurarmos nas aflições, se não as aceitarmos com resignação e como algo que devemos ter merecido, se acusarmos a Deus de ser injusto, contraímos nova dívida, que nos faz perder o fruto que devíamos colher do sofrimento. É por isso que teremos de recomeçar, absolutamente como se, a um credor que nos atormente, pagássemos uma quantia e a tomássemos de novo por empréstimo.

Ao entrar no mundo dos Espíritos, o homem ainda está como o operário que comparece no dia do pagamento. A uns, dirá o patrão: 'Eis o prêmio dos teus dias de trabalho'; a outros, aos felizes da Terra, aos que hajam vivido na ociosidade, que puseram sua felicidade nas satisfações do amor-próprio e nos gozos mundanos, dirá: 'Nada tendes a receber, porque já recebestes o vosso salário na Terra. Ide e recomeçai a tarefa'."

Extraído do livro "O Evangelho Segundo o Espiritismo", Cap. V, item 12, de Allan Kardec, FEB, Brasília/DF, p. 80/81.
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O GRANDE EDUCANDÁRIO

"De portas abertas à glória do ensino, a Terra, nas linhas da atividades carnal, é, realmente, um universidade sublime, funcionando, em vários cursos e disciplinas, com dois bilhões de alunos, aproximadamente, matriculados nas várias raças e nações. 

Mais de vinte bilhões de almas conscientes, desencarnadas, sem nos reportarmos aos bilhões de inteligências sub-humanas que são aproveitadas nos múltiplos serviços do progresso planetário, cercam o domicílio terrestre, demorando-se noutras faixas de evolução. 

Para a maioria dessas criaturas, necessitadas de experiência nova e mais ampla, a reencarnação não é somente um impositivo natural mas também um prêmio pelo ensejo de aprendizagem. 

Assim é que, sob a iluminada supervisão das Inteligências Divinas, cada povo, no passado ou no presente, constitui uma seção preparatória da Humanidade, à frente do porvir. 

Ontem, aprendíamos a ciência no Egito, a espiritualidade na Índia, o comércio na Fenícia, a revelação em Jerusalém, o direito em Roma e filosofia na Grécia. Hoje, adquirimos a educação na Inglaterra, a arte na Itália, a paciência na China, a técnica industrial na Alemanha, o respeito à liberdade na Suíça e a renovação espiritual nas Américas

Cada nação possui tarefa especifica no aprimoramento do mundo. E ainda mesmo quando os blocos raciais, em desvairo, se desmandam na guerra, movimentam-se à procura de valores novos no próprio engrandecimento. 

Nós círculos do Planeta, vemos as mais primitivas comunidades dirigindo-se para as grandes aquisições culturais. 

Se é verdade que a civilização refinada de hoje voa, pelo mundo, contornando-o em algumas horas, caracterizando-se pelos mais altos primores da inteligência, possuímos milhões de irmãos pela forma, infinitamente distantes do mundo moral. Quase nada diferindo dos irracionais, não conseguiram ainda fixar a mínima noção de responsabilidade. 

Os anões docos da Abissínia, sem qualquer vestuário e pronunciando gritos estranhos à guisa de linguagem, mais se assemelham aos macacos. 

Os nossos irmãos negros de Kytches passam os dias estirados no chão, à espera de ratos com que possam mitigar a própria fome. 

Entre grande parte dos africanos orientais, não existe ligação moral entre pais e filhos. 

Os Latucas, no interior da África, não conhecem qualquer sentimento de compaixão ou dever. 

Remanescentes dos primitivos habitantes das Filipinas erram nas montanhas, à maneira de animais indomesticáveis. 

E, não longe de nós, os botocudos, entregues à caça e à pesca, são exemplares terríveis de bruteza e ferocidade. 

No imenso educandário, há tarefas múltiplas e urgentes para todos os que aprendem que a vida é movimento, progresso, ascensão. 

Na fé religiosa como na administração dos patrimônios públicos, na arte tanto quanto na indústria, nas obras de instrução como nas ciências agrícolas, a individualidade encontra vastíssimo campo de ação, com dilatados recursos de evidenciar-se. 

O trabalho é a escada divina de acesso aos lauréis imarcescíveis do espírito. 

Ninguém precisa pedir transferência para Júpiter ou Saturno, a fim de colaborar na criação de novos céus. A Terra, nossa casa e nossa oficina, em plena paisagem cósmica, espera por nós, a fim de que a convertamos em glorioso paraíso." 

Extraído do livro "Roteiro" de Francisco Cândido Xavier/Emmanuel, p. 21/22.
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

A ARTE DA ACEITAÇÃO

"'O homem pode abrandar ou aumentar a amargura das suas provas pela maneira que encara a vida terrestre...'
'... contentar-se com sua posição sem invejar a dos Outros, de atenuar a impressão moral dos reveses e das decepções que experimenta; ele haure nisso uma calma e uma resignação...'
(Capítulo 5, item 13.)

Aceitar nossa realidade tal qual é representa um ato benéfico em nossa vida. Aceitação traz paz e lucidez mental, o que nos permite visualizar o ponto principal da partida e realizar satisfatoriamente nossa transformação interior.

Só conseguimos modificar aquilo que admitimos e que vemos claramente em nós mesmos, isto é, se nos imaginarmos outra pessoa, vivendo em outro ambiente, não teremos um bom contato com o presente e, consequentemente, não depararemos com a realidade.

A propósito, muitos de nós fantasiamos o que poderíamos ser, não convivendo, porém, com nossa pessoa real. Desgastamos dessa forma uma enorme energia, por carregarmos constantemente uma série de máscaras como se fossem utilitários permanentes.

A atitude de aceitação é quase sempre característica dos adultos serenos, firmes e equilibrados, à qual se soma o estímulo que possuem de senso de justiça, pois enxergam a vida através do prisma da eternidade. Esses indivíduos retêm um considerável “coeficiente evolutivo”, do qual se deduz que já possuem um potencial de aceitação, porquanto aprenderam a respeitar os mecanismos da vida, acumulando pacificamente as experiências necessárias a seu amadurecimento e desenvolvimento espiritual.

Quando não enfrentamos os fatos existenciais com plena aceitação, criamos quase sempre uma estrutura mental de defesa. Somos levados a reagir com “atitudes de negação”, que são em verdade molas que abrandam os golpes contra nossa alma. São consideradas fenômeno psicológico de 'reação natural e instintiva' às dores, conflitos, mudanças, perdas e deserções e que, por algum tempo, nos alivia dos abalos da vida, até que possamos reunir mais forças, para enfrentá-los e aceitá-los verdadeiramente no futuro.

Não negamos por ser turrões ou teimosos, como pensam alguns; não estamos nem mesmo mentindo a nós próprios. Aliás, 'negar não é mentir', mas não se permitir “tomar consciência” da realidade.

Talvez esse mecanismo de defesa nos sirva durante algum tempo; depois passa a nos impedir o crescimento e a nos danificar profundamente os anseios de elevação e progresso.

Autoaceitação é aceitar o que somos e como somos. Não a confundamos como uma 'rendição conformada', e que nada mais importa. De fato, acontece que, ao aceitar-nos, inicia-se o fim da nossa rivalidade com nós mesmos. A partir disso, ficamos do lado da nossa realidade em vez de combatê-la.

Diz o texto: 'O homem pode abrandar ou aumentar a amargura das suas provas pela maneira que encara a vida terrestre'. Aceitação é bem uma maneira nova de 'encarar' as circunstâncias da vida, para que a 'força do progresso' encontre espaços e não mais limites na alma até então restrita, pois a 'vida terrestre' nada mais é do que o relacionar-se consigo mesmo e com os outros no contexto social em que se vive.

Aceitar-se é ouvir calmamente as sugestões do mundo, prestando atenção nos 'donos da verdade' e admitindo o modo de ser dos outros, mas permanecer respeitando a nós mesmos, sendo o que realmente somos e fazendo o que achamos adequado para nós próprios.

Em vista disso, concluímos que aceitação não é adaptar-se a um modo conformista e triste de como tudo vem acontecendo, nem suportar e permitir qualquer tipo de desrespeito ou abuso à nossa pessoa; antes, é ter a habilidade necessária para admitir realidades, avaliar acontecimentos e promover mudanças, solucionando assim os conflitos existenciais. E sempre caminhar com autonomia para poder atingir os objetivos pretendidos." 

Extraído do livro "Renovando Atitudes", de Francisco do Espírito Santo Neto, pelo espírito Hammed, site: www.ebookespirita.org., p. 70/71.
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

CRISES DO CORAÇÃO

"'[…] Se a luz da verdade penetrou sua alma, ela tirará sua consolação em sua fé no futuro; de resto, à medida que os preconceitos se enfraquecerem, as causas dessas infelicidades íntimas desaparecerão também.' (O Livro dos Espíritos – Questão 940 a – Boa Nova Editora

Sentimentos nublados saem de teu plexo cardíaco, amargurando-te penosamente. 

Tens desilusão e sofres com a soledade. Sentes falta de alguém junto de ti, que possa compartilhar tuas alegrias e tuas dores, uma alma companheira e querida que te nutra de esperança e amor. 

Em muitas circunstâncias, a necessidade de uma descoberta amorosa torna-se uma compulsão, agravada pela pressão social da vida a dois. Quando a criatura não consegue realizar tal façanha, trava verdadeira guerra contra os conflitos da própria natureza

A busca pela formação do casal é, portanto, mais do que um assunto pessoal; é uma pressão coletiva. Não realizar esse propósito pode gerar frustrações e estados de carência e insuficiência. 

Haverá períodos em que toda a tua determinação e coragem serão necessárias para poderes administrar os anseios de tua alma, jamais imaginando ou supondo as coisas de antemão, sem base objetiva e real. 

Os embates íntimos sempre ocorrerão entre a realidade e o preconceito, entre a consciência e a inconsciência

Não te prendas aos preconceitos referentes ao afeto e à afeição. Busca renovar teus conceitos de amor, não somente quanto aos outros, mas também em relação a ti mesmo. 

Ninguém pode viver a tua vida; as pessoas devem servir de espelhos em nossa caminhada, mas não são 'itens de primeira necessidade'. Necessitar é diferente de compartilhar. 

Nenhuma criatura é teu salvador, por isso, não peças amor; dá amor sempre e não te prendas a ilusões nem exijas dos outros mais do que eles possam te dar…" 

Extraído do livro "A Busca do Melhor", de Francisco do Espírito Santo Neto, ditado por Hammed, Boa Nova Editora, Catanduva/SP, item 5.
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O CULTO CRISTÃO NO LAR

"Povoara-se o firmamento de estrelas, dentro da noite prateada de luar, quando o Senhor, instalado provisoriamente em casa de Simão Pedro, tomou os Sagrados Escritos e, como se quisesse imprimir novo rumo à conversação que se fizera improdutiva e menos edificante, falou com bondade:

- Simão, que faz o pescador quando se dirige para o mercado com os frutos de cada dia?

O Apóstolo pensou alguns momentos e respondeu, hesitante:

- Mestre, naturalmente, escolhemos os peixes melhores.

Ninguém compra os resíduos da pesca.

Jesus sorriu e perguntou, de novo:

- E o oleiro? que faz para atender à tarefa a que se propõe?

- Certamente, Senhor - redarguiu o pescador, intrigado -, modela o barro, imprimindo-lhe a forma que deseja.

O Amigo celeste, de olhar compassivo e fulgurante, insistiu:

- E como procede o carpinteiro para alcançar o trabalho que pretende?

O interlocutor, muito simples, informou sem vacilar:

- Lavrará a madeira, usará o enxó e o serrote, o martelo e o formão. De outro modo, não aperfeiçoará a peça bruta.

Calou-se Jesus, por alguns instantes, e aduziu:

- Assim, também, é o lar diante do mundo. O berço doméstico é a primeira escola e o primeiro templo da alma. A casa do homem é a legítima exportadora de caracteres para a vida comum. Se o negociante seleciona a mercadoria, se o marceneiro não consegue fazer um barco sem afeiçoar a madeira aos seus propósitos, como esperar uma comunidade segura e tranquila sem que o lar se aperfeiçoe? A paz do mundo começa sob as telhas a que nos acolhemos. Se não aprendemos a viver em paz, entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações? Se nos não habituamos a amar o irmão mais próximo, associado à nossa luta de cada dia, como respeitar o eterno Pai que nos parece distante?

Jesus relanceou o olhar pela sala modesta, fez pequeno intervalo e continuou:

- Pedro, acendamos aqui, em torno de quantos nos procuram a assistência fraterna, uma claridade nova. A mesa de tua casa é o lar de teu pão. Nela, recebes do Senhor o alimento para cada dia. Por que não instalar, ao redor dela, a sementeira da felicidade e da paz na conversação e no pensamento? O Pai, que nos dá o trigo para o celeiro, através do solo, envia-nos a luz através do céu. Se a claridade é a expansão dos raios que a constituem, a fartura começa no grão. Em razão disso, o Evangelho não foi iniciado sobre a multidão, mas sim no singelo domicílio dos pastores e dos animais.

Simão Pedro fitou no Mestre os olhos humildes e lúcidos e, como não encontrasse palavras adequadas para explicar-se, murmurou, tímido:

- Mestre, seja feito como desejas.

Então Jesus, convidando os familiares do Apóstolo à palestra edificante e à meditação elevada, desenrolou os escritos da sabedoria e abriu, na Terra, o primeiro culto cristão do lar."

Extraído do livro "Jesus no Lar", de Chico Xavier, pelo Espírito Neio Lúcio, FEB, Brasília, p. 9/10.
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

CONFIANDO E SERVINDO

"Quantas vezes a nave de nossas tarefas é compelida a romper maré alta!... 

Não importam dificuldade, ventania, tormenta, ameaça... 

Seguir sempre em busca do porto seguro dos nossos objetivos. 

Quanto mais nos sustentarmos firmes no domínio da união, mais amplos recursos para a obra a desenvolver. 

Urge reconhecer que temos, pela frente, numerosos deveres a cumprir, notadamente no setor da divulgação de nossos princípios. 

Nesse sentido é forçoso observar que os agentes da perturbação e da agitação criam o clima adequado ao trabalho que nos compete. 

Nunca desanimar, por isso, diante de lutas e desconsiderações, conflitos e empeços. 

Abstermo-nos sempre de participação no entrechoque das forças habituadas à sombra e sim aproveitar os momentos de indagação para responder certo. 

Lá fora, no plano externo de nossa construção espiritual, que a tempestade ruja e avance... no entanto que, por dentro de nossa edificação, haja entendimento e luz suficientes a fim de que os caminhos a percorrer se façam claros. 

Dificuldades e crises nos oferecem a medida exata do serviço a erguer-se com as sugestões necessárias para o levantamento do bem. 

Que outros arrastem para a arena da discussão e do azedume os temas da inquietação e da intemperança mental. 

De nossa parte, estejamos naquela atitude de oração e vigilância, isto é, confiando e servindo em nome do Senhor."

Extraído do livro "Mais Luz", de Francisco Cândido Xavier, pelo espírito Batuíra, p. 13.                          Imagem: Pinterest 



 


terça-feira, 27 de janeiro de 2026

DENTRE OS OBREIROS

"Dos obreiros que se te fizeram colaboradores e amigos, no campo do bem, conhecerás muitos deles na condição de representantes de faixas diversas da evolução humana: aqueles que começam entusiasticamente, na trilha da obra, lançando arrojados planos de ação, e abandonam o apostolado nos alicerces, com receio do sacrifício; 

os que chegam otimistas, louvando as perspectivas do trabalho, e deixam a tarefa, assim que lhe observam a complexidade e a extensão; 

os que recolheram benefícios da seara e regressaram a ela, prometendo auxílio e reconhecimento, mas largam-na, às vezes de improviso, tão logo se vejam chamados a aprender quanto custa o esforço da sementeira; 

os que formulam projetos avançados de renovação, sob o pretexto de se atender ao progresso, e retiram-se quando observam quanto suor e quanta distância existem sempre entre a teoria e a realização; 

os que supõem na gleba um filão de recursos fáceis e fogem dela logo que tomam pessoalmente o peso da charrua de obrigações que lhes compete movimentar. 

Entretanto, ao lado desses cooperadores, sem dúvida respeitáveis, mas ainda inabilitados para os compromissos de longa duração, encontrarás aqueles outros, os que conhecem a importância da paz de espírito e não se arredam da empreitada que lhes coube, prosseguindo no desempenho dos deveres que abraçaram, ainda mesmo quando isso lhes custe o pão amassado com lágrimas, nos testemunhos de fé e abnegação, dia por dia. 

Forma entre esses que se mostram decididos a pagar o preço da própria ascensão e reconhecerás para logo que o obreiro digno do salário da felicidade e da paz, nos erários da vida eterna, será sempre aquele que caminha para a frente com a obra no pensamento e no coração, a pleno esquecimento de si mesmo, trabalhando e servindo, compreendendo e auxiliando, amando e construindo, a serviço do bem de todos, até o fim."

Extraído do livro "Rumo Certo", de Chico Xavier, pelo Espírito Emmanuel, Coleção Emmanuel, FEB, p. 43.
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

ORAI PELOS QUE VOS PERSEGUEM

"O conselho de Jesus, no que se refere à oração pelos nossos perseguidores não se baseia tão-somente na lei universal da bondade para com os semelhantes. 

Vai mais além. Fundamenta-se no princípio justo das correspondências. 

O ódio, o crime, a calúnia segregam forças perniciosas e destrutivas. O perseguidor encarcera-se no abismo das inquietações; o criminoso, onde estiver, é prisioneiro da consciência, guardado pelo remorso, então transformado em sentinela vigilante; o caluniador envolve-se na peçonha dos próprios atos. Emitem pensamentos destruidores, como o pântano os elementos mortíferos. 

Na lei das forças, que rege todos os fenômenos da vida, os semelhantes atraem se uns aos outros. Odiar aos que odeiam, retribuir o mal com mal, seria abrir portas em nós mesmos à selvageria dos que nos convocam a suas furnas de trevas. 

Alimentemos a chama benéfica que indique o caminho santo do bem mas evitemos o incêndio devastador que aniquila as possibilidades da vida. Contra a labareda criminosa do mal, façamos chover os pensamentos calmantes do bem. 

Toda vez que a onda escura da perseguição nos procure envolver na luta digna, oremos e vigiemos. Encontrando-nos a resistência fraternal, voltarão os fios negros aos seus próprios autores, encasulando-os em sua obra. 

Orai pelos que vos perseguem e caluniam, acendei a luz dos pensamentos nobres no círculo de sombras dos que vos tentam confundir, certos de que a maldade é o inferno dos maus e que cada Espírito carrega na vida o abismo tenebroso ou a montanha de luz, dentro de si mesmo. " (Emmanuel

Extraído do livro "Coletâneas do Além", Psicografia de Francisco Cândido Xavier, ditado por Espíritos Diversos, p. 20.
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terça-feira, 20 de janeiro de 2026

NOS CÍRCULOS DA MATÉRIA

"Superando as vulgaridades que lhe assinalam a romagem na carne, o Espírito reconhece a sua posição de internado nos círculos da matéria que, a seu turno, é simplesmente o conjunto das vidas inferiores, suscetível de ser examinado pela nossa capacidade de apreciação. 

Em seus múltiplos estados, a matéria é força coagulada, dentro de extensas faixas dinâmicas, guardando a entidade mental de tipos diversos, em seu longo roteiro evolutivo. 

Corpos sólidos, líquidos, gasosos, fluidos densos e radiantes, energias sutis, raios de variadas espécies e poderes ocultos tecem a rede em que a nossa consciência se desenvolve, na expansão para a imortalidade gloriosa. 

O homem é gênio divino em aperfeiçoamento ou um anjo nascituro, no grande império das existências microscopias, em cujo âmbito é escravo natural das ordenações superiores e legítimo senhor das potências menores. 

Em torno dele tudo é movimento, transformação e renovação. No seio multifário da natureza em que se agita, tudo se modifica no embate turbilhonário das energias que lhe favorecem a experiência e a ascensão. 

Embora a ordem dominante nos elementos infra-infinitesimais, tudo aí se desfaz e se refaz incessantemente, oferecendo ao Espírito fases importantes de materialização e desmaterialização, dentro de leis sistemáticas que funcionam em igualdade de condições para todos. 

Mas, além dos elementos químicos analisados, entre o hidrogênio e o urânio, que se agrupam no Planeta, através de infinitas combinações, jazem as linhas de força do mundo subatômico, geradas pelos potenciais elétricos e magnéticos que presidem a todos os fenômenos da vida e, por trás dessas linhas positivas, neutras ou negativas, que constituem a matéria, verdadeira aglomeração de sistemas solares microscópicos e de nebulosas infinitesimais, permanece o pensamento que tudo cria, renova e destrói para refazer. 

A energia mental é o fermento vivo que improvisa, altera, constringe, alarga, assimila, desassimila, integra, pulveriza ou recompõe a matéria em todas as dimensões. 

Por isso mesmo, somos o que decidimos, possuímos o que desejamos, estamos onde preferimos e encontramos a vitória, a derrota ou a estagnação, conforme imaginamos. 

A história da Criação, no livro de Moisés, idealizando o Senhor diante do abismo, simboliza a força da mente e perante o cosmo. 'Faça-se a Luz _ determinou a Divina Vontade _ e a luz se fez sobre as trevas'.

Por nossa vez, cada dia, proclamamos com as nossas ideias, atitudes, palavras e atos: - 'Faça-se o destino!' E a vida nos traz aquilo que dela reclamamos. 

Os acontecimentos obedecem às nossas intenções e provocações manifestas ou ocultas. 

Encontraremos o que merecemos, porque merecemos o que buscamos. 

A existência, pois, para nós, em qualquer parte, será invariavelmente segundo pensamos."

Extraído do livro "Roteiro" de Francisco Cândido Xavier/Emmanuel, p. 13/14.
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